sexta-feira, 31 de julho de 2015

(Re)verso


Enquanto se atentava para as dores passadas, mal percebia as pequenas oportunidades presentes...
Sofria e clamava por uma situação impossível e perfeita, enquanto ali estava uma, possível e imperfeita, aguardando ser vista...
Aquela ânsia insaciável que parecia uma busca, fazia com que se perdesse ainda mais pelo caminho...
Aproximava o que não queria, afastando o que esperava...E mesmo quando tinha companhia, se sentia só...
Até que um dia, o cansaço entorpeceu a repetição e a história se refez de trás para frente...
Se aproximou do que queria, afastando o que não esperava. e mesmo só, se sentia acompanhado...
Saciou a ânsia, que agora parecia tudo encontrar, fazendo com que se achasse ainda mais pelo caminho...
Percebeu detalhes até então invisíveis e aceitou as possibilidades imperfeitas, sorrindo para o impossível e sentindo como se o momento fosse perfeito...
Enquanto se atentava para as oportunidades presentes, mal lembrava das dores passadas...


sábado, 25 de julho de 2015

O vício de escrever


Sempre achei que não tivesse vícios, apenas hábitos...Mas mesmo sem ter nada neste instante que valesse a pena escrever, sinto uma enorme necessidade em fazê-lo, logo constato... Sou viciado em escrever...
E quando reconhecemos um vício creio que todos os sintomas nos pareçam claros... Quantas vezes, levantei inúmeras vezes, após ter deitado para não perder uma frase... Ou na rua, anotar algum pensamento em qualquer lugar que coubesse.. Um guardanapo, uma propaganda de rua... Já cheguei a comprar uma caneta na rua por esta ânsia incontrolável...
O que escrevo quando não vem pronto, se assemelha a um hieróglifo sem sequência, lógica ou direção.. Mas no centro do furacão rabiscado estou eu sendo arrastado violentamente para dentro de algo que só vou compreender plenamente quando tudo cessar e os ventos se acalmarem...
E como todo vício, a necessidade supera qualquer constrangimento de se expor, ainda que uma ligeira melancolia ou euforia anteceda a ação...Como o caos primordial que foi ordenado para criar o mundo... No caso o nosso caos interior que é ordenado e modelado em palavras..
Há escritores que conseguem contornar com café...com música...Mas o fato é: pode-se adiar, mas não conter, sem que se entre em erupção interna. Quando as palavras nos escolhem, elas literalmente nos perseguem.... Perdemos o controle dos próprios pensamentos.. até que eles sejam encaminhados para o papel e encontrem o seu destino, permitindo que retornemos ao nosso...
Aliás mais estranho ainda perceber que neste exato momento, que me falta inspiração, me pego escrevendo para mim mesmo... Talvez realmente tenha chegado ao cúmulo de ser personagem de mim mesmo! Nunca pensei que diria isso, mas preciso ir urgentemente ao Escritores Anônimos...Conseguir deixar só um pouquinho de lado canetas e papéis e suspirar aliviado: "escrevo socialmente"

O primeiro amor


Lá estavam eles, um casal de adolescentes dentro do vagão, alheios a tudo e a todos, só viam um ao outro. Ela com a cabeça recostada em seu ombro e ele com as mãos entrelaçadas as dela. 
Um amor entregue e inteiro. Ainda puro e desarmado, sem máculas e feridas. Uma relação que não leva o peso de um passado, sem separações anteriores, despedidas ou partidas. 
O primeiro que anseia ser o último. Um momento em que só existe a intensidade do presente, não se pensa nos poréns ou obstáculos que a vida por ventura irá criar: as noites em claro de faculdade, os dias enclausurados em um estágio e as mil pessoas com as quais ainda vão se deparar...tudo ainda parece tão distante...
A descoberta iniciada juntos que ainda carrega a inocência de se deixar surpreender e ser surpreendido. A disposição de lutar a qualquer custo para assegurar o direito de perderem sua identidade um no outro..De fugir quando contrariados..De soerguer quando confrontados e terminar tudo em um beijo...
A razão de não ter razão! De chorar todas as lágrimas e rir todos os risos, sem ponderar méritos ou medidas. A felicidade da primeira realização em vencer a infância e a fantasia e tocar pela primeira vez a realidade.
E apesar disso, ainda viverem um sonho sem fim desde que estejam juntos.
Assim estavam e assim ficaram, só levantando quando enfim chegaram a estação destino, mas sem em nenhum momento soltarem as mãos.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Resoluções

Preciso me reinventar,
Levantar e me deixar levar
Abandonar as velhas formas,
Funções e Fórmulas
Me despir de conceitos aceitos,
Preceitos e Acertos
Não mais ocultar, cultuar ou
ter de socialmente atuar
Romper com os apegos que me pegam
em lampejos
Despertar das ilusões em ilações
de novas alusões
Libertar as rentes correntes das prisões
decorrentes das pré-ações
Represar as más águas
que por vezes desaguam em mágoas
Quero só crer, não sofrer ou
pelo caminho me perder
Solidarizar sem só com a dor ter
de lidar
Viver simplesmente sem ver com uma
simples mente
Sem trégua em desarmar
Na entrega plena ao amar

sábado, 18 de julho de 2015

Notas de um outro alguém


Como seria se duas almas habitassem o mesmo corpo? Se vivêssemos com a permanente lembrança do que fomos em outra existência? Loucura? Foi assim que tudo começou...
Na mais tenra infância, ainda criança temia dormir e não mais acordar. Apesar dos seus meros 4 anos, não entendia o corpo de criança que estava a habitar. Se via um homem feito, mas não entendia ao certo o que acontecia. Outro nome, outro corpo, mas ainda assim ele mesmo.
Esse duelo perdurou até os 7 anos, quando deixando de resistir assumiu sua personalidade presente e passou a ignorar quaisquer conflitos interiores.
Se encantou pela música e mesmo sem nada saber tocar, ao ouvir Moonlight Sonata de Beethoven ao piano, quis loucamente aprender.Mas como um desencanto recebeu um violão. Mal sabia que por muito tempo, seria sua grande companhia.
Na adolescência tudo voltaria com dificuldade de relacionamentos e uma timidez opressora. Uma depressão começou a escurecer seus passos. Novamente, se sentia diferente, sem conseguir participar da vida cotidiana e habitual. Pensava e sentia demais, facilmente se sentia deslocado no que pareciam caminhos comuns. Se sentia morto em plena vida e nisto, passou a desejar e ansiar de fato a própria morte. Costumava vagar de madrugada pelas ruas sem medo e ficava admirando os detalhes, as pessoas, as ruas, os prédios...Buscando sentido para a própria existência...
Se sentia um espirito, vagando invisível e transpassando olhares que não o viam. Certa noite, compulsivamente chorando, caminhou até a praia, sentou na beirada da areia olhando o infinito horizonte do mar. E novamente aquele homem da infância retornou e dividiu seu corpo como se dois tempos simultâneos coabitassem o mesmo espaço. Mas pela primeira vez, como um delírio viu além...
Sobreposta a vida presente, como uma projeção holográfica, se viu em pleno século XIX. Agora, era um pianista talentoso e vaidoso. Dado a todos os vícios.. bebidas, charutos e sexo... Tocava para a aristocracia francesa em grandes saraus, frequentando de palácios a boemias. Sua arte era sedutora...e ao bel prazer a utilizava para manipular e induzir as pessoas com quem convivia.
Obtendo de vantagens na corte a relações lascivas ao seu prazer. Não amava a ninguém, senão a si mesmo, mas nem disso tinha consciência. E sua existência assim teria seguido se a tuberculose não o houvera parado. Se tornou recluso em uma região longínqua e fria. Sozinho com o seu piano, um cálice de vinho, velas e sua permanente tosse ensaguentada. Seu corpo fragilizado, não resistiria por muito tempo e brevemente faleceu...mas para sua surpresa, a consciência continuava viva e não conseguia se distanciar do corpo que agora jazia rígido e em putrefação. Sentia como se assistisse a própria morte, sem que nada pudesse fazer...
E foi quando para o presente em um forte impacto retornasse... De volta para o mar...mas agora, novamente com duas almas dentro de si...Passado e presente, duelando por um mesmo espaço..Num lapso entendia a dificuldade de relacionamentos de quem muitos deles tinha se aproveitado em outro tempo...sua asma dos velhos charutos.. sua agitação em ambientes festivos relembrando seus excessos... e seu violão.. que insistia em querer tocar como um piano...E uma carência que comumente o consumia em disparate aos repletos círculos do passado que se via cercado. A multidão
virou solidão.
E nessa compreensão, um alivio repentinamente o tocou. Uma aceitação de todas as dificuldades, como se presente respondesse ao passado. Naquela noite em mais nada pensou, olhou para o céu, a lua que imensa refletia nas águas do mar... e ali mergulhou como um novo batismo. Naquele ponto, suas partes se fundiram e voltou a ser apenas UM...
Da água saiu um novo homem e simplesmente seguiu...

Diálogo Poético


Calaram imersos por um momento
Falaram por versos seus sentimentos

Logo tentaram um dueto
Mas juntos, lograram em um Só-neto

Cada palavra com ardor em estrofe
Levava a dor e o amor que um sofre

Mas apesar de suas colocações
Vigoraram outras compreensões

Metáforas não terminavam
E afora se dispersavam

Assim reclamaram pelo texto ainda pendente
E no fim, abraçaram-se em contexto reticente

Maldita Felicidade


O filme "Jornada da Alma" trata do rompimento do famoso psiquiatra Carl Jung com seu mestre Freud e a descoberta de cartas trocadas em um relacionamento proibido com sua primeira paciente.
Em determinada passagem, diante de uma fantástica ópera ao lado da sua então amante, Jung em lágrimas profere: "Maldita Felicidade"! Embora fosse um momento de plenitude e libertação, aquele instante poderia representar o fim da sua promissora carreira e mesmo comprometer os demais envolvidos.
Sem entrar nos méritos morais e éticos da situação, nunca esqueci desta expressão, que me pareceu tão contraditória, intensa e rica de simbolismo.
Naquele momento de êxtase pleno, quase como um suspiro da opressão diária, o "maldito" representava todas as correntes e as prisões superadas. Uma liberdade que mesmo devendo ser reprimida, foi permitida e aceita como um grito que gostaríamos de dar diante de todas as nossas limitações e medos,  o que por convenções ou restrições íntimas, sufocamos, ainda que constantemente faça parte de nós.
Como um pensamento proferido, uma atitude realizada, um desejo satisfeito, um medo enfrentado..
Uma libertação das regras, que muitas vezes ditamos e repetimos como hábitos impensados, que ainda que não faça diferença ao mundo, fere quem somos ou gostaríamos de ser. Nos tornando juízes mais severos do que qualquer julgamento alheio. E nessa ânsia "perfeita" pela felicidade, acabamos por distanciá-la de nós.
Romper, aceitar, quebrar a rotina, fazer as mesmas coisas de forma diferente, surpreender e se deixar ser surpreendido, se libertar, ainda que momentaneamente, dos personagens que assumimos no dia a dia, esquecermos o tempo, as fórmulas, deixarmos ser ou "let it be" (como diriam os Beatles)...
Não é um movimento fácil, afinal há raízes e paradigmas que se cristalizam em nós ao longo de nossa constante transformação e o que por sua vez justifica o uso da expressão "maldita". Afinal, maldições para serem quebradas por vezes exigem longo tempo de dedicação e entrega aos "rituais".
E ao dizer isso também não estou pregando o erro, o egoísmo ou a indiferença...Alias egoísmo e amor próprio não são sinônimos.
Se amar e respeitar é o primeiro passo para amar e respeitar de forma inteira todos aqueles que tivermos a oportunidade de conviver. Sem aparentar ser e simplesmente sendo!
E assim ligaremos a chave da fluidez, da flexibilidade e da aceitação... e suspiraremos com vontade: "Maldita felicidade"!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O enigma da Timidez


Dentro da timidez há uma grande insensatez
De uma voz que não fala um pensamento que não cala
De uma pele tensa que guarda uma alma intensa
Da habilidade de conviver com a dualidade
De um sagrado quase profano, de um rock em tom soprano
De uma aparência passiva, que permeia uma latência lasciva
De um ardor em chamas, de um clamor que tudo ama
De ver o que não toca e de tocar o que não vê
Da distância quase próxima, da inconstância quase pródiga
De sentir, omitir e não ir além de tudo aquilo que acha aquém
Na busca que se entrega, na faísca que não nega
De corar em um disfarce, o decorar de cada face
Da distração atenta que tenta a atração
Dos detalhes imperceptiveis em encaixes sensíveis
De criar seus versos do mundo e se embriagar de seu universo profundo

terça-feira, 14 de julho de 2015

Conversa entre gerações



Por obséquio vossa mercê?
Está deveras formosa vosmicê! 
Posso conversar com você?
BLZ! KD VC?
Que quase não mais se vê...

AI/DI - Antes e Depois da Internet


Nunca imaginei que aos 32 anos, fosse um ancião. Alguns me perguntarão: como assim? Mas para a geração que nasceu depois de 2000, faço parte de um outro milênio e testemunhei o que hoje eles nem imaginam como seria
viver sem: a internet. Imagino que esta relação seja exatamente como antes e depois da brilhante invenção de Thomas Edson: a luz elétrica. Hoje é tão comum deixar a luz acesa, mas e para aqueles que acendiam
velas?
Antes da internet(AI), a vida era "diferente" (se atentem para esta palavra, já que em nenhum momento falei "melhor").
Não direi no meu tempo, já que considero que meu tempo seja sempre a atualidade, mas não se tinha muito o que fazer dentro de casa, logo a vida social era na rua ou no telefone. As pessoas circulavam olhando mais o seu entorno e os outros desconhecidos que por ela passavam.
Os diálogos eram intermináveis e era fácil passar a noite conversando. Curiosidade? Só abrindo alguma enciclopédia, ainda se colecionava na época(hoje não aceitam nem como doação).
O tempo parecia mais lento e a violência também não era disseminada na velocidade da luz, logo as crianças passavam o dia livres nas ruas, brincando limitadas entre o universo de duas esquinas, até serem chamadas pelos pais a entrar.
Não havia tantas grades e os prédios não costumavam temer a circulação de desconhecidos.
Já os adultos transitavam e se perdiam uns dos outros, já que se não conseguisse o número de telefone, dificilmente se veriam novamente sem que o "acaso" os ajudasse. Ainda se escreviam cartas (ainda existe carta que não seja cobrança e propaganda?)... Talvez houvesse mais paciência de esperar...Já que levavam dias para sermos surpreendidos por uma, embora realmente era uma grande emoção, imaginar o que elas guardavam e o que delas poderia sair...
Eram só palavras, não havia foto, rosto, nem expressão. Talvez também precisássemos nos esforçar fantasiando um pouquinho mais...
A televisão parecia mais inocente, embora já prendesse a atenção, especialmente das avós que assistiam todas as novelas que iam das 6 às 8. Homens nesse tempo tinham vergonha de dizer que assistiam novelas e se possível procurariam qualquer jogo de futebol para afirmar sua masculinidade.
O machismo também era maior. As mulheres estavam na transição do lar para a justa independência e liberdade profissional. O casamento ainda era mais duradouro, ainda que muitas vezes, fosse assegurado por aparências, mesmo o divórcio já se tornando cada vez mais comum. A politica sempre existiu, mas pouco se sabia do que ocorria efetivamente nos bastidores, desde que não afetasse diretamente o bolso.
Antes da internet, não havia curtidas e nem compartilhamentos e muitas vezes a solidão era opressora. As distâncias eram maiores e voar de avião ainda era um grande evento, já que não havia promoções. Está certo, que ninguém voava de chinelo de dedos e nem se servia amendoim como refeição. Aliás as aeromoças pareciam supermodelos.
Os computadores não tinham quase memória, tudo era poligonal, lento e nunca coube em um único disquete. Eram grandes caixas e creio que alguns como eu, precisaram de um consórcio para ter um. A internet nasceu como um embrião discado e ocupava as linhas telefônicas (os primeiros usuários certamente se lembrarão da ansiedade de esperar até 00:00 para entrar,
era mais barato). As páginas eram lentas e sem saber o endereço exato, dificilmente se ia a algum lugar. Sites de busca não buscavam nada...Aliás
falando em site de busca.. Cadê o "Cadê"? Ou o velho MIRC, aquela carroça de nomes coloridos que foi o primogênito do primeiro programa de mensagens: o ICQ, que viria a ser substituído pelo MSN, tão conhecido, antes de se tornar também uma antiguidade. Download nessa época, era melhor ir dormir e ter a sorte de no dia seguinte ter sido bem sucedido.
Enfim, se estabeleceu o depois da internet (DI). O que qualquer coisa que diga, parecerá um pouco redundante.. já que todos por ela passaram, especialmente os mais novos.
Mas o fato que o tempo parece passar mais rápido..Por vezes acho que 2000 foi ontem e nem percebo que "só" se passaram 15 anos..Mas assincronismos a parte, o fato que tudo se conectou e as distâncias se encurtaram. O tempo também se tornou pequeno para a quantidade de informação. E nesse processo, distraímos os olhos, vendo uma tela e mal enxergando os mais próximos (embora sejamos capazes de solidarizar por causas e se mobilizar por notícias de outros lugares distantes). Por outro lado, ninguém mais se perde, todos se acham, se encontram, se descobrem (em alguns casos, se perseguem).A proteção da tela, também libertou o que antes era velado ou escondido. Agora, há segurança de exibição para o bem e para o mal...
Tudo é viral. Hoje não basta um encontro é preciso um Flash Mob organizado! Não basta mais viver, é preciso fotografar e de preferência que todos testemunhem o que foi vivido. Casamento? Somos casados com todos!
Partilhamos o parto, a refeição e a cama! Talvez por isso, tudo pareça tão instável e impermanente. Porque não há mais um foco, tudo é foco!
Felizmente, o conhecimento também se generalizou: somos especialistas em tudo desde que inventaram o Google e o Wikipedia! Nesse processo as pessoas voltaram a se permitir ser muito mais! Como era na antiguidade e em algum momento se perdeu.
Arquiteto, pintor, médico e escultor.. Porque escolher, se podemos ser tudo?!
As televisões viraram divulgadoras maciças de propaganda (nunca esperei em minha existência descobrir o preço de um sabão em pó pela TV). As novelas dominaram
as programações (algo que nunca entendi é que a novela das 8, passou a ser das 9, mas continuou se chamando das 8). Os homens aderiram novelas e sentir prazer na paternidade, mulheres assumiram grandes chefias merecidamente e até mesmo futebol, ainda que
algumas infelizmente tenham buscado imitar a pior parte dos homens. Acredito que seja como um pendulo, no qual a ida a extremos, atinja em algum momento o equilíbrio.
Os prédios se gradearam e se equiparam de câmeras e passamos a ficar online 24 horas por dia. O wi-fi não dorme e o telefone desocupou. Ainda viajamos? Tudo é logo ali e está ao alcance das mãos. Ir a Grécia é quase como ir em outro bairro (embora não seja no momento uma boa opção). A política virou um esporte com torcidas organizadas! Já os computadores, os levamos na mão, na cabeça...O polígono virou 3D e que já está quase ultrapassado pela holografia.
O espaço do disquete sumiu e em um CD cabe quase toda sua vida, que também pode ser encontrada no perfil do Facebook! Aliás CD demonstra minha idade, já que mesmo pendrives estão quase obsoletos pelas "nuvens" virtuais (aliás uma boa palavra, vivemos na nuvem)!
E-mails nem de longe se assemelham as velhas cartas. São tão instantâneos, que normalmente só se responde uma parte do que foi perguntado! Tudo é resumido e sintetizado.
Aliás, nem sei se haverá tempo para alguém ler esse texto, não consegui sintetizar em uma foto.
Enfim, AI ou DI, não importa as qualidades que passaram, que ficaram ou aperfeiçoaram.. os defeitos superados ou os novos criados... Mas como traz isso para sua vida e a modifica.. Você continuará sendo, amando, sofrendo, rindo, chorando...Real ou virtual!
Novas e velhas gerações, trocando, aprendendo e crescendo juntas. Novas e velhas tecnologias...para novos sentimentos, pensamentos e realizações!