domingo, 20 de novembro de 2016
A máquina do EU
A vida seria bem mais fácil se fosse computadorizada, ou melhor, se pudéssemos importar para dentro de nós um computador! Calma, eu explico!
Já pensou se houvesse um botão "delete" para fatos e acontecimentos?
Um "photoshop" para mudar a forma de ver o mundo?
Um "google" que esclarecesse nossas dúvidas íntimas e nos desse soluções práticas para questões cotidianas e pessoais?
Um "GPS" para que nunca ficássemos perdidos em nós mesmos e sempre soubéssemos a direção a seguir?
Um "ctrl+alt+del" para aquelas situações que sofremos um "fatal error" e paralisamos?
Um "upgrade" nos sentimentos e pensamentos desatualizados?
Se tivesse um botão "reiniciar" para recomeçar uma experiência?
Um "facebook" que traduzisse quem somos por dentro e que isso ficasse transparente para quem nos visse?
Um "Power Point" para que nossas recordações fossem nítidas e pudessem ser revividas?
Uma "nuvem" para que nada dentro de nós se perdesse e fosse armazenado com fidelidade à informação?
Um "anti-vírus" que combatesse eventuais tristezas, mágoas e ataques oportunistas sentimentais?
Um "mercado livre" que encontrássemos tudo que precisamos e sentimos falta e fôssemos alertados para não perder as melhores oportunidades que surgem?
Um "caps lock" para colocar em evidência o que há de melhor em nós?
Uma "media player" para que pudéssemos musicar nossa vida de acordo com os momentos?
Bem, precisamos nos contentar, pois talvez não possamos inserir novos "softwares" dentro de nós, mas podemos mudar nossa programação interior para uma "física quântica" da alma.
Abdução
Acho que fui abduzido
Para um lugar difícil de ser traduzido
Levado para um mundo paralelo
Uma realidade de frágil elo
Amizades são desfeitas por opiniões
Não se pode ouvir senões
Casamentos duram 5 meses
E os pais veem os filhos as vezes
Amor é sempre passageiro
E criança resolve tudo no berreiro
Não há mais tolerância
Qualquer coisa é motivo de ignorância
Os bandidos assumiram o congresso
E gente honesta é sinal de regresso
Educação e saúde já não importam
Corrupção e interesse em tudo aportam
Ninguém mais quer ser anônimo
Fama e honra são um sinônimo
Fotos valem mais que fatos
Ninguém responde mais pelos seus atos
Atrocidades em nome de Deus
Não se preocupa mais com os seus
Violência estampa os jornais
E todos se sentem os "tais"
A televisão é sensacionalista
E todo espectador é um especialista
Sexo agora é casual
E o descaso é banal
Um mosquito mata milhões
Alergias viraram grilhões
O corpo é muito venerado
Espírito é um fardo tolerado
Desalinho
Não serei futuro, nem fui passado
Sou presente como uma chama
Que queima e se apaga em um mesmo momento
Tornando às cinzas que qualquer vento leva
Não sou lembrança, nem sonho
Sou a realidade de um instante
Que dura um piscar de olhos
Existo entre intervalos
Não sou sombra, nem realidade
Sou abstração que não segue regras
Modifico o sentido
Mesmo sem fazer sentido
Não sou corpo, nem alma
Sou uma mente
Que mente acreditando ser corpo
E um corpo que desmente ao mostrar que existo como alma
Não sou riso, nem lágrimas
Ainda que por dentro chore quando sorrio
E muitas vezes, ria de coisas pelas quais chorei
Não sou definido, ainda que tenha limitações
Meus limites se redefinem
Sem encontrar um limite
Não sou constante, nem impermanente
Mas permaneço constante
Em minha impermanência
Não sou fim, nem início
Pois sempre recomeço, quando tudo termina
E termino o que comecei
Dia da Poesia
A poesia nasce de mim ou eu nasci da poesia?
Do encanto de ouvir e entender as palavras pela primeira vez à surpresa de reinventar o sentido e a ordem como se apresentam...
De fato, acho que todos somos poetas, uns ainda aprisionados....Guardam suas metáforas e significações para si mesmos... Outros, já não conseguem mais contê-las em si e despejam como uma represa que foi aberta...
E neste fluxo, escorrem não apenas vivências e emoções íntimas, mas emergem todos os personagens interiores! Na poesia não há regras, nem leis...é um território livre de experimentações! Não há profano e sagrado... Nela tudo existe, consiste, emite e se expressa...A poesia quando lançada, já não nos pertence...Assume vida própria e é interpretada conforme o olhar que a lê ou sente...
Muitos dizem se perguntados: "não sou poeta". Mas a poesia é o encantamento, que torna algo ou uma situação comum em uma experiência única... Quantas vezes, uma flor se destacou de todas as outras? Olhou para o céu e encontrou uma figura desenhada nas nuvens? Quis narrar ou desabafar um dia difícil ou diferente dos outros?
A poesia é a arte do encantamento... Do deleite! Do transbordamento! Da intensidade!
Logo, a partir de agora, mesmo que não possa ou consiga escrever...Verá que todo dia guarda uma passagem única (Rotina não é repetição, repetição é a forma de olhar a rotina)...Seja na cama, na rua ou dentro de si...Na tristeza ou na alegria, na doença ou na saúde, até que a poesia me separe!
Quem sou eu?
Não sou o que você pensa que eu sou....
Não porque eu minta...
Mas porque dentro de mim não cabe apenas uma alma...
Não sou só, mas uma multidão..
Sou eterno e já existia, antes que nos conhecêssemos...
Sou etéreo e meu corpo é pesado demais para transparecer toda a sensibilidade que habita em meu ser...
Rótulos não me aderem, porque constantemente mudo a fórmula de meu existir
Logo, qualquer definição é uma forma simples de abordar a minha complexidade
Não sou da terra, sou universal...
Sou mais do que átomos aglomerados, sou energia condensada
Quando choro, não é por fraqueza, mas porque tudo em mim é amor...
Um amor tão grande que não comporto nesse espaço pequeno emocional
Minhas lágrimas, aliviam a tensão de represar o que sinto
Meu sorriso é justamente, quando me deixo inundar e afogar por estes sentimentos
Não sou o que falo, mas minhas palavras são parte de quem sou
Afinal, mesmo em silêncio, minha alma nunca cala
Não sou o que faço, pois mesmo parado, nunca estou no mesmo lugar
Dentro de mim, mil mundos habitam em uma galáxia particular
Não sou o que tenho. Aliás, pouco tenho. Porque tudo que toco é por empréstimo e carregarei bem pouco, quando precisar partir.
Não sou fagulhas, mas o fogo e a natureza que as gera.
Sou um ser criado e uma criatura que cria. Sou o que imagino ser e vejo minhas escolhas como uma tela em branco que espera ser preenchida.
Enfim, se quiser saber quem sou, não basta que me leia...Nem que use a imaginação...
É preciso a autoria que assina em mim a lembrança perpetua...Sou uma obra aberta e contínua
Vivo através de você, como você vive em mim..
Memórias
Perdemos milhares de memórias e nos fixamos em tão poucas...
Esquecemos o engatinhar, os passos dados até que chegássemos em algum lugar...Criando raízes com as pernas que hoje seguem o mesmo trajeto todos os dias.
Esquecemos a inocência e a delicadeza de tantas descobertas e nos cristalizamos em alguns resultados (eventualmente infelizes). Deixando de lado tantos sonhos para um instante de realidade.
Resumimos anos ao lado de alguém em segundos... E todo o amor construído e as conquistas até aqui se perdem no ruminar de uma partida, uma morte ou separação.
Presos em poucas lembranças, recordamos um passado incompleto e não vemos as infinitas possibilidades de um presente que se revela. E quando despertamos, o presente também se tornou passado.
Somos essa colcha de retalhos ou um quebra-cabeça, que a falta de uma parte resulta numa expressão incompleta do que somos ou poderíamos ser! Não somos uma peça ou parte, ainda que frequentemente , nossas lembranças nos limitem a isso.
A ausência vive no esquecimento, que sejamos presentes e inteiros nas memórias.
Ideologias
Vemos aterrorizados o crescimento do Estado Islâmico, como uma realidade distante e despropositada, no entanto, o mundo vive um período crítico de ideologias...
Ideologias que não respeitam a opinião alheia, respondendo com ironias, que beiram a agressividade.
Pensamentos que se julgam superiores ou "mais corretos" e vilipendiam toda e qualquer ideia que os contrarie, sem conhecimento a fundo da cultura que atacam.
Ideais se sobrepõe a qualquer norma mínima de boa convivência, como as quase extintas gentilezas e educação. Assim, em nome de um "bem maior", se eximem dos próprios erros e imperfeições.
Vivemos um momento de intolerância extrema de pequenas doses diárias a grandes radicalismos.
Voltaire, grande pensador, asseverou: "Posso não concordar com uma palavra que diga, mas defenderei até a morte, o direito de dizer." Bons tempos, que a argumentação não se propunha a uma imposição.
Hoje, certamente, o pensamento é: Se não concordar com uma palavra que disser, defenderei o direito da sua morte para que nada mais diga....
Medos
Tantos medos habitam os homens...
Medo sensato
Ou do próprio ato
Medo do presente
Ou de se tornar ausente
Medo de perder
Ou de se arrepender
Medo do escuro
Ou de não ter cura
Medo improvável
Ou de não ser viável
Medo da solidão
Ou de não ter ação
Medo da dor
Ou de não ter um amor
Medo de ser esquecido
Ou em casos mais sérios, de ter nascido
Medo da incompreensão
Ou de mera pressão
Medo de não ter razão
Ou simplesmente ouvir um não
Medo de se expor
Ou quando necessário, se opor
Medo de tentar explicar ao inconsciente
Que tudo que se sente, nos faz ciente
É preciso enfrentar
Para o medo nos deixar...
Novo ano
Quantas ondas precisamos pular para ver os sonhos realizados?
A vida é como ondas em ciclos de altos e baixos a serem transpostos. Saltar a onda também é uma chance de não sermos arrastados por elas.
Aliás a água representa a vida, a fluidez, a sinuosidade e os diferentes movimentos.
Lançar um barco a Iemanjá, rememorando as antigas oferendas a Marduk, na Mesopotâmia, celebra as férteis e boas colheitas, aguardando que assim tudo continue. Através das crenças, persistimos e esperamos, não apenas no que depende de nós, mas o que não depende também.
Mas para "garantir", melhor comer o Romã e guardar as sementes. Em períodos de fome, quem tem sementes tem alguma garantia de sobrevivência. Qual fome é maior que a esperança? Sem ela vivemos a inanição da alma...
E se ainda sentir que falta algo? Se vista de verde, amarelo, branco, vermelho ou azul... Precisamos dos símbolos e dos rituais, não pelo significado que eles tem, mas o que queremos e precisamos que eles representem em nosso cotidiano.
Recobrar as forças que um ano nos levou, bater a poeira das quedas que tivemos, recuperar a fé que tudo é algo além de um momento e que cada instante precisa ser celebrado, porque tudo é breve demais. Um brinde de paz e saúde, com isso, todo o resto é possível!
Entre a vida e a morte
Tanto tememos o mistério da morte, mas morremos mais em vida...
Quando desacreditamos nos sonhos e só aceitamos o que pode ser racionalizado
Quando não valorizamos quem somos, o que fazemos e o que temos
Quando não assumimos nossas fragilidades e fugimos do que precisamos enfrentar
Quando doamos nosso melhor para quem não valoriza
Quando deixamos que a dor nos escravize na amargura
Quando não nos perdoamos e nos alimentamos da culpa
Quando somos inflexíveis, rígidos com as situações...
Quando não estimulamos nossa criatividade, nos repetindo em rotina
Quando nos vitimamos, sem esforço de mudar ou assumir as responsabilidades pelos atos
Porque tememos o amanhã se tudo está acontecendo neste instante?
Se a morte for um sonho eterno, que bom é repousar após uma longa jornada
Se a morte for um reencontro de almas, que bom nos reunir com aqueles que partiram e nunca conseguimos esquecer
Se a morte for a dissolução, que bom nos integrar e fazer parte do todo, nos multiplicando como constelações
De todas as mortes, apenas a que ocorre na vida é sofrimento... Que descerremos os olhos e vivamos mais. A liberdade começa aqui e agora, todo resto é crença ou especulação
Assinar:
Postagens (Atom)









