sábado, 4 de novembro de 2017

Elucubrações


Minha alma tanto pulsa
Que quando vejo: Impulso!
Já fiz, mesmo sem querer
Na verdade, queria, mas não era para fazer
Mas o que faço com o pulso?
Acelerado e inconstante?
Sei que o corpo não manda em mim
Mas eu também não mando nele
A intensidade dá tantos passos
Que quando vejo: Impasse!
A emoção não raciocina
E minha razão? É emocional
Não farei mais menção
Quer saber? Vou para outra dimensão

Hábito



Eu queria dizer que não é nada disso
Mas minha alma é errante
É errata do que eu queria ser
Sou passional
Paz ocasional
De um sobrenome
Tento morar
Mas me demoro
Oro no fim
Que tenta permanecer
Sem nunca estar
Dividido pela ida, pela vinda, pela vida
Eu queria não ser fantasia
Ter vocação além do impossível
Mas meu possível é passivo
Preciso sentir com todos os sentidos
Para dar algum sentido
Para o que não sei dizer
Por isso escrevo
Por isso crivo
Quase crise
Porque ainda que não viva para amar
Amo para viver

Tempo de Inocência


Havia um tempo de tanta inocência
Inocência que queria preservar
Que acreditava que o amor acontecia sem jogar
Que bastava um encontro e nada mais para eternizar um olhar
Acreditava que a vida era fácil e que só era preciso um sonho
Um piscar de olhos e pronto, tudo voltava para o lugar
Pensava que a dor era desvio de estrada e nunca a lição
Chorava para que as lagrimas rumassem para o sorriso e clamava para que elas fossem só redenção...
Perdão! Só percebi quando não eram mais rios na face e os arredores, oceano.
Preservava ainda algo da criança que se encantava mesmo sem entender o mundo, só para dizer que no fim, tudo se acertava. E na pior das hipóteses, criaria meu próprio mundo, pois achava que sozinho ele funcionava.
Não sei onde a perdi ou se me perdi com ela. Não sei se nesse universo ou nos tantos versos que desenhei...
Nosso encontro ainda existe mas não sei mais se é terra ou ar. A inocência me acena sagrada e eu a abraço profano.
Ela diz que tudo está certo e eu afirmo errando. Ela é o firmamento que eu olho enquanto escalo o abismo.
Porque o que quero dela, ela não pode e o que posso, ela não quer.
Mas ainda vive em mim aquela criança ou como adulto não cresci? Porque se em mim mora esperança de fato dela nunca me despedi.
Enquanto falava, percebi que as palavras não eram minhas, mas que não há tempo para inocência, ela sempre foi o tempo. Se eu a perder de fato, não foi por causa da vida, mas porque morri.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Descrença



É estranho quando nossa crença se torna a própria incredulidade. Suspirando esperança naquilo que não mais acredita. Não que seja a morte conceitual, mas ajuste de sobrevivência de quem não ousa esperar aquilo que no fundo espera. Preferindo negar à ter que perdoar a falência da afirmação. Como quem se deixa surpreender pelo que sempre soube e se não ocorrer, sem problemas, nunca esperou de fato.
É uma fé torta que tenta trapacear um jogo que acha perdido. Se adiantando em algumas casas para no caso de recuar, não ter problema algum estar no mesmo lugar.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Por amor



Embora por amor até possamos escalar o Himalaia para pegar uma flor no topo, revirar uma cidade atrás de algo que a pessoa quisesse muito, viajar para outro estado para encontrar quem se ama ou fazer coisas improváveis que nos levem a sair da rotina só para viver um sentimento maior....
Amar é muito mais que isso...E deveria ser mais simples também. Amar é a atenção cotidiana, o
cuidado como quem se dedica a uma flor, é saber valorizar o que cada um tem de melhor e auxiliar nas dificuldades para que juntos se tornem melhores. Amar não é prisão, nem corrente, é companheirismo de voar ao lado para a mesma direção. Não é imposição ou tentativa de modificar, embora por amor, muitas vezes mudemos. Amor também tem rotina, mas não pode deixar de surpreender. Porque ele é o inesperado e a mística de quem em um toque consegue nos fazer tremer.
Se alguém é incapaz de enfrentar as lágrimas, não vale estar ao lado nos sorrisos... porque o amor é o único sentimento capaz de fazer que um riacho vire mar.

@artesembarreira

Deixar ir


Tem dias que quero me deixar ir, nada aqui me prende.... não há ninguém me esperando voltar. Minha concha é pequena e já não consigo trocar. Escuto infinitamente o som do mar e de um silêncio, que teima comigo em não mudar.
Tem dias que quero me deixar ir para algum lugar que eu faça algum sentido. Não quero ser curiosidade passageira de quem de mim só leva uma ideia, mas me deixa na parede para que outra venha só olhar.
Tem dias que quero me deixar ir para nunca mais sentir... deixar esse corpo pesado que de tão concreto, nunca foi tocado... Corpo que me carrega com dificuldade. Nunca coube inteiro dentro dele.
Tem dias que quero me deixar ir... mas minha arte pode ficar, eu nunca fui ela, embora muitos só me viram assim.
Tem dias que quero me deixar ir até que indo eu perceba que não tenho nada mais para deixar...

sábado, 14 de outubro de 2017

Distorções cognitivas



Não sei ser céu, sem o abismo. Olhar para o alto, sem esquecer o chão. Não consigo ser sol sem lua. Um eclipse onde toda noite é horário de verão. Aponto em toda direção como bússola desnorteada.
Me perco nos detalhes, nas peças que não se juntam. Não consigo pensar no inteiro que existe sem metades. Não importa o contexto, cada parte é história própria. Coloco o ponto, antes de escrever a frase.
Concluo o que não entendo. Entendo o que não concluo. Porque parte de mim responde o que nunca perguntei e parte de mim é pergunta sobre o que não sei responder.
Generalizo tudo. Não pela igualdade do mundo, mas pela desigualdade que faz ele igual! Dedos são diferentes, mas ainda fazem parte da mesma mão.
E ai, o pessimismo...não é por descrença! Acredito muito: que não vai dar certo! Mas justamente para que aconteça o que não espero e reconheça no erro, o melhor acerto de um final!
Nessa ansiedade louca de antecipar destinos, como se pudesse pular o caminho. Penso saber onde chegar, mas mal conheço a estrada. A alma se adianta e vai sozinha, o corpo fica esperando ela voltar.
Minha emoção se diz heroína (e é uma droga mesmo) e salvadora, minha razão é vilã e destruidora. Fazem da minha cabeça arena e eu no meio juiz, tentando separá-las até que em uma distração, elas comecem a se beijar.
Porque sou conteúdo em um frasco que tento rotular. Mas não me enquadro nas especificações da Anvisa. Minha composição não tem contra indicação, nem deve ser usada em doses moderadas. Sou o produto, sem preço, na prateleira do mercado.
Sou escravo das hipóteses entre o que deveria fazer e o se tivesse feito. Acabo por não fazer o que deveria e viver da teoria de quem tenta pelo resultado chegar ao x da equação.
Porque estou no centro do meu mundo, que não liga para quem é o centro! Digo ser causa, mas sou consequência! Quero liderar nem que seja no pior, que acredito ser o melhor, que posso dar.
Mas o que vão pensar sobre mim? Digo não me importar, mas interfere em como me porto! Melhor previnir o que acham, mas se sou eu que acho.. acho que sou minha própria prevenção.
Chega! É uma catástrofe! Como algo tão errado pode dar certo?? Mas digo: deu certo! Pois mesmo sem convicção e andando na contramão, mesmo por descrença ou distorção, cruzei a linha de chegada. E o troféu? Libertação!

Não curti



Se tudo que somos um para o outro é um botão "curtir", não apertar diz muito sobre o que somos: nada!
É a frágil relação virtual de uma realidade desconectada. Há quem se encontre em um olhar e há quem se desencontre por um clique.
Não é a postagem que importa, mas o que você importa em uma publicação. Especialmente, quando você é apenas uma publicação na vida de alguém. Uma propaganda do "mercado livre" que algum momento de convivência impôs na sua tela.
Você existe tanto quanto um panfleto de cartomante entregue na rua com a diferença que você não traz o amor em 3 dias e nem resolve todos os problemas. É uma tolerância social, uma constante lembrança que estar não é fazer parte.
E porque continuamos com isso? Para ser um número tão fiel quanto previsão de chuva? Quem liga?
Eu ligo, pois gosto de chuva. Mas você não sabia disso, nunca me curtiu. Não que precisasse! Talvez as melhores pessoas que conheço não me curtam também! Mas é diferente! E talvez a diferença seja justamente essa: para quem significa até o silêncio tem valor.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O Caminho




Temos o estranho costume de abraçar os resultados, mas nunca nos apegamos ao processo que leva a eles...
O processo que embora doloroso como toda poda, nos faz crescer e ser melhores. Nos apegamos tanto às nossas dores, que somos incapazes de viver às pequenas felicidades, que recebemos com desconfiança. Apontamos as impossibilidades, sem perceber as possibilidades que nascem em nós e viviam adormecidas até que o improvável nos chamasse a atenção. 
Uma bagunça das nossas certezas, uma ruptura dos mantras e crenças que repetimos continuamente como vitimas da verdade. Gostamos da mentira de uma comodidade que parecendo justificar o sofrimento é algoz e nos açoita. Masoquismo? Não! Apenas apegos às certezas conhecidas. Tememos pisar em solos desconhecidos e na "terrível" consequência que pode advir. Um medo de viver a diferença, que nos faz perder também as oportunidades à felicidade, resultando em experiências "iguais". O problema nunca foi a perda de alguém, a distância em um relacionamento ou o que nos foi dito... o problema é o que passamos a nos dizer sucessivamente, nos perdendo e distanciando de nós mesmos. Idealizando uma situação perfeita em um mundo imperfeito (nosso e do outro).
A vida não espera que mudemos. Ela nos mudará, querendo ou não. Amando ou sofrendo, chorando ou sorrindo.... Mudaremos!
Não esperemos o tempo certo... Todo tempo é o certo! Prudência não é evitar os riscos, mas ter atenção no caminho! Porque não é o fim que importa, mas a importância que atribui a cada passo.


- Fernando Paz
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Diálogo Quebrado



- Fico na janela vendo o amor passar. Amores passados, que amassam, quase massa ao ser apenas mais um.
- Nem vejo o amor, de castigo, no quarto sem janela dos fundos. Por lá ele nem passa. É melhor ver sem tocar ou não ver nada para se tocar de uma vez?
- Mas não nos tocamos, que o problema está justamente no toque que faz a maça proibida virar jaca. E a jaca cai, ainda que adoce.
- Nossos pés devem ter pisadas doces do tanto que já o afundamos na jaca.
- Acho que pelo menos uma vez, podíamos trocar o pé pela boca e comermos juntos. Sentar lado a lado, até perceber que nosso melhor lado é o que a gente não vê. Nossas lágrimas podem ser salgadas, mas você me ensinou que a vida precisa de sal.
- No fim, é você que tempera minha vida!

- Fernando Paz
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