domingo, 6 de maio de 2018

Espinhos


Agradeço o espinho
De quem prefere
Ser lembrança na ferida
É a farpa pessoal
De quem na farsa
É sincera
Grato pela gula
De nunca calar
Presença que
Estrangula
Só para não largar
Fala antes
De secar o veneno
E só vale
Se ficar doendo
Agradeço a cicatriz
Que ensina:
Certas companhias longe
Valem mais
Que a autoestima por um triz

Quanto vale um seguidor?


Estranho mundo de realezas e séquitos
Que somos medidos por números
Se uns buscam o crescimento conjunto
Outros só o fazem por si mesmos
Chegam ao cúmulo de seguir
Para que os adicionem
Só para logo depois
Deixar de seguir
Penso na frieza de tal relação
Egocêntrica e narcísica
Que consome pessoas
Só pelo prazer de inflar
Encher de ar
Ainda que tantos números
Não preencham vazios
Será que seguidor
É medido em peso ou quantidade??
Aliás "K" parece com Kg
Espero que tal juiz seja Anúbis
E o peso de um coração seja mais
leve do que uma pena
E é esse o sentido de usar a pena
Escrever por termos um coração

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Embriaguez emocional



Quero beber os versos do seu destino
Saciar a sede do meu silêncio 
Embriagar minhas linhas
Até que tropecem nas suas
Embaralhar minhas letras em seu mundo
Ver minha mente girar pelo seu corpo
Trôpego de carinho
Até desmaiar de tanto desejo
Quero andar sem linha reta
Pela sinuosidade da sua pele
Perder todas as palavras
Apagar até um amanhã
Que eu desperte ao seu lado
E esqueça qualquer coisa
Que não lembre você
E a ressaca?
Seja (a)mar

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Amor em tempos modernos




Amo você! Toco a tela, mas é sua pele que queria touch screen!
Seu sentimento é meu wi-fi e me deixa todo online! Seu beijo é pura conexão! 
Meu sorriso fica banda larga! 
Meus pensamentos vão a qualquer lugar, desde que esteja lá. 
Você descriptografa minhas intenções em gigas de intensidade e tem a senha do meu coração! 
Pode rotear meu corpo no seu? 
Quero entrar na sua rede e não sair mais!

Trauma



É a trave da alma
De um espinho
Perfurante

Que sangra
Mas não coagula
Estrangula a lembrança

Destemperança
De um momento cristalizado
Sentimento pregado

Ecos de uma dor
Silenciosa
E que silencia

É ferida aberta
Da doença que fechou
Então qual a cura?

Amor próprio
Que incinera
O eu que passou

Das cinzas
Abre os braços
E voa

Para uma nova versão
Que faz as pazes
Com a guerra que travou

Entre mortas lembranças
Todas vencidas
Saber que se venceu

domingo, 15 de abril de 2018

A maldição


Tenho uma maldição 
Um toque
Que empurra quem se aproxima
Para os braços de outro alguém
Cada partida leva um pouco de mim
Para um amor que juntos, não vivi
Uma doação descabida
Que dá o que preciso
Melhor não falar mais nada
Antes que levem embora
Minhas palavras também

Procura-se amigos


Que façam esquecer o tempo
Que falem de metafísica
Com a mesma vontade
Que falem de trivialidades
Que riam juntos
Mas que não tenham vergonha de chorar
E que possam entender um olhar, mesmo quando palavras faltarem
Que esqueça um pouco o celular quando juntos
E que eu não seja um número
Que não importe o lugar
Mesmo que seja caminhar até a esquina ou ir do outro lado do mundo
Amigos interessados e interessantes
Que me estimulem a ser para eles
O melhor do que posso ser
Farei a minha parte!
Ainda que não acho que caiba “esforço”
Porque os melhores sentimentos acontecem naturalmente sem que precisemos forçar
Logo eu, aqui forçando um pedido...
Mas sou incoerente e nem espero coerência ou normalidade
Porque autenticidade e unicidade estão em falta. Só não pode faltar presença.
Não precisa perfeição, eu também não sou. E gosto das imperfeições, nos fazem humanos.
Podem ter defeitos como eu também tenho. E que a união desses defeitos, seja uma grande qualidade.
Não há nenhum impedimento que não seja o querer. O querer da companhia que começa em um dia e parece fazer parte de você a vida inteira. E espero que assim seja.

A tela


Não sou de verdade
Sou uma tela preta
Quando não precisa
Desliga
Tela não sente
Nem precisa de explicação
Logo, some
Até que a lembrança
Me ligue
Sou touch screen
Um toque frio
Me usa quando convém
Desdém que bloqueia
Interesse passageiro
De servir
Até que mude de tela
Deixando em mim
Um print screen
Da dor que causou

Quando a dor chegar


Antes de tudo, chore!
Dilua o peso que guarda! Desague!
Com a vista limpa, ore!
Sem aquilo que ofusca, os olhos enxergam além
Não debata com o destino
Nem tudo há negociação
E o primeiro passo é sempre
Aceitação
Bata o pó e se levante
Quem está deitado
Não vê o horizonte
Caminhe!
Mesmo que seu corpo
Queira parar
Mudança precisa de movimento
Quem está em um único lugar
Vê sempre a mesma paisagem
Respire fundo!
Sinta o ar preencher os vazios
Para que não seja o sofrimento a fazê-lo
Ame! Amor é expansão
É a melhor parte de si
Energia transformadora
Em plena doação
Quando se doa
Não dói

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Assim ou assado


“Você tem que ser assim ou assado para alguém gostar de você”.
Verdade seja dita, você não tem que ser nada para alguém gostar de você. Calma! Não estou falando de cultivar e se dedicar ao relacionamento. E sim, de mutilar sua natureza para caber em um lugar que você não cabe e nunca caberá. Numa tentativa vã de “alguém gostar de você”. Porque se alguém gostar de você, não importará se gosta de se sujar escalando ou se é pura preguiça, se é o cúmulo da prudência ou um “cúmulo-nimbos”(nuvem), que chega fazendo tempestade! Gostar não pede currículo, nem passa por seleção! Não emprega ninguém, ele se impregna de alguém do jeito que for! De pé ou dando cambalhota, andando para frente ou de ré...
Não aponta o dedo, dá a mão! Não diz vai, clama que venha!
É o mundo que quer estar, mesmo que seja fora da sua órbita. E como sol e lua, quando se encontram: eclipse!
Bons modos? Quando se gosta, todo modo é bom!
Você não tem que ser “assim ou assado”, isso é o fim e passado!
Gostar é o encontro de quem não precisa ser procurado!