domingo, 27 de julho de 2014

Amizades


                                      

Em algum lugar, sozinhos ou acompanhados, uma voz, ainda estranha, despretensiosamente inicia uma conversa. Assuntos desconhecidos, porém instigantes, despertam uma estranha familiaridade. O tempo parece mais curto, horas se passaram e continuam ali, juntos.

Gradualmente, um momento se torna uma constante, que entra na sua vida, sem se dar conta. Tudo parece leve, porque tudo passa a ser dividido: sorrisos, lágrimas, criticas, elogios,...

A amizade, mais do que uma confidente, é uma mágica afinidade que revelando o outro, nos leva a uma auto-descoberta. Uma impressão digital registrada na alma.

Mesmo quando as armadilhas da estrada, fazem os caminhos divergir e os diálogos se silenciam, persiste aquela presença, que nos acompanha. Uma lembrança companheira que nos reaviva apontamentos, consolações e direções.Um eco que reverbera em cada passo.

Repentinamente, distraídos, o destino promove o nosso reencontro. Por mais diferentes, que nos encontremos, tudo parece igual. Rimos novamente das crianças que fomos e nos emocionamos com
os adultos que nos tornamos. Abrimos os braços para a esperança em um abraço e num tratado silencioso, assumimos a nossa responsabilidade de sermos amigos.

Quer minha amizade? Puxe uma cadeira e sente para conversarmos.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Páginas em Branco




Comumente, escuto dizerem: - " A vida não tem nenhum sentido". Após alguma reflexão, constatei que o sentido da vida, talvez esteja justamente na falta de sentido. Complicado? 

Ponderemos um livro cujas páginas estão em branco. Sem sermos capazes de lê-lo, escrevemos o que desejamos, passando de leitor a autor. A vida ao se apresentar com lacunas, nos permite liberdade de criação e interpretação, sentindo e pensando de acordo com o universo íntimo que trazemos. Nos tirando do papel de telespectador passivo para ator atuante do roteiro que escolhemos.

Tal sentença também é proferida como uma frustração frente o inevitável, uma negação diante das dores e da morte. Neste caso, o imprevisível, nos leva a contornar a nossa previsibilidade nas ações. Através do que não podemos evitar, conduzimos nossas escolhas, nos adaptando e modificando. Exercitando a flexibilidade, a capacidade do desapego e da necessidade de controlar.

Assim como a pedra bruta diante do buril, que remove os excessos e revela a escultura. Encontramos na imprevisibilidade, não uma fatalidade, mas um fator que nos leva a ressignificar a vida.

Há quem a partir de uma mancha em um papel, pare de escrever. Há quem tome partido desta mancha no contexto que escreve. Há ainda quem simplesmente cubra a mancha e  ignorando, prossiga o que havia começado anteriormente.

Um papel em branco não é uma folha vazia, mas um caminho de infinitas possibilidades e descobertas. Conforme escrevemos, nos encontramos. O único vazio que podemos ter é a forma como olhamos para algum lugar.

sábado, 19 de julho de 2014

Ainda que...


                                              "Ainda que se perca, não abandone a busca
                                              Ainda que não viva para amar, ame para viver"

terça-feira, 8 de julho de 2014

Vícios Emocionais



É comum ouvirmos falar dos vícios físicos...E naturalmente os compreendemos, por saber que a dependência química gerada pelos mesmos, passa a ser requerida pelo cérebro como uma necessidade do corpo. No entanto, dificilmente escutamos falar, que as emoções também podem se tornar vícios. A repetição gera uma condição. E assim como podemos ingerir substancias nocivas, nosso cérebro é capaz de produzi-las sob o efeito de determinada intenção. Passamos então a querer repetir determinados atos ou emoções para produzir substâncias que após algum tempo, se tornarão uma necessidade.
Temos a tendência de separar nossas emoções de nosso condicionamento físico, como se estas fossem um fenômeno a parte. Freud ja havia percebido que estresse ou um quadro depressivo prolongado era capaz de adoecer o corpo. Os vícios costumam suprir ou disfarçar a nossa própria fragilidade...e por isso é difícil reconhecê-los ou nos libertarmos dos mesmos. A nossa dificuldade de escutar o problema dos outros está exatamente na dificuldade de vermos espelhado a nossa própria fraqueza.
Reeducar o cérebro é um processo difícil. A abstinência de uma necessidade gera a ansiedade, uma pressa por tampar um vazio que antes era ocupado ou saciado por uma opção. Esta ansiedade comumente produz irritabilidade e agitação, é uma forma que encontramos de indenização corporal.
Auto-Confiança, aceitação, força de vontade, compreensão e conhecimento, costumam ser instrumentos eficientes na libertação destas correntes. Jesus, um grande psicólogo, já havia dito: "Conheça a verdade e ela vos libertará". Conhecer a si mesmo, ter a percepção correta sobre os próprios atos, ser capaz de reconhecer as dificuldades, fragilidades e estar disposto a uma nova experiência e atitude, pode ser um retorno as rédeas da própria vida. Ao invés de sermos controlados pelas nossas necessidades físicas, perdendo a espontaneidade das ações que viraram uma rotina, passamos a agir com segurança e equilíbrio sobre nossos passos....
O cérebro é o cocheiro da carruagem corpo, seguros e aliados a ele, a estrada parecerá ter menos obstáculos e sinuosidade.

O abraço



"Abraços são laços rentes
Que quentes, aquecem o destino
Aquietam o tino na comunhão

Abraços são filhos da saudade
Os trilhos da felicidade
O retumbar de duas notas
Que valsejam a mesma emoção

Abraços são esperanças
Crianças em ciranda
Cujos risos se fazem guizos
Ecoando em um momento
O pensamento da intensidade

Abraços são as palavras do amor,
Ardor que desterra o calor
Que a alma encerra na calma

Abraços não tem idade, raça ou sexo
È o simples nexo da graça em habilidade
Eterna, terna e etérea de um suspiro

Abraços são os brindes dos corpos
Que emanam o vinho do espirito
Tilintam o sabor da vida
Em goles de dividida da diversidade

Abraços são os traços do universo
Delineados por um verso de silêncio
Imerso nas reticencias do encontro
Que abrem os braços do amanhã"

As flores da alma



Sede vós como as flores a exalar o perfume de vossa existência
Desabrochar a consciencia, voltando o coração para a luz de cada oportunidade
E quando as pétalas, por ventura cairem, que sejam elas, o caminho que vossos pés pisem
Não vos amargureis de ver a rosácea despida, pois na natureza ciclos findam para que outros recomecem
Uma flor nunca será a mesma, mas ainda assim, sempre será bela, quando em posse de si mesma

A origem dos sonhos



Muitas vezes ouvimos a exclamação: "Tive um sonho tão louco esta noite!". Estranhamente, eles sempre pareceram ter um sentido diferente para mim. Sempre guardaram alguma nitidez e mesmo quando abstratos pareciam revelar algum sentido. Costumava brincar, que sonhava com legenda.

O pensamento é uma energia sem forma e para ser compreendido utiliza roupagens que temporariamente o corporificam: assim nascem as palavras, a arte, os sonhos...expressões que antes de significarem, são formadas por associações de experiências que cada um traz dentro de si.

Assim como o mar, trazemos no pensamento uma superfície aparente, que se revela em imagens consistentes e nítidas traduzidas em sentidos diretos (consciência) e uma intimidade profunda, que se conserva obscura (inconsciente), que guarda a parte incompreendida de nossa natureza.

Mas o nosso inconsciente também utiliza uma linguagem, que embora seja codificada, é revelada, muitas vezes, pelos sentimentos, que se manifestam em sensações, estranhamentos, atrações e repulsas, nos dando referências para aquilo que não compreendemos de imediato.

E é neste instante que emergem os sonhos. Seja como uma expansão direta da consciência, na qual nos deparamos com pessoas, lugares e situações reais,ou como, uma desfragmentação do inconsciente que transforma nossas experiências em símbolos, uma forma da nossa mente organizar o momento pelo qual passamos.

"Sonhei com uma cobra em minha cama, sendo que tudo estava cercado por uma água turva." Pode parecer uma imagem sem sentido, se for lida de forma literal. No entanto, experimentemos abster dos julgamentos e substituir palavras por outros sentidos similares:

Cobra - Ameaça, Perigo, Veneno, ...
Cama - Intimidade, interior, privacidade,...
Água - Vida, Emoção (lágrima), ...
Turvo - Opaco, oculto,...

Junte novamente as palavras: "Sonhei que algo ameaça (cobra) a minha intimidade (cama), mas não consigo definir (turvo) emocionalmente (água). Agora, há um sentido que caberá ser analisado com o momento pelo qual se vive.

Não atribuam a este exercício, qualquer definição profética ou mística, mas como um instrumento de auto-conhecimento. Não descartemos as peças do nosso quebra-cabeça interior. Uma peça sozinha pode não ter um sentido aparente, mas as encaixe com outras e uma imagem importante pode ser revelada.

A loucura é apenas a incompreensão de uma realidade que não alcançamos, aprisionados ao momento e as convenções. Se a origem dos sonhos está diretamente ligada ao pensamento e nosso pensamento define o mundo o qual vivemos, também somos e vivemos o que sonhamos!

Se minha rua falasse...



Narraria todos os meus passos observados por suas largas copas:

- " O menino que corria, o homem que se tornou...
As aventuras nos antigos mausoléus "assombrados" que o tempo destruiria
Escombros de lembranças sob os quais se ergueria imenso prédio
Piqueniques nos canteiros dos edifícios imaginando grandes jardins
Crianças que se reuniam planejando sonhos diariamente
E Decoravam suas calçadas para grandes ocasiões
Até se tornarem adultos que dispersariam além da esquina do mundo
A descoberta do primeiro beijo, envergonhado, entre promessas pueris
Uma liberdade de ir e vir sem medo, perdida com os anos, pelas grades de um lar "seguro".
Alguns partiram, outros chegaram, alguns dividiram, outros multiplicaram
Os silêncios deslumbrados pela janela
Algumas lágrimas escorridas, alguns sorrisos despreocupados
As noites em claro, os dias corridos e decorridos"

Minha rua assim pensaria...entre folhas caídas, carros que passaram, pedestres que transitaram
E ela ali parada, porém em movimento como um casulo em transformação

Por muitas ruas passamos, em algumas nos fixamos, mas não moramos numa rua, a rua é que mora em nós.

Máscaras



Máscaras ocultam a personalidade, revelando uma fantasia ou um alter-ego. Protegendo o lado humano e ofertando o impossível alem do bem ou do mal, do natural ou sobrenatural.

Bandidos velam a face para cometerem crimes, exteriorizarem seus piores instintos e assim, isentarem-se de qualquer responsabilidade.

Heróis, em contrapartida, se fantasiam encontrando a coragem que uma pessoa comum não teria diante das dificuldades. Além de resguardarem aqueles que amam da consequência do que representam.

Atores usam diversos figurinos, assumindo múltiplas personalidades, preservando por trás dos mesmos, sua própria individualidade.

Sacerdotes usam adornos, silenciando a matéria para a manifestação da divindade. Revestem-se com a invisibilidade sagrada, anulando a profanidade das questões terrenas aparentes.

E as máscaras sociais?

Muitos se disfarçam através de refutações, teorias e posturas.
Negam e rejeitam o que gostariam para defender o ideal frustrado ou aceitam e recebem incondicionalmente o que não gostariam para não se sentirem excluídos e isolados.

Alguns abraçam responsabilidades maiores do que podem para não reconhecer uma possível fraqueza. Outros não podem parar um instante para não entrar em contato com o vazio interior velado.

Muitos assumem papéis em cada situação e se esquecem de seus sonhos e objetivos, renegando aquilo que sentem e pensam.

Há quem diante de tanto tempo utilizando uma mascara, não se reconheça sem ela. Acreditando serem o personagem que criaram algum dia.

Mas sempre chega o momento que as luzes do palco apagam, as cortinas fecham e precisamos nos despir e encarar a nossa nudez.

Deixemos as máscaras repousadas e assumamos a vida de riscos da exposição de nossas verdades, promovendo mudanças sem disfarçá-las e aceitando enfim as infinitas possibilidades de sermos simplesmente aquilo que decidimos ser.

Nova Era



Uma nova ordem mundial se anuncia. Paralelamente às transformações naturais que o mundo sofre, as estruturas e ideologias planetárias se modificam. A renovação do indivíduo começa a ocorrer possibilitando as novas configurações necessárias ao período que se aproxima.

Novas Consciências se comprometem a despertar a humanidade. A natureza de sua missão poderá ser apreendida através do desenvolvimento tecnológico que modifica aspectos básicos da rotina e ações exemplares de solidariedade e incentivo social.

Algumas mentes obliteradas em reter os avanços, desperdiçam esta oportunidade nos testemunhos surpreendentes de psicopatia ou da corrupção que desestrutura a confiança nos setores nobres do serviço.

Como todo fim de um ciclo, a humanidade reassume algumas características da sua origem. Um simples modelo instrutivo é a infância (início) e a velhice(fim), fases distintas de um desenvolvimento, que se assemelham.

É assim, que o mundo lentamente desfaz o patriarcado secular e elege o matriarcado como instrumento de poder, rememorando a sua origem civilizatória. Da mesma forma, a moral inflexível, após transfigurar-se em libertinagem irrestrita, assume uma nova postura: uma liberdade moralizada. Eis o direcionamento de uma lei natural do universo: o Equilíbrio.

Em tempos onde "catástrofes" eclodem em diversos recônditos, a fé será valioso instrumento, pois será o único caminho permanente diante da transitoriedade da matéria. O homem se defronta com o seu estado essencial: a única coisa que lhe pertence é o próprio espírito ou o direito inalienável de "SER".

O anseio diante das bruscas transformações, inverterá os paradigmas mundanos, incentivando a interiorização dos homens, o inquérito íntimo e conseqüentemente , sua espiritualização. A intuição/inspiração, a partir deste ponto, torna-se um processo espontâneo e habitual.

Toda reforma de um espaço parte de um principio definido: a destruição.

Os grandes impérios, responsáveis pelo estandarte do planeta, entram em declínio, convidando os sistemas econômicos e filosóficos, a revisarem seus valores. O capitalismo, que por tanto tempo justificou os interesses imediatistas, dará lugar a um sistema novo onde o homem será valorizado pelo seu esforço individual, sem regalias de hierarquia ou posição assumida.

Interesses estrangeiros movimentam oposições internas em países arraigados em estruturas rígidas e inflexíveis. Embora as motivações, não objetivem o progresso, os conflitos agitam reflexões populares que juntamente com inserções ideológicas exteriores, promovem o crescimento cultural.

O convívio entre as diferenças/opostos revelará a necessidade complementar de suas características. Assim, a Medicina ao atribuir a "mente" como arma catalisadora dos processos degenerativos do organismo humano, insere o fator "invisível" no campo científico. Em contrapartida, as análises detalhadas computadorizadas derrubam, traduzem e comprovam os mitos sustentados pelas religiões, até então como dogmas inquestionáveis.

A elevada concentração demográfica aproxima as diversidades e a integração faculta a superação dos pré-julgamentos, trazendo a tona a realidade máxima: Acima de qualquer gênero, classe ou raça, vive a Individualidade com todo seu potencial.

Esta concepção ecoará através de diversos meios e instrumentos, sem privilégios ou sectarismos, apontando os caminhos da Nova Era, cuja observação já é possível na Atualidade.

"Olhos de ver e Ouvidos de ouvir". Unam as mãos, descerrem os corações e despertem para o processo que está ocorrendo. A nova palavra de ordem é: AMOR.