sábado, 29 de dezembro de 2018
Inconstante
Nunca soube o que é ser constante
Sentir com moderação
Ou pensar sem intensidade
Viver da normalidade esperada
Uma loucura alinhada
Mal tangencio a curva
Sou fora de órbita
Minhas emoções não respeitam gravidade
Flutuam entre o que há em mim e onde minha imaginação vai
Nem as leis da física
As vezes, quase não tenho física
Sou espirito errante e intocável
Como a Lua para a Terra
Tento um verso
Para definir meu universo
Sou ET nessa imensidão
ETC nas possibilidades e nas
Reticências que seguem com
3 pontos finais
Fantasia
Em mim faz parte
No meu corpo fez morada
Ronda meus pensamentos
E faz todo meu mundo rodar
Não escolho sentimentos
Meus sentimentos escolhem você
Não é conto de fadas
Mas seu sapato é de cristal
Todo dia “era uma vez”
E qual a vez a terei em meus braços para ser feliz para sempre?
E se sempre for muito tempo
Que faça do nosso encontro
Eternidade
Convenção
Não é convento
Mas também é hábito
Simula uma relação que se perdeu
Deu! É cansativo
De quem não se faz ativo
E só mudou para você
De quem tem hora para chegar
E vai quando a primeira oportunidade passar
Convenção é invenção social
Interação forçada
Quando o esforço
Não vale mais
Para ficar é preciso querer
E só permanece o que se sente
Não convém
Quando queremos o que não convém
Nunca vem, sempre vai
Ainda quando chega, não basta
E se basta, falta
É alta expectativa
Tentativa frustrada
Forçada e artificial
Buscando vencer
Uma causa perdida
(E se perdendo também )
Só para dizer que conseguiu
Um instante que logo seguiu..
Tentar encaixar uma parte
Que não cabe
É esperar que não acabe
O que nasceu para terminar
Vai aparecer
“Vai aparecer alguém especial” é a consolação que adia as expectativas e a constatação que hoje não há ninguém. E porque fugir dessa realidade? Atribuir tamanha responsabilidade a algo que está fora de controle? É o remédio que ao invés de tratar, remove os sintomas. Mas não cura a dependência emocional que diz precisarmos de alguém para estar bem. Remetendo a mitologia grega das almas gêmeas, que um ser inteiro e poderoso foi dividido para que suas metades enfraquecidas passassem a eternidade a se procurarem. Não somos metades de alguém, mas dois inteiros que se encontram e o relacionamento que começa responsabilizando o outro pela sua felicidade, já inicia em falta. “Alguém especial não vai aparecer” nos obriga a assumir que cabe a nós fazermos cada momento especial, acompanhados ou não. Não somos vítimas do destino, mas autores da própria história e quem espera que alguém escreva o livro que nos cabe, acaba com as páginas em branco.
Família
É como música
🎵 Fa-Mi-La 🎵
Elementos sozinhos são notas
Quando juntos, melodia
As vezes, melodrama
Da novela chamada proximidade
Intimidade de quem divide a vida, o sangue, a casa e as histórias
Cumplicidade de uma rotina
Que não cabe no Instagram
As vezes, banda experimental
Mundos próprios tentando achar o tom, o espaço e o tempo
Criando limites para algo ilimitado como amor
É a escolha que não recebemos e ainda assim, escolheríamos se nos dessem a chance
É o molde da identidade
O espelho para o que queremos ser
É o primeiro não que nos educa
O segundo sim que afirma a existência e formação da vida
É a parte de nós que habita fora
E por não caber em um coração
Ecoa em todos que nos rodeiam
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