sábado, 29 de dezembro de 2018

Inversão


Já quis morrer
Até perceber que a pior morte
É não viver
O problema nunca foi a queda
Mas o medo de voar
Muito menos a dor
Porque se aceitarmos que ela nos define
Definhamos
Tudo é amor, mesmo quando não parece
Se exclui-lo da equação
Padece
As vezes, não sabemos dar
Em outras, nos fixamos no fato de não receber
Mas amor não se dá e nem se recebe
Ele não troca, nem faz troça
Ele simplesmente é
Sua melhor versão
Que só o pode ver: são

O amor quando chega



O amor quando chega é de mansinho
Rápida é a vontade de amar
Não faz alarde
Ele já faz a alma gritar
Não resulta de pegação
Ele pega a mão e lhe leva embora
Nem lhe vira do avesso
Porque já é a sua melhor versão
Se for mesmo amor
Nem força
Ele dá força e coragem
Nem precisa de insinuação
Nua? Só a ação.
Tão transparente que não consegue esconder
Há quem diga que está no coração
Mas ele nasce na testa onde todos conseguem ver
Amor quando é amor
Não complica
Ele faz a vida parecer simples só de estar ao lado
Alado porque também faz voar
O amor quando chega é assim
Você acha que é só um momento
Mas deseja que seja para a vida toda

Em algum lugar




Sempre me perco
Para me achar
Por aí no mundo
Em algum lugar
Esperando uma voz, uma vez
Não sei, talvez...
Espera nem sempre branda
Turbulência que desanda
Anda logo
A vida não pode parar
Ainda que eu pare
Só para admirar

Mamãe Noela


Não, não vim aqui falar do bom velhinho e sua roupa vermelha (que pela falta de uma mulher anda sem estilo e todo ano se repete). Vim falar das inúmeras mamães “Noelas”, que são pais e mães. Que não trazem presentes, elas são presentes na vida dos filhos, diferente de alguns pais que estão por ai voando em algum trenó. Elas não precisam de chaminés, porque o coração delas é a casa inteira! E a casa do coração se entra pela porta! Essas mamães não vivem no Polo norte. É frio demais para sentimentos tão quentes e acolhedores. E nem precisam de duendes como trabalhadores, elas trabalham por um batalhão deles. Mamães Noelas não são vistas uma vez no ano, mas existem o ano inteiro, mesmo que muitos não valorizem o imenso esforço diário que fazem. Elas não tem uma barba para disfarçar o sorriso que se esforçam para dar, apesar de tantas dificuldades que enfrentam sozinhas. Infelizmente, muitas sequer recebem reconhecimento à sombra de um Papai Noel que só pode ser visto depois da meia noite! Elas não se esgueiram na escuridão, elas são a luz, 24 horas por dia e dão a cara, o corpo e a alma à tapa! Fazem barulho não porque precisem chamar atenção, mas porque as vezes é preciso falar alto para educar. Silêncio é omissão de quem senta em um trono e faz carinho no cabelo recompensando uma má ação com um brinquedo. Mamães Noelas sabem sua responsabilidade! Não vestem fantasias, mas estimulam a fantasia das crianças de serem adultos melhores. Então como diria a Simone: É Natal. Que lembremos todas aquelas que carregam a manjedoura no ventre e suportam uma cruz por dia para fazer este mundo feliz.

O artista


A arte nos divide em dois
A parte vista e a velada
O eu que assina e o ego que é assassinado
A pessoa conhecida por um quadro manchado
E o desconhecido de um retrato 3x4
A vida dividida
Que se multiplica
Em vidas que não participa
Arte não faz biografia
Ela emociona pela fantasia
De emprestar de um ninguém
O valor dos sentimentos
Que dá importância à um alguém
De ressignicar vazios que não foram ouvidos
Ou conversas não compartilhadas
Em um colo feito de papel
É só imaginação
Mesmo quando realidade
Que dá voz ao que outros sentem
Mesmo que nenhuma voz
Sente com eles

Quando...


“Digitando” o que vai apagar
“Visualizado” o que não vai ver
Reage sem se importar
Emoticon sem emoção
E story? Sorry! Não era uma história
Segue, mas não acompanha
Solicita amizade, mas que não seja amigo
Muda de status, mas não muda o coração
Compartilha o que não partilha
Marca sem deixar impressão
Bloqueia para para não ter contato
Falta de tato
Por ter muitos contatos na lista (descartáveis)
Razão online de sentimentos offline
Internet na contramão
De não ter tempo para nada
E perder tempo com tudo
Wi-fi que se conecta no ar
Almas desconectadas na terra

Um pouco de loucura?





É estranho pedir isso, mas poderia devolver minha insanidade? 
Não sei se quero ser lúcido em um mundo anormal. Um mundo que se envergonha da tristeza, que esconde suas lágrimas ou que exalta o sorriso, mesmo que não seja real. Não gosto desse lance morno, sem entrega e intensidade, que se compraz na aprovação  de estar "bem". Essa apatia que chamam de normalidade, mas que eu não sinto nada, nem que estou vivo. Mesmo na pior das dores, sinto alguma coisa. Não sentir é nulidade! É como saber que não existimos e que a realidade é ilusão! As pessoas não bebem para esquecer? Então me devolve o cálice da minha loucura. Prefiro me embriagar da arte do que sinto à ser sóbrio no desamor das aparências.

A loucura e a Psicanálise


É preciso ir a fundo nos preconceitos para desfazê-los e diante disso pergunto: Porque quem faz análise, ainda sofre a estigma de louco?
Para entender essa questão é preciso voltar na história, mais precisamente, na origem da psicanálise. A psicanálise é uma ciência relativamente recente em seu embasamento e nasceu próximo à um dos períodos mais conturbados da humanidade, as Guerras Mundiais.
Até então, não havia diagnósticos precisos para causas da mente e quase tudo era classificado como histeria/loucura. Ignorando a complexidade da mente, não se pretendia chegar às causas de tais dificuldades e todo "paciente" era submetido à internação em clínicas, que mais pareciam prisões. Subjugados à tratamentos dolorosos como choques elétricos, drogas pesadas e outras torturas. Muito provavelmente, mesmo sem ser louco, sairia realmente louco (embora dificilmente alguém saísse).
E é neste contexto que nasce este preconceito de "quem faz análise é louco". Algo que vem sendo repetido à séculos, sem nem buscar fundamentos para isso. A psicanálise, justamente insere a mente como catalisadora de todos nossos processos. Afinal, toda consequência, precisa de uma origem...E entender o funcionamento dos pensamentos, ajuda a direcionar as ações e atitudes. A psicanálise é um instrumento, antes de tudo, de autoconhecimento. Ela ajuda a costurar os inúmeros tecidos de lembranças e vivências perdidas dentro de nós e dar sentido e direção à elas, preenchendo lacunas internas, exatamente como a desfragmentação de um computador. (Toda invenção segue a imagem e semelhança dos processos humanos)
Logo, ninguém é louco por procurar ajuda profissional, alguém que auxilie a nos olhar de fora. É um ato de coragem olhar para dentro de si mesmo. A loucura do mundo começa na negação e na refutação de tudo que não entende. Repetindo chavões e preconceitos, sem nem saber como começaram, mas que mantém a ignorância e a permanência das pessoas em uma falsa zona de conforto.
Se o mundo está tão desestruturado, é porque o homem ainda não aprendeu a interiorização, atribuindo tudo como fator externo em que ninguém tem participação. Todos reagem, não agem! Felizmente, para isso, há solução: psicanálise!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O homem sem a mulher


Não gosto de ser sexista até porque acredito plenamente que a alma humana vá além de gênero. Mas pensando em coisas do cotidiano, constato que o homem sem a mulher é brega. Como assim?
Me desculpem meus companheiros de cromossomo Y, mas a grande verdade da natureza, é que a mulher nasceu para ser
a evolução do homem. E talvez, a prova disso é que a cada dia, nasçam mais mulheres do que homens. Seleção Natural?
Não sabemos, mas o fato é que podemos ser os próximos a entrar em extinção.
Enquanto nossa visão é limitada nas cores da extremidade, a mulher vê toda a transição e matizes de cores possíveis. Tanto que graças a elas, não existe só um azul, mas azul bebê, azul piscina, etc...E isso talvez explique as combinações estranhas de roupas que por vezes fazemos. Por mais independente que seja o homem, o seu poder de escolha sem uma mulher, é quase uma rede de rádio AM, pega mal e com chiado.
Ainda que a modernidade nos obrigue a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, a mulher naturalmente desenvolveu essa capacidade desde sua origem. O homem caçava, comia e dormia...A mulher colhia, cuidava dos filhos, preparava a alimentação, liderava as aldeias (já que os homens viviam
ausentes) e se existisse esmalte naquela época, certamente ainda fariam as unhas e dariam um nome criativo a esse esmalte: Idade da Pedra (Para nós algo próximo ao cinza).
Por sinal, "50 tons de cinza" foi escrito por uma mulher e desde então, uma enxurrada de "dominadores" surgiram. Falta de criatividade? A própria sexualidade que os homens se orgulham tanto de exaltar socialmente, a mulher já dava aulas e tinha phD sem precisar nunca ter feito disso uma questão de mérito.
É meus amigos, não me levem a mal, não estou nos traindo, apenas sendo realista, que sem elas, somos muito menos do que poderíamos ser.
A mulher foi a precursora de quase tudo.. Desde a famigerada maçã do CONHECIMENTO (a primeira escolha realizada) à quebra dos costumes e do rigor de pensamento, o que levou muitas a fogueira por bruxaria. Traço estranho da humanidade, sempre eliminou o que não entendia ou era diferente.
O mundo sempre foi muito atrasado para elas. Nós éramos relógios de corda, enquanto elas já eram smartphones. Nos enforcamos na própria corda.
Não é atrás de um grande homem que existe uma grande mulher, porque se for grande homem, ela virá ao lado ou até na frente, porque será capaz de reconhecer que sem ela, há uma grande falta.
Voltando as nossas breguices, você pensa que arrasa dividindo o cabelo, ai vem uma mulher, bagunça todo ele e diz que está ótimo. O homem dividiu, o que a mulher mistura!
Esse texto não é feminista, político, nem mesmo uma retratação histórica, ainda que merecesse. É só a constatação da longa caminhada que precisamos fazer.
E não digo apenas da sensibilização ou emotividade, mas uma necessidade cada vez maior de equilibrar os extremos. É chegado o momento de acharmos um caminho do meio, não mais dividido como o cabelo: "misturado".
E aí, a frase do Victor Hugo, enfim poderá ser reescrita: "O homem está onde termina a terra e a mulher onde começa o céu". Que sejamos merecedores de asas para poder enfim, voar com elas.

Estranhos Conhecidos


Fomos conhecidos até que o tempo nos fizesse estranhos. Mudamos sem perceber e a necessidade de estar perto virasse a falta de jeito de uma aproximação. Antes não queríamos que o tempo passasse, mas ele passou tanto que já não nos reconhecemos. Uma intimidade tão formal, que hoje, nos toleramos em uma tentativa de preservar uma lembrança que não existe mais.
Guardar o que não mais se aguarda.