domingo, 1 de março de 2015
Sensibilidade
A sensibilidade é como um cavalo indomável.
Intensamente galopa entre extremos.
Ligando o paraíso a terra.
É a expressão mais pura do que somos e a assinatura oculta de nossas confissões.
Através dela tudo que se sente, importa.
Nos preocupamos com as pessoas, ainda que não as conheçamos tão bem.
Nos interessamos por cada momento, ainda que não tenha nada de especial.
Porque tudo nos toca intimamente, extraindo da alma, o sorriso mais aberto ou as lágrimas mais profundas.
Tudo passa a ter significado por mais abstrato que possa parecer.. Como se as emoções fossem capazes de decodificar o mundo em cores e formas em um sentido próprio..
Que muitas vezes nos leva a caminhar no sentido contrário da rotação do mundo. Uma manifestação plena dos sonhos à luz do dia.
Se tudo que se vive, sentimos.. Tudo que sentimos é vivo.
Des(Ordem)
Vejo a vida passando
Passando, vejo a vida
Passando, vejo a vida
Como pássaros que voam ao longe
Ao longe, pássaros! Como voam!
Ao longe, pássaros! Como voam!
Me perco em pensamentos
Em pensamentos que perco
Em pensamentos que perco
Nos sentimentos de doação
Na doação de sentimentos
Na doação de sentimentos
Que mesmo sem entender a ordem
Sem ordem que entendo mesmo
Sem ordem que entendo mesmo
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Eu, a timidez e Eu mesmo
Não saberia dizer ao certo quando a timidez se instalou em minha vida, mas o fato que juntos, temos um longo relacionamento. Talvez na adolescência tenha sido o período que ela tenha se evidenciado mais, já que os hormônios, fazem "tudo" ficar exacerbado.
É justamente neste período que se iniciam as relações amorosas, a auto-afirmação e a busca por grupos. No entanto, a timidez é uma parceira ciumenta e sempre discute a relação, quando o assunto é liberdade.
É justamente neste período que se iniciam as relações amorosas, a auto-afirmação e a busca por grupos. No entanto, a timidez é uma parceira ciumenta e sempre discute a relação, quando o assunto é liberdade.
Há quem diga que a timidez é fruto do orgulho, pois defende o Ego da exposição. Ainda que os tímidos, concordariam comigo, que na
cadeia, todos somos inocentes! E não há prisão maior que a Timidez! Uma grade entre o que pensamos e sentimos da liberdade de manifestação.
Essa separação gera um grave conflito entre o mundo interior e o exterior. Parecem duas realidades a parte e não estamos falando da série de tv: "under the dome" (Sob o Domo). Um presídio tem leis próprias e esporadicamente, a necessidade por melhores condições, nos exige rebeldia.
cadeia, todos somos inocentes! E não há prisão maior que a Timidez! Uma grade entre o que pensamos e sentimos da liberdade de manifestação.
Essa separação gera um grave conflito entre o mundo interior e o exterior. Parecem duas realidades a parte e não estamos falando da série de tv: "under the dome" (Sob o Domo). Um presídio tem leis próprias e esporadicamente, a necessidade por melhores condições, nos exige rebeldia.
Muitos aqui conheceram muito bem esse "pequeno grande" detalhe da minha personalidade. Para alguns uma grande dificuldade, afinal não é fácil visitar um presídio. Embora seja uma "máscara social", acaba se confundindo com aquele que a veste. Apenas, agora em fevereiro, no Carnaval, máscaras são bem aceitas!
O fato é que no período de vida, que o mundo emerge e se exterioriza, o tímido vai na contra-mão: imerge e se interioriza.
Enquanto as festas acontecem ao lado, o tímido evita as aglomerações.
Enquanto os casais se formam, o tímido se insula "involuntariamente" na solidão.
Enquanto a praticidade dita a ordem, o tímido é subjetivo e emocional.
Enquanto o mundo fala e quer ser escutado, o tímido se cala e escuta.
Enquanto os casais se formam, o tímido se insula "involuntariamente" na solidão.
Enquanto a praticidade dita a ordem, o tímido é subjetivo e emocional.
Enquanto o mundo fala e quer ser escutado, o tímido se cala e escuta.
Nunca fui um tímido padrão. Talvez porque embora vivesse com a timidez, eu nunca tenha a aceitado. Era como um relacionamento, que por saber que é desarmônico, não é assumido.
Vivi um tempo sozinho, mas nunca estive só, éramos sempre 3: Eu, a timidez e eu-mesmo. Viajei muito, conheci muitos grupos, ia em cinema, exposições, etc... Sempre observando e dando valor a todas as pessoas que por ventura cruzassem o caminho.
As vezes desconhecidos, outras pedestres anônimos, algumas que pulavam o alto muro e se aproximavam...
Nunca esqueci um rosto. Neste quesito, a memória dos tímidos se assemelha a dos elefantes. Alias também sorrimos e olhamos nos olhos, mas não recebemos um amendoim.
As vezes desconhecidos, outras pedestres anônimos, algumas que pulavam o alto muro e se aproximavam...
Nunca esqueci um rosto. Neste quesito, a memória dos tímidos se assemelha a dos elefantes. Alias também sorrimos e olhamos nos olhos, mas não recebemos um amendoim.
Lidar com o contraste e diferença, nem sempre é um processo fácil. "Aquilo que não aprendemos pelo amor, aprendemos pela dor". E como muitos outros adolescentes, ser diferente, nos faz transitar pela depressão. Acho que como todo processo de transformação, o casulo escuro e apertado é necessário.
Um tímido deprimido é como uma "Matrioska": um casulo dentro do outro. E assim como Buda, que fugindo do palácio se deparou com o sofrimento e despertou sua espiritualidade, também me reencontrei comigo mesmo, quando deparei com a dor. Uma reconciliação espontânea.
Um tímido deprimido é como uma "Matrioska": um casulo dentro do outro. E assim como Buda, que fugindo do palácio se deparou com o sofrimento e despertou sua espiritualidade, também me reencontrei comigo mesmo, quando deparei com a dor. Uma reconciliação espontânea.
Dizem que "quando secamos a lágrima alheia, não temos tempo de chorar as nossas". E utilizando o melhor instrumento de um tímido: "ouvir", resolvi me aproximar da dor alheia. Fui trabalhar em uma
comunidade carente em Austin (Nova Iguaçu), passei a fazer visitas no hospital público Miguel Couto e estar com idosos em asilos. Confesso que tal movimento, não foi um ato de altruísmo, mas uma oportunidade de utilizar a observação silenciosa da timidez para aprendendo com a superação alheia, praticar a minha própria.
comunidade carente em Austin (Nova Iguaçu), passei a fazer visitas no hospital público Miguel Couto e estar com idosos em asilos. Confesso que tal movimento, não foi um ato de altruísmo, mas uma oportunidade de utilizar a observação silenciosa da timidez para aprendendo com a superação alheia, praticar a minha própria.
Nessa libertação, as palavras enfim começaram a sair. Não pela boca como gostaria, mas pelas mãos. A escrita foi a ponte que ligou meus dois mundos e me permitiu transitar entre eles. Posteriormente veio a arte trabalhando cada um dos sentidos até que finalmente e socialmente, viesse a me expressar mais livremente, ainda que com algumas restrições.
Sou um tímido em recuperação. Já sai dos "TA"- Tímidos Anônimos (o que é uma ironia, já que todo tímido se faz anonimo). Mas enfim respiro o equilíbrio. Ja nem tão para dentro, abro as asas e me lanço para fora.
Dando voz a todos os outros, que como eu, em maior ou menor grau, não conseguem ainda dizer, o que tento retratar, esperando assim, que familiares e amigos, tenham mais paciência e tolerância com nossa "dependência".
E como encerrariam todos os grupos anônimos: Só por hoje! Mais 24 horas!
Renascimento
Ninguém sabe ao certo onde nascem as mudanças...
Em dois olhares que se encontram
Ou em um abraço que se despede
Em um momento de dor profunda
Ou numa euforia descoberta
Na solidão rodeada
Ou no reencontro de laços perdidos
No claustro de uma doença
Ou na liberdade de simplesmente viver
Numa inesperada surpresa
Ou numa cotidiana rotina
Na esperança que desperta
Ou na desilusão que oprime
No sorriso desprendido
Ou na lágrima contida
No silêncio contemplativo
Ou na fala distraída
Nos desejos reprimidos
Ou na aceitação dos prazeres
Na crença em mistérios
Ou no ateísmo de fatos
No reconhecimento revelador
Ou no julgamento precipitado
Na doação plena do que se acredita
Ou na recepção duvidosa do que se recebe
Na ânsia pelo futuro
Ou na intensidade do presente
...Mas apenas cada um, sabe o que se torna com elas
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
O perfume
O perfume é a impressão digital da pele
O aroma inebriante do corpo
Que dispersa como brisa a alma
É a presença intocável
Que despe nossas memórias
Desperta brandas sensações
Enquanto invisível passa
É o vinho concentrado em uma gota de suor
Que faz suar e embriaga de ansiedade
Pela necessária proximidade
É o encanto imperceptível
Acessível aos sentidos
Que sem nada revelar
Nos leva a uma busca intensa
domingo, 1 de fevereiro de 2015
A casa e a Psicologia
Sempre atrelamos decoração de interiores à um processo estético. Mas transformar um ambiente é modificar a forma de ver e conviver em um espaço.
A casa é o que temos de mais íntimo e privado.Ela reflete o nosso estado mental e hábitos. Gravadas em suas paredes
estão nossas memórias fragmentadas em objetos e detalhes que só tem significado e sentido para quem ali vive.
Seja de concreto, de madeira ou papelão, precisamos nos sentir
protegidos. Um abrigo psicológico, no qual organizamos nossa rotina como
pensamos
e sentimos. Um verdadeira fotografia de nosso estado de espirito.
Como um caramujo, carregamos nossas casas nas costas. Podemos viajar, nos distanciar, nos perder, mas sempre nos encontramos em nosso lar. Local
onde deixamos raízes para nos lembrar do caminho de volta, da realidade e de quem verdadeiramente somos.
Mas assim como a vida está em permanente mutação. Acompanhamos o progresso, revendo idéias e ideais. Reavaliando quem somos e consequentemente onde
habitamos. Embora todo o processo tenha inicio interior, tudo se exterioriza fora de nós. Como uma ave que cresce dentro de um ovo e sente necessidade
de quebrá-lo para abrir as asas.
Neste momento, derrubamos nossas paredes. A destruição também traz a renovação. Ver o nosso mundo "certo e perfeito" sendo mexido, as vezes,
também agita e exacerba nossas emoções! E conforme vemos um novo arredor, vamos nos redescobrindo.Crescendo e amadurecendo. Nunca somos os mesmos após uma obra.
Tijolo por tijolo e célula por célula.Tudo continua existindo no espaço e dentro de nós, mas com novas cores, significados e sentidos.
Uma mente que projeta a decoração e a decoração que reconstrói uma mente.
e sentimos. Um verdadeira fotografia de nosso estado de espirito.
Como um caramujo, carregamos nossas casas nas costas. Podemos viajar, nos distanciar, nos perder, mas sempre nos encontramos em nosso lar. Local
onde deixamos raízes para nos lembrar do caminho de volta, da realidade e de quem verdadeiramente somos.
Mas assim como a vida está em permanente mutação. Acompanhamos o progresso, revendo idéias e ideais. Reavaliando quem somos e consequentemente onde
habitamos. Embora todo o processo tenha inicio interior, tudo se exterioriza fora de nós. Como uma ave que cresce dentro de um ovo e sente necessidade
de quebrá-lo para abrir as asas.
Neste momento, derrubamos nossas paredes. A destruição também traz a renovação. Ver o nosso mundo "certo e perfeito" sendo mexido, as vezes,
também agita e exacerba nossas emoções! E conforme vemos um novo arredor, vamos nos redescobrindo.Crescendo e amadurecendo. Nunca somos os mesmos após uma obra.
Tijolo por tijolo e célula por célula.Tudo continua existindo no espaço e dentro de nós, mas com novas cores, significados e sentidos.
Uma mente que projeta a decoração e a decoração que reconstrói uma mente.
O Beijo
Toque sensível da boca que fala
Um sentimento que sem palavras não cala
Na linguagem silenciosa que entrelaça
A busca lenta e intensa por laços
A pele que arrepia,
O mesmo ar que em instantes respira
A mente que rodopia entorpecida
A sede que bebe e não sacia
Entre químicas e palpitações
Olhos fechados dilatam as sensações
Ações que anseiam e aguardam
O gosto único da esperança
Na temperança de ser parte do ser amado
Segundos eternos, ternos momentos
Pensamentos que dançam
O instinto de sublimes movimentos
O extinto sussurro em alentos
Que como ventos misturam e acalmam
A valsa branda de um carinho
Caminho de duas faces que se abraçam
A vida entre idas e vindas ao paraíso
Para isso brindam com um beijo
A trilha que tudo deixa imortal
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Adolescência
Os ventos da adolescência trazem transformações...
Recém saídos da redoma protetora paternal, a puberdade é ávida por liberdade e descoberta de um mundo, até então, desconhecido. O abandono da infância levanta a poeira de reflexões e o questionamento de todas as certezas.
Assim, o sorriso inocente é substituído por um riso sarcástico.
A confiança irrestrita modifica-se em um inquérito desafiador.
O linguajar é um dialeto tribal com uma lógica própria, na qual, tudo é 8 ou 80.
A mudança corporal exacerba inseguranças e um estranhamento por um lado, enquanto o excesso de juventude carrega uma falsa sensação de imortalidade e poder.
Todos os limites são testados e com eles começam a revelar aptidões. As escolhas mudam do mesmo jeito que trocam de roupa. Adolescentes são verdadeiros atores, na busca por quem são, experimentam diversos personagens que acreditam seriamente serem.
Um metabolismo acelerado, hormônios aflorados e uma química cerebral em plena ebulição se digladiam no organismo. Sexualidade, humor, sensibilidade, afetividade e diversas áreas se misturam e confundem.
Mas assim como os dinossauros foram extintos para que o homo sapiens pudessem povoar o mundo, a adolescência finda para que nasça o adulto.
A inconstância enfim encontra a estabilidade.
A maturidade e a consciência fazem as pazes. E neste instante, há uma reconciliação com todo o universo que tentavam negar.
Pais e filhos se reencontram e se reconhecem novamente uns nos outros.
Enfim um sonho distante fica para trás. A borboleta abandona o tempo de lagarta e o casulo escuro...Abre as asas e voa...
sábado, 10 de janeiro de 2015
Re-União
O mundo "est charlie", "est maria", "est João "...
Somos iguais, embora tão diferentes...
Temos ideologias diversas, embora unidos por sentimentos comuns...
Vivemos histórias particulares, apesar dos nossos caminhos e roteiros sempre se cruzarem...
Somos desconhecidos, mas nos reconhecemos uns nos outros..
Não falamos o mesmo idioma, ainda que nos entendamos na linguagem universal do amor...
Não temos as mesmas crenças, apesar de comungarmos a esperança de um destino maior (seja o nome que tiver)
Guerreamos contra quem, senão contra nós mesmos?
Não somos uma ideia, ainda que idéias façam parte de quem somos..
Afinal, não somos Charlie, somos simplesmente, humanos...
Nota: Uma singela mensagem inspirada após o terrível atentado ocorrido na França
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Movimento Preventivo
Espera sem ação é ócio
Reclamação sem buscar resolução é vitimação
Relação sem reciprocidade é convenção
Religião sem fé é ritual
Arte sem conceito é contemplação
Trabalho sem dedicação é apenas necessidade
Aceitação sem convicção é comodismo
A vida sem mudança é estagnação
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