quinta-feira, 24 de novembro de 2016
A madrugada
Então o mundo adormece
E tudo parece silenciar
Os ouvidos dos corpos ensurdecem
Para que a alma possa voar
Enquanto a vida cala
O imperceptível se manifesta
Do "tic-tac" contínuo que fala
À luz que passa por uma fresta
Uma tosse vinda de qualquer lugar
O som de um carro solitário
A respiração que ousa se pronunciar
O breu que se ergue totalitário
Na madrugada vive a igualdade
Enquanto as diferenças repousam
Não há tempo para maldade
Só as esperanças pousam
O pássaro em um canto prenuncia
Os sonhos que logo findarão
O despertar promete um novo dia
E o tingir do céu em um clarão
Escrever para quê?
Porque escrevo o que ninguém lê?
Talvez com medo de me perder
Esquecer a voz que em mim fala
Nessa pouca amizade que não cala
Não é por valor ou admiração
Mas ai vai a dor da libertação
De esquecer o corpo e o mundo
Abstrair deste adorno profundo
E me deixar afagar em linhas
Acalmar a idéia que desalinha
Até o desfecho de me ver só
Na deixa que fecha um verso
Estigmas
Lá estavam eles...
Washington Brasil, quase submisso, mas que na vida cresceu com um "jeitinho". Hoje, emergente, evitava falar do seu passado, embora suas roupas extravagantes o denunciassem....
Harry United States, analisava tudo com um olhar superior e de quem quer ter a última palavra. Só escutava o que lhe interessava, se metia sem cerimônias nas conversas e naquelas que não gostava, se distraia e disfarçava atento à tela do celular de última geração.
George England, era mais conservador e reservado, sisudo e senhor de si. Seus trajes pareciam antiquados, mas se portava como um nobre. Ouvia tudo em silêncio, falava baixo e polidamente (impostando a voz), embora intimamente, considerava seus interlocutores muito aquém da honra de sua companhia.
Carlos Espanã, era espalhafatoso e tinha o sangue quente..Se exaltando com a mesma facilidade que se emocionava.
Era receptivo, mas interesseiro. Se auto-denominava um "bon vivant", embora só "vivant" bem, enquanto via vantagens pessoais. Sedutor, queria que os outros o vissem, como ele mesmo se via: irresistível.
No fim, ergueram as mãos e bateram as taças entusiasticamente...
Cada um brindou a si mesmo!
Há folhas...
Que vem tão calmas
Que as almas ventam
Geram redemoinhos em paz
Como pás de moinhos que giram
Exaspera o ventre
Entre esperas
Hora que não acaba
E caiba no agora
Farfalhar do momento
Pensamento que Faz falar
Aspira uma dança no ar
Ar que balança e Suspira
Tijolos
Tijolos de barro
São peças, mas ocas
Tijolos alinhados em paredes
Limitam, mas definem
Tijolos sobrepostos em muralhas
Protegem, mas aprisionam
Tijolos demolidos
Destroem, mas revelam
Tijolos em acabamento
Simplificam, mas decoram
Tijolos vermelhos
São terra, mas sangue e suor
Tijolos sozinhos
São tijolos, mas sonhos
Tijolos juntos
São tijolos em construção
Com senso
Aquilo que tento
Que penso poder
Posso sem perceber
Sou o que tenho
Em excesso ou na falta
Mudo, enquanto tudo passa
Aquilo que sinto
Que anseio viver
Vivo mesmo sem ver
Sou o que sonho
Abstrato ou real
Assim nada mais é igual
Difiro, não firo
Pertenço, não tenso
Pretenso auferir
Sou o que somos
Quem lê ou escreve
Nas mesmas linhas se atreve
Regências
Desde os primórdios, os homens elegem líderes para guiá-los. Mais do que uma forma de organização social, deposita sobre certos indivíduos a responsabilidade de administrarem a si mesmos.
Por séculos, a Monarquia concedeu um privilégio hereditário e inquestionável ao Suserano. Antes de ser visto como um ditador, era um "protetor do reino". Não importava quantas atrocidades cometesse, os homens precisavam de um líder, alguém a seguir de olhos fechados e que desse sentido às suas frágeis vidas.
O tempo passou, as Monarquias ruíram (a maioria delas). Mais do que fé e direitos, a razão exigiu "deveres". Mas este novo momento, não extinguiu a necessidade de líderes, que lhe dissessem o que fazer e que "cuidassem" de seus passos. No entanto, descentralizamos a regência de um único indivíduo, que tomava todos por iguais, para o surgimento de vários líderes, que pudessem atender a tantas diferenças. Horizontalizamos e setorizamos a liderança, antes vertical e unificada.
Hoje temos líderes na Política, nas Religiões, em uma banda musical, no futebol às redes sociais. Nunca esteve tão em voga a expressão "seguidores". A realeza evaporou, mas o séquito segue.
Quanto menor a capacidade de uma pessoa se auto-liderar, seguirá com mais avidez aquele que considerar apto a tomar as suas rédeas. Nele depositará suas escolhas, suas certezas, suas verdades, tirando de si a responsabilidade de fazê-lo, desde que cumpra com os mínimos deveres a eles atribuídos.
E como Maquiavel alertou sobre príncipes e regentes..."Os fins justificam os meios" ou de outra forma poderíamos pensar..."a causa será sempre maior do que os fatos"...Seja para perdoar ou não enxergar "pequenos/grandes" equívocos como: roubar na política, desde que não abandone o propósito maior de um partido; as piores declarações de um artista, desde que continue a deslumbrar com sua arte; o uso indevido da fé como instrumento de manipulação, desde que siga pregando ideais superiores; qualquer benefício inapropriado desde que beneficie o time que torce;
O extremo de uma confiança cega será o fanatismo, no qual, o indivíduo se anulará para ser liderado a qualquer custo. Neste caso, não aceitará qualquer contrariedade a sua causa, pois nela reside a própria existência.
Mas deixando extremos de lado e retomando a regência de nós mesmos, não somos o que ou quem acreditamos, mas o que acreditamos faz parte de quem estamos! Estar é uma condição temporária, corroborada por um conjunto de informações que nos cerca em um instante. Nada na vida é permanente e nós também não somos. Mudar faz parte da natureza. Apenas a essência e o ser são permanentes. E o ser passa por várias estadias durante sua existência.
Liderar a si mesmo, não é se apegar a posturas e, orgulhosamente, não querer mudá-las. Liderar a si mesmo é a capacidade de discernir sobre tudo que lhe é apresentado, sem distinções; Ser responsável pelos deveres e direitos que lhe cabe, sejam méritos ou equívocos, sem que alguém precise lhe apontar e antes de tudo, se conhecer. Lidere seus próprios passos.
Conheça todo mundo que vive, viva todo mundo que conhece
Um dia de inverno
A eventual tristeza que me habita
Cogita não explicar o seu pesar
Apesar de não calar as sombras
Sobras que escurecem o olhar
Se tudo em mim é intenso
Tenso também é o sofrer
Só crer em algo alivia
Ali via a espera do viver
Conviver é preciso
Indeciso, acato ser só
O pó que bato e persiste
Insiste nos passos sem dó
Nas palavras me redimo
Inclino o melhor que em mim há
Lá nas linhas que vivo
Apenas amor posso dar
(Des)acertos
Sou um poeta errante
Errando em meu poetar
Me asfixio de palavras
Palavras que não consigo fixar
Minhas virgulas não são precisas
Preciso escrever sem pausar
As vezes, faltam pontos
Pontuo a dificuldade de finalizar
Quando faço prosa
Me sinto livre, sem rimar
Mas quando rimo
Fico preso a música que há
Porque em mim nasce pronto
Pronto! Assumo um parto sem pesar
Apesar de achar que sem arte
Viver no mundo não dá
Em um mundo dividido
O índio acusa o branco
O branco aponta o negro
O negro ofende a mulher
A mulher critica o homem
O homem se exaspera com o gay
O gay culpa a religião
A religião condena a ideologia
A ideologia forma um partido
O partido se degladia com outro
E o outro é sempre alguém que não é você
Em um mundo unido...
Apesar de todas as diferenças
Somos, simplesmente, humanos
Assinar:
Postagens (Atom)









