domingo, 7 de abril de 2019

Ficar

Não era para se apegarem
Era “ficar” e só
Mas de tanto se pegarem
Tudo deu um nó
Ah tempos modernos...
Namoro agora é proibido
Não ousavam mencionar
Quase libidinoso
Como mudar de status é gozar
Quer sacanagem maior
Do que darem as mãos?
Desnudarem ao mundo
A vontade de gostar?
Não pode ser assim: Explicito!
“Compromisso sério”
Eita palavrão!
Se ainda fosse foder
Verbo polido de um sujeito oculto
Assim ficaram...
Corações virgens
Em corpos experientes
Que gemem alto
Mas amam em silêncio

Você e o outro


Enquanto fica parada
Sofrendo
O outro recomeça
E vai vivendo
Você fica lembrando
O outro lhe esquecendo
Presa em uma página
Do livro que o outro fechou
A vida que você não teve
Romantiza
E ele realiza com outra
Os sonhos que eram seus
Quanto tempo ainda precisa
Para não o querer de volta
E dar a volta por cima?
Abra os olhos para a vida que chega
E diga: “Chega de menos! Eu me amo mais”
Você é o valor que se dá
E o outro? Uma nota de rodapé
De uma página invertida
Que pensou ser o título

Dia da Poesia e da Síndrome de Down


A Poesia divide o dia com a Síndrome de Down.
Quer dia mais especial?
A poesia que se fez corpo para dizer ao mundo que sensibilidade existe além da forma? Ou que a melhor 
expressão é o jeito como algo tão simples pode lhe tocar?
Uma letra a mais que muda um gene, como uma palavra a mais pode mudar todo o sentido!
Quantas vezes a poesia nasce Down para nos fazer Up?
Quantos anjos nascem Down para nos fazer humanos?
Feliz dia à empatia que compreende que diferença é ser único!

Dar um tempo


Dei um tempo comigo
Não estávamos nos entendendo
Um eu queria tudo e o outro se sentindo nada
Se amavam assim, de um jeito tão errado
Um falava para o mundo o que o outro queria esconder
Brigavam pela atenção que ambos diziam não ter
Já quase não se viam, flertando com partes que não pertenciam
Mas ainda dormiam na mesma cama
Cada um virado para um lado
Silêncio só quebrado pelo ronco de um pensamento
O que podia fazer?
Só dar um tempo de mim
Para ver se uma vez separados
Se achem no “Era uma vez..”
E assim, serem felizes para o sempre que durar

Amem


O mundo está machucado, ferido e magoado! Paz e amor já não cabem na mesma frase. O sexo é livre, mas o amor acamado. Ironias só por desabafo. Tentar? “Comigo não funciona”, enquanto curte em suspiros uma declaração “fofa” postada! O último suspiro de um condenado! Amor perdendo a magia e para alguns virando maldição.
Amor é de humanas, nunca foi matemática. Ainda que hoje, tente se fixar em algoritmos e probabilidades, nisso só sobra a subtração: todos perdem.
Cupido safado! Signos desencontrados! Alguém precisa levar esta culpa! Nem sempre justa, diga-se de passagem! E talvez, esse seja o erro: ser passagem. Especialmente, com quem chega, que apesar do esforço, perde para uma lembrança ferida ou desconfiança armada. Ah o amor que já venceu guerras, sobreviveu a pestes e fogueiras, hoje virou o vilão. Queimado publicamente com a tocha de celulares na mão! E a promotoria argumenta: é um bem descartável, volúvel e traiçoeiro. Já o amor? Só tem uma defesa: amar! Sendo torcido até a ultima gota, até a ultima lágrima! Enquanto no peito, a sociedade adoece, porque amor nunca coube em uma postagem. Ele só precisa de uma chance para acontecer. Não é por sorte e nem por acaso! Não importa o valor dos dados, quando você é a roleta! Não é possível ver, o que só nos cabe sentir (e aceitar). Exatamente como a fé! Apesar da descrença, amor é a mais pura religiosidade e nem precisa de escapulário! Ele é empatia contra a apatia do sentimento, mas também é Trindade: Amor próprio, ao próximo e sagrado!
Amem! Amém!

Citação - Cara da poesia


Quedas


Foram tantas lágrimas até aqui
Lágrimas que ninguém viu
Entaladas na garganta
Que prendiam a voz também
Tantas cicatrizes curadas
Traumas na pele marcada
Por uma lembrança dilacerada
Tantos renascimentos
Após diversas mortes
(incluindo a própria)
Batidas de pó
Após quedas na estrada
Silêncios quando o pensamento gritava
Solidão que ensina a ser companhia
Na esperança que se arrastar
Ainda é seguir sem parada
Houve muita dor
Apesar do sorriso
Na crença que motivar
Era a melhor motivação
Secar as lágrimas alheias
Para desviar as próprias
Fazendo da empatia
A própria transformação
Lágrimas ainda caem
Porque quando a vida toca uma vez
Tudo passa a tocar
Especialmente, o sol
Que diz que todo dia
É um novo dia para começar

Traída


Este não foi o sonho que tive com você. Ser acordada assim é um pesadelo. Onde está o castelo? Quando foi que virou o dragão?
Me tirar de mim para me deixar assim: Ilusão!
Não que fosse um salvador, porque não precisava de resgate. Nunca fui a princesa, porque me liderava. Mas você? Hoje, me parece um sapo.
Sapo que beijei por acreditar na magia, mas seu beijo, me entregou aos romanos para crucificação.
Você apostou alto e perdeu tudo. Se perdeu. Porque antes de trair alguém, antes nos traímos. Qual a carta que sobrou na sua mão: dívida e uma mesa vazia.
Não há segunda chance para quem não me fez a primeira opção.
Escolhemos o que colhemos. E eu escolho a mim. Nem que precise me queimar para renascer, mas o incinerarei comigo para fazer cinzas da lembrança que qualquer brisa vagabunda leva.

Autismo


Estava na dúvida entre a fila dos bipolares e autistas, mas por distração, demorei tanto a escolher que nasci Eu.
Não tenho rótulos, porque eu tenho todos. Sou plural, apesar do meu corpo me fazer singular. Azul? Não, quero todas as cores de todos os espectros, mas se ainda assim tiver que escolher uma, que seja Branca, a união de todas elas.
Limitação? Quem não as tem? Sou a pura imperfeição e me felicito por ser assim. A perfeição deve ser muito chata, não há nada nela a ser superado, nada a ser conquistado e que conquista pode ser melhor do que uma nova versão de mim?
Diferentes? Quem não é? Nem os dedos da mesma mão são iguais e ainda assim, todos são igualmente importantes.
Eu entendo os autistas, falamos quase o mesmo idioma. No meu caso, aprendi voluntariamente, era tímido. Em ambos os casos, temos no corpo, uma prisão, mas que não define quem somos.
Também tenho um mundo particular, nem sempre entendido. Uma extrema sensibilidade a cores, sons e luzes. Sou desajeitado e atrapalhado. Nossa arte é a forma como nos expressamos. Embora tenha optado pelas metáforas, ao invés da literalidade. Por isolamento e traumas fortuitos, também tive por muito tempo, dificuldade ao toque.
Como não poderia entender os autistas? Somos da mesma família por condições diversas, mas há algo além que nos une: Somos humanos!
Sentimos, rimos, sofremos, caímos, mas aprendemos sempre! Chega de julgamentos, de fórmulas e manuais. Não somos homens de lata, temos um coração!
E ainda que não enferrujemos com lágrimas, choramos pela incompreensão.
Poderia falar de empatia, mas como me faria entender sem me expor e colocar no lugar. É preciso que sinta na pele antes de dizer que "entende".
Eu não entendo muita coisa e não há mal algum nisso. Mas talvez a diferença não esteja no "estranhar", mas não buscar o universo que habita aquela realidade.
Sempre gostei de ler as biografias dos escritores antes das obras. Porque só é possível interiorizar o sentido do que querem dizer, antes, compreendendo o sentimento
que os leva a pensar de determinado jeito. E esse é o meu jeito.
Dia do autismo? Também! Mas prefiro encarar que é o nosso dia.

Erro



Não sei porque insiste na relação errada
Para se convencer que com o tempo ela será certa?
Ou para chamar o "medo da perda" de amor?
Uma luta entre convencer o outro de uma mudança que é sua?
Ou a falsa crença de que sem ela, também ficará sem você?
Enquanto não se responde
Se fica só sozinha ou acompanhadamente só
Se ocupa com uma parte, que nunca fez parte
E a vida não tem dó
E você perde..
As oportunidades
O amor próprio
A motivação
E não reconhece
Aquilo que se tornou
Você se perde
Esperando por um outro que só existe em você