quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A maldição


Ter um coração pode ser uma maldição
Em um mundo que cérebro é Deus
Ainda assim, não existo por pensar
Existo por sentir
Dentro e fora de mim
O que na pele não consigo guardar
E a intensidade é uma marca em brasas
Que nos diferencia e nos acusa:
"Bruxaria! Ele é sensível! Queimem-no!"
Mas como podem queimar, aquilo que vive em chamas?
Com gelo, razão, a frieza da indiferença...
Que mata o sentimento para não precisar pensar nele
Para um mundo de sentimentos, as razões se desencontram
Simplesmente porque sentimento não tem razão
E para os racionais: isso é não ter um coração
Afinal o deles, pulsa na cabeça!
Enquanto o meu, pulsa a alma toda!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Textos reeditados

O mistério dos vulcões (Fernando Paz)

Como um vulcão, silencioso e solitário
Misterioso e reservado
Aparente passividade
Oculta intensa atividade
Morada de deuses e demônios
Reduto de seres fictícios
Na fumaça que exala
A sensibilidade que revela
No intimo pulsa a vitalidade
Como do imo expulsa habilidades
Que fervilham a sua criação
Derrama a lava de sua ação
Poucos nele desbravam aventura
Onde alguns encontravam ventura
Na descoberta de sua intensidade
Logo aberta na privacidade
Há terror na sua erupção
Pelo clamor de tanta paixão
Cujo magma em lágrimas inunda
Fecunda o solo
Em nova rima
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Amor imaginário (Fernando Paz)

Sentado na janela, estendo as mãos na direção da lua, imaginando que onde estiver, também erguerá as mãos a ela e nossos dedos, ainda anônimos, se encontrarão nos sonhos.
Nessa espera indeterminada que nos faz enfrentar os desafios, acreditando que tudo terminará em um abraço imortal.
Seu nome, seu rosto, suas atividades, seus medos e realizações, desconheço até o presente momento, no entanto, sinto seu carinho em cada brisa, seu calor em cada raio de sol e suas lágrimas em cada chuva. Na natureza encontro sua emoção.
Como crianças que colorem sua solidão com amigos imaginários, minha alma brinca com a imagem da nossa futura comunhão.
Percorro cada rosto, esperando que nossos olhos se encontrem na multidão e a minha multiplicidade se integre a sua individualidade, fazendo enfim de nossas duas notas, uma mesma canção.
Mesmo que essa carta não encontre destinatário, escrevo para que essas palavras não morram em mim e ainda que eu morra sem suas palavras, o amor sobreviva.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Evolução


Vivemos um momento de grande estranhamento social. Um momento que todas as diferenças estão na mesa e precisamos nos entender com elas. Há quem diga que passamos por um caos, mas toda grande transformação da humanidade foi precedida de turbulências.
De momentos obscuros como a Idade das Trevas Medievais e as Grandes Guerras Mundiais à períodos de transformação como a Renascença e o Iluminismo.
E a história nos ensina, que cada momento não apenas é cíclico, tendo um tempo de duração, mas também pendular, indo de um polo à outro até que encontre o equilíbrio. Desde uma moralidade repressora como as escuras passagens de uma Inquisição à uma libertinagem irrestrita como o movimento Hippie e sua resposta "paz e amor". A sociedade se transforma e se ajusta e isso passa por podas e conflitos até que ache o meio do caminho de não estar em um extremo. Os aparentes desencontros sempre arrumam a casa. Toda arrumação levanta poeira, reposiciona os móveis, joga fora o que não serve ou substitui e coloca tudo de cabeça para baixo antes de voltar com as coisas para o lugar. Pode chamar de bagunça o processo, mas é preciso para chegar a um resultado melhor! Tudo está se transformando o tempo todo e o fato de não vermos a obra acabada, não define o que ela é.

Prosa Mental



Tantas vezes conversei 
Sem que soubesse
Diálogos mentais inteiros
Com sua imagem emprestada
Talvez fosse carência
Ou só não querer...
...um espelho no pensamento
Achar inspiração no outro
Que não conheço
Para fugir da rotina já esperada
Uma corrupção da minha imaginação
Ou desejo de uma realidade?
Burlar o contato proibido
De uma intimidade que não existe
Minto, existe! Dentro de mim
Com toda intensidade
Talvez não seja nada disso
Mas o que importa?
Se não sei como é
É do jeito que sei
E o que sei?
É melhor com você!
(Do jeito que pode ser)

Carta à uma amiga


Quem é essa moça?
Que ri entre lágrimas
E para quem é sempre assim
Tudo ou nada
Que não sabe molhar os pés
Sem banhar o corpo
E não é de meia entrega
(as vezes, dando tudo que tem)
É a personificação da força
Não de luta (essa ela tem de sobra)
Mas de sensibilidade, intensidade e mulher
Mulher que não abandona a menina
Menina que envolve como mulher
Sua natureza é como o fogo
Aquece, forja e se não cuidar, queima...
Fogo que faz renascer
E das cinzas se reinventa...
Quem é essa moça?
Deixo para você descobrir
Afinal é preciso ir além da aparente concha
Se deseja a presente pérola
Só um aviso aos desavisados
Se não for para ficar
Não pare! Ela não foi feita para amadores..

Frase - Namastê!


sábado, 25 de novembro de 2017

Pertencer


Já pedi para ficar à quem queria partir
Tentei conversar com quem nunca quis dialogar
Fui escondido por quem eu assumi
E vi sumir, quem acabou de chegar

Fui acaso, sem destino
Fui caso em um desatino

Escrevi para quem nunca me leu
E fui lido por quem não entendeu
Já viajei por quem nunca fiz parte dos planos de viagem
Fui passagem, mas não passageiro

Já aceitei metades, imaginando inteiros
Até me apaixonei pelos dois
Fui platônico e virtual
Mas a desilusão foi real
E quando real
Não passou de fantasia

Fiquei só sozinho
Fiquei só acompanhado

Fui apontado por quem nunca me deu a mão
Julgado sem direito à defesa
Apertado por braços que não queriam estar
Enrolado por quem nunca se amarrou
Já abracei a almofada pela falta de um corpo
Já achei até que eu não tivesse corpo
Nessa ânsia frenética de pertencer
Pertenci a tudo, só não fui de mim mesmo

Inversão


Entendo quando alguém diz da beleza de estar só, parar um momento e olhar para dentro como se fosse meditação.
Mas sempre fiz o caminho inverso, sempre fui só e estive dentro, eventualmente olhando para fora.
E na vida, tudo precisa de equilíbrio. Precisamos do que nos falta, esvaziar os excessos, com o risco de nos afogarmos no que temos demais. Depois de tantos diálogos interiores, chega um dia, que precisamos sentar com alguém e falar sem parar (com o intervalo devido para ouvir), de ter uma companhia para partilhar e refletir sobre um mundo que desde cedo aprendemos a admirar e interpretar sozinhos. A meditação do introspectivo é a exteriorização.
E eis a beleza do mundo, as naturezas duais que de tão diferentes se assemelham como o Yin e Yang.
Se quem vive acelerado, por vezes, precisa fechar os olhos para o mundo parar. Quem vive em silêncio, precisa abrir os olhos para o mundo rodar. Precisamos do inverso de nós de vez em quando, para que os dois polos que nos habitam, encontrem a mesma direção.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Desinteresse



Desinteresse cansa...
Aquela conversa que só um procura
Aquela resposta que economiza sílabas
Aquela relação banalizada
A familiaridade que se perde
O silêncio estabelecido até o completo desaparecimento
A falta de uma conexão
Que transforma espontaneidade em esforço
Uma relação analógica em tempos digitais
Que um deleta, mas o outro fica na lixeira (sem a permanente exclusão)
A arte de dois estranhos que um dia foram conhecidos
E hoje não sobrou mais nada, senão convenção
Exclamação de ver, virou a interrogação de quem é
E o ponto final que define, virou a pausa de uma vírgula
Desinteresse torna qualquer interesse uma lacuna sem recuperação
Como um livro em uma estante
Parado e empoeirado,
Que a intenção de ler não passa da capa


Face:@artesembarreira

Felicidade


Tomar um sorvete em um dia quente
Mas em um dia frio também! É bom quebrar as convenções...
É ver um filme desnorteante que faça pensar, e porque não, um filme bobo e previsível para não pensar?
É um por do sol maravilhoso! Ver a chuva escorrendo no vidro da janela.
Andar de mãos dadas ou simplesmente apertar a mão quando cumprimenta.
É um abraço apertado com carinho ou um abraço formal de recepção (abraço sempre é bom)
É rir sem motivos ou rir de coisas que um dia, os motivos não foram tão bons.
Felicidade também é o choro emocionado, o tocar da sensibilidade...
É a família, a saudade (não confundir com nostalgia).
É a presença de um animal, é libertar o animal interior, que corre, que roda, que cai, que levanta...
É o beijo esperado, a notícia inesperada...
A descoberta de um novo lugar, do mundo de uma pessoa ou uma nova pessoa...
É ajudar quem precisa, melhor dizendo, o tempo que dedica a quem precisa...
É vencer os limites, os medos e se desafiar...
É especialmente se forçar a não ficar no mesmo lugar...
É esvaziar a mente com meditação, ocupa-la com algo que faça sentir útil.
É encontrar um amigo para conversar, é encontrar um amigo sem precisar falar nada...
Felicidade é namorar a vida sem motivos, com motivos,...
Não importa! Felicidade não se importa com o que é, porque ela é simplesmente!