quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Em um mundo dividido
O índio acusa o branco
O branco aponta o negro
O negro ofende a mulher
A mulher critica o homem
O homem se exaspera com o gay
O gay culpa a religião
A religião condena a ideologia
A ideologia forma um partido
O partido se degladia com outro
E o outro é sempre alguém que não é você
Em um mundo unido...
Apesar de todas as diferenças
Somos, simplesmente, humanos
A covardia
A covardia nasce de uma alma vazia
Que insegura, se assegura da própria corrupção
Falta-lhe empatia e vive a apatia de princípios
Pronto para empurrar qualquer um ao precipício
(Sua vida está sempre em primeiro lugar)
Não se apieda por alguém, senão por si mesmo
Disposição para fugir e fingir uma posição
Não entende responsabilidade
Assina sua instabilidade
Volúvel... para si tudo é viável
Se vitimiza, enquanto faz as suas vítimas
Nada enfrenta de frente ou sozinho
É uma sombra sorrateira e oportunista
Como serpente derradeira e fatalista
Sonolência
Para onde vou? Não sei
Para onde fui? No amanhã, talvez
Os passos esparsos
Perdidos no próprio encalço
Luto... dúbio...
Esforço ou morte?
Dedicação ou sorte?
Confuso no fuso
De quem tenta despertar...
O amor cura
Quantos infernos Dante enfrentou até Beatriz?
Com quantos moinhos Dom Quixote lutou por Dulcinéia?
Quantos impérios Menelau desafiaria pelo resgate de sua Helena?
Quantas guerras Napoleão enfrentou para retornar a Josefina?
Quão árdua travessia marinha Ulisses cruzou para rever o abraço de Penélope?
Qual morte seria pior para Romeu do que uma vida inteira sem Julieta?
Entre tantos desafios e dificuldades, perdas ou fatalidades, o amor sempre venceu...
Inspirou os poetas e através deles, virou inspiração...
O amor até estilo se tornou: romantismo. E antes que digam, que é um movimento antiquado, moda do final do século XVIII...Nunca foi tão contemporâneo...nos pedidos inusitados de casamento, na literatura...
Pois o amor, como a vida, se reinventa, se contextualiza em constantes upgrades!
É o sentimento mais instintivo do homem, nascido antes mesmo da palavra! Aliás ousaria dizer que está acima dos sentidos... É o sétimo sentido!
E se me acha piegas por dizer tudo isso, seja pela descrença provocada por feridas ou por considerar fantasia de antigas idealizações....Acredite que a magia, por muito tempo na história, foi medicina....A descrença de hoje foi a cura de ontem! Cure-se e ame! Ou ame para se curar!
O novo milênio
O mundo assume o retrô, quando a presente cultura não sabe para onde ir. Na virada do milênio, havia uma grande expectativa para a chegada de um futuro, que não aconteceu como esperado. Apesar dos grandes avanços tecnológicos, a criatividade seguiu analógica, sem criar novas tendências, estilos ou direções, mas misturando tudo que já havia e buscando referências na releitura do que se extinguiu. Nosso estilo atual está na falta de um estilo definido.
O novo milênio é um período de abertura das diversidades, de interiorização ou melhor aceitação sobre questões antes marginalizadas.
É o início de um século que busca a identidade pessoal e coletiva. Um século da popularização da depressão. Afinal, para voar, antes a lagarta precisa descobrir que tem asas e se fecha em seu casulo.
A era das fotos, que tudo precisa ser registrado, com receio do esquecimento ou da perda de uma parte de quem se é...
É um período marcado pela ditadura da felicidade, que elevou o padrão das expectativas... Acontecimentos comuns cotidianos, sempre devem aparentar ser um grande evento marcante e inesquecível! Neste processo, corroborando com a depressão de quem não é capaz de acompanhar esta exigência acelerada!
É o momento de políticas afirmativas, que embora busque a integração às diferentes classes, raças e gêneros, esquece da singularidade que nos é peculiar...da nossa humanidade com erros e acertos, que está acima de classificações...acabando por nos setorizar em grupos divergentes e comprometendo o diálogo pela forma "correta e ideal" de pensar... Sem espontaneidade, individualidade e naturalidade...Segregando, isolando ou massificando formas de conduta.
Exacerbando as exaltações e intolerâncias, nesta tentativa de construir uma linguagem comum e universal...
A facilidade de viajar e a internet, por um lado, aproximou e dispersou as culturas, por outro, espalhou tanta informação, que ainda não sabemos bem o que fazer com todas elas...nos tornamos pequenos diante de um mundo tão vasto que descobrimos... Um mundo que vai além de nossa casa, nossa rua, nosso país...
Qual é o nosso lugar nesse novo mundo sem barreiras? Quem queremos ser com tantas possibilidades? É nesse ponto que estamos agora,...diante de um abismo, deslumbrados com o amplo horizonte e inseguros da nossa capacidade e vocação para voar...
O novo milênio é um período de abertura das diversidades, de interiorização ou melhor aceitação sobre questões antes marginalizadas.
É o início de um século que busca a identidade pessoal e coletiva. Um século da popularização da depressão. Afinal, para voar, antes a lagarta precisa descobrir que tem asas e se fecha em seu casulo.
A era das fotos, que tudo precisa ser registrado, com receio do esquecimento ou da perda de uma parte de quem se é...
É um período marcado pela ditadura da felicidade, que elevou o padrão das expectativas... Acontecimentos comuns cotidianos, sempre devem aparentar ser um grande evento marcante e inesquecível! Neste processo, corroborando com a depressão de quem não é capaz de acompanhar esta exigência acelerada!
É o momento de políticas afirmativas, que embora busque a integração às diferentes classes, raças e gêneros, esquece da singularidade que nos é peculiar...da nossa humanidade com erros e acertos, que está acima de classificações...acabando por nos setorizar em grupos divergentes e comprometendo o diálogo pela forma "correta e ideal" de pensar... Sem espontaneidade, individualidade e naturalidade...Segregando, isolando ou massificando formas de conduta.
Exacerbando as exaltações e intolerâncias, nesta tentativa de construir uma linguagem comum e universal...
A facilidade de viajar e a internet, por um lado, aproximou e dispersou as culturas, por outro, espalhou tanta informação, que ainda não sabemos bem o que fazer com todas elas...nos tornamos pequenos diante de um mundo tão vasto que descobrimos... Um mundo que vai além de nossa casa, nossa rua, nosso país...
Qual é o nosso lugar nesse novo mundo sem barreiras? Quem queremos ser com tantas possibilidades? É nesse ponto que estamos agora,...diante de um abismo, deslumbrados com o amplo horizonte e inseguros da nossa capacidade e vocação para voar...
Espelhos
A timidez
Teme a tez
Disfarça a fala
Na farsa que cala
Intensa alma
Em tensa calma
Sorriso que guarda
Só isso que aguarda:
De ser notado!
Dizer o nó atado...
Entalado, relaxa
Em tal lado acha?
Solitário, por que assim?
Solidário, porquê é assim
Até o fim
Até um afim
Ser estranho
Não sou estranho, apenas não compartilho do mesmo olhar...
Vivemos no mesmo mundo, mas não somos todo mundo... Somos diferentes, diferentemente iguais...
E se ainda assim incomodo, por não espelhar o que gostaria de ver...
Não importa, sempre terá o seu próprio reflexo para apreciar, embora com ele, pouco tenha a trocar, além do que já se acostumou a ver...
Na verdade, sou estranho...Estranho suficiente para perceber que depois de falar tanto... Só falei comigo mesmo...
Politicamente Incorreto
Politicamente incorreto? Mas o que é mais incorreto que a política? A ditadura do que se pensa, dita a rebeldia do que não se pensa! A intolerância fala, enquanto se dá ouvidos a ela. Não é o que diz que importa, mas como se ouve...
Há dias
Há dias que ouvimos nossas incertezas
Crendo que sombras são a realidade ou a realidade é feita de sombras
Enxergamos as mãos vazias e o vazio é maior do que cabe nas mãos
Os olhos perdidos não vão além dos próprios olhos
As lágrimas ofuscam e ofuscados, nos afogam
Há dias que o passado, nos passa
Hipóteses de decisões não tomadas, tomadas em um momento de indecisão
O futuro não se propaga e paga o preço que o momento mandar
Nestes dias que a alma imerge em outonos de folhas caídas
Devemos parar para respirar e respirar até que tudo pare
Não é o mundo que está rodando
Estamos rodando no mesmo lugar
Aprisionados no vício de idéias
Viciadas em não mudar
Além de acreditar, é preciso acreditar no Além
Nem tudo que se vê, é e nem tudo que é, se vê
Há dias que precisamos nos vencer, vencer o que precisamos
Mesmo que tudo diga o contrário, nos cabe contrariar o que se diz
Sem se importar com o que vai dar,
Dando valor apenas ao que importa
E se nada disso adiantar, apenas se adiante
Nada nos cabe além de esperar e esperar com a certeza, que nunca acabará em nada
Crendo que sombras são a realidade ou a realidade é feita de sombras
Enxergamos as mãos vazias e o vazio é maior do que cabe nas mãos
Os olhos perdidos não vão além dos próprios olhos
As lágrimas ofuscam e ofuscados, nos afogam
Há dias que o passado, nos passa
Hipóteses de decisões não tomadas, tomadas em um momento de indecisão
O futuro não se propaga e paga o preço que o momento mandar
Nestes dias que a alma imerge em outonos de folhas caídas
Devemos parar para respirar e respirar até que tudo pare
Não é o mundo que está rodando
Estamos rodando no mesmo lugar
Aprisionados no vício de idéias
Viciadas em não mudar
Além de acreditar, é preciso acreditar no Além
Nem tudo que se vê, é e nem tudo que é, se vê
Há dias que precisamos nos vencer, vencer o que precisamos
Mesmo que tudo diga o contrário, nos cabe contrariar o que se diz
Sem se importar com o que vai dar,
Dando valor apenas ao que importa
E se nada disso adiantar, apenas se adiante
Nada nos cabe além de esperar e esperar com a certeza, que nunca acabará em nada
O personagem
Gerimos dentro de nós. Alimentamos no ventre de nossos mais profundos pensamentos, uma vida. Diferente de nós, mas parte de nós. Emprestamos nossas experiências, vivências e observações. Mas assim como um filho, assume vida própria e tem sua própria personalidade, moldada pelas oportunidades. O roteiro o define ou sua natureza induz o roteiro?
Como um filho o amamos e nos projetamos nos mesmos..."perdoamos suas faltas" e vibramos com seu amadurecimento. Acompanhamos o seu crescimento dos primeiros passos a sua derradeira definição.
Assistimos ganharem o mundo, assumirem diferentes trejeitos e rostos, de acordo com a forma que cada leitor, que "convive" com ele, encara. Neste processo, já são independentes de nós e ao escritor, só resta a saudade das primeiras linhas, quando o personagem ainda era um rascunho de quem viria a ser.
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