domingo, 8 de março de 2020

Dia Internacional da Mulher 2020


A imagem pode conter: noite, texto que diz ""O "O DIA DIA QUE QUE DESCOBRIU SEU PODER, DOMINOU o MUNDO.' Fernando Paz COOF 2020"
Cresci em um matriarcado de mulheres fortes. O que é uma redundância, uma vez que a natureza da mulher é forte! Fragilidade? Eu vejo em covardia e omissão! Força não é massa muscular (ainda que cérebro também seja massa). Força é o tamanho da empatia que quebra grandes barreiras emocionais. Força é superação! E isso, a mulher tem de sobra. Embora com ela não exista sobra, elas fazem render até o que parece pouco!
Força é autoafirmação e não ter vergonha de se transformar. A mulher se transforma a todo instante, mas inúmeras vezes, transformou o mesmo mundo que a injustiçou. Desde a "primeira escolha" da humanidade optando pela Árvore do Conhecimento e salvando a humanidade da ignorância à ter sido a pioneira na medicina, criando remédios a partir de ervas e extratos naturais, salvando vidas e exercitando o pensamento livre, enquanto os homens tentavam moldá-las, as acusavam de bruxaria e as mandavam para a fogueira. É fogo! A mulher é o fogo!
O fogo forja os metais mais duros, aquece o frio das almas, mas só queima quem não o respeita. Fogo é luz na escuridão. E o mundo se ilumina, quando uma mulher passa. Uma mulher nunca é passagem, sua presença permanece como um perfume. São perfumadas, mesmo quando precisam suar para dar conta de tantas cobranças.
Dividem o tempo em infinitas parcelas enquanto se doam inteiras ao mundo. E enquanto alguns reclamam de uma atividade, elas já fizeram 3, enquanto pintavam as unhas no intervalo. Ser mulher não permite intervalos. Mulher é mulher integralmente. Porque são assim: tudo ou nada. Livres e empoderadas, quando não tentam por medo limitá-las. Elas não precisam de limites, tem o interior e a mente ilimitados. São líderes e se lideram. Independentes, não deixam pendências. São paz em meio à guerra, mas lutam até o fim pelo que acreditam.
E não é maquiagem, porque elas sempre tiram as máscaras da hipocrisia social. Caminham em um salto alto pelas dificuldades, sem perder a pose. Sorriem até mesmo quando choram. Experimentam mil roupas porque uma é pouco para a quantidade de mundos que existem dentro delas. Amam a loucura porque a normalidade é muito convencional. São intensamente emocionais. Vivem a flor da pele. São flor e são pele com todos os sentidos em alerta. Sempre estiveram conectadas, antes mesmo da internet. Elas são a conexão!
Dia “mundial” das mulheres é justo, mas justiça mesmo, seria entregar o mundo à elas.

Dom


A imagem pode conter: noite

Nunca gostei da palavra talento. Primeiro, porque quando separa as sílabas: tá - lento. Depois, porque desmerece o esforço (que não viu) de alguém. Ninguém nasce pronto e é a dedicação que desenvolve a experiência e aperfeiçoa o olhar.
Uma pessoa pode até ter mais facilidade em determinada área, mas acredito muito mais na disciplina e vontade! Aliás, tudo que vem muito fácil, as vezes, se torna muito difícil.
Quem acha que não precisa de mais nada, o que pode aprender? Acaba estagnado na sua “autossuficiência”, que um alfinete bastaria para esvaziar.
Já a dificuldade? Quem cai desde o início, aprende a levantar. É resiliente. Aprende a lidar com a queda e se superar. Aprende a se reinventar, renovar, descobre atalhos...
Porque se somos todos únicos, não há um único jeito de fazer. Logo, descobre um jeito próprio de fazer.
Somos alunos e mestres uns dos outros. Porque embora aprendamos sempre com alguém. Modificamos o ensinamento para que ele funcione para nós. E nesse instante viramos o professor para que o ciclo se perpetue.
Um dom natural?? Ser! A essência é natural, mas o que fazemos muda permanentemente. Cada nova versão muda a atitude também. Porque só obtém resultados diferentes, quem tenta caminhos diferentes.
Nunca diga para si mesmo(a): “Eu não posso, não tenho talento.” Se lembra das sílabas: Tá-lento? Se agilize! Porque quem pode dentro de si, alcança fora, antes mesmo de acontecer!

Demonstrar



Não é coisa do demo
Indiferença é que leva ao inferno
Se você não se ocupa do outro
Não se preocupa também
Reciprocidade é troca
Se só um dá
Não dá! Não desce
Porque só um sobe
Tropeço é precisar pedir
Quem pede: se despede!
Demonstrar é fazer entender
Senão é obra abstrata
Sem trato! Sem cuidado
De quem acha que abraça
Mas se dá uma volta com os próprios braços

"Amade" in China

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É amor falsificado
Parece sério
Mas é número de série
Quase autêntico
Mas é sempre um “quase”
Até que quebre
Cópia barata de um sentimento caro
Com um manual em Mandarim
Original? Só o descrédito.

Futuro do Pretérito

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, céu, nuvem e atividades ao ar livre

Nunca gostei de frases no Futuro do Pretérito. Seria, teria, queria...É porque não é, não tem e não quer.
É passado, antes mesmo de começar. Pretérito tem o mesmo radical de preterir, que por sua vez, é deixar de lado.
Que lado é esse que não prioriza? Como pode ser futuro se já é impossível no presente? É hipótese improvável que começa na conjugação de um verbo que nunca junta, mas sempre separa o agora do amanhã.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Buraco Negro

A imagem pode conter: céu

Ha buracos negros
Não vistos na alma
Que perdem o que entra
E deixam sair o que guarda
Sugam o entorno
Mas nada retém
Tudo parte
Tudo é partido
Nos viram do avesso
Em um universo paralelo que ninguém vê
Como o poço das Danaides
Que não tinha fundo
Mesmo sendo profundo
Justamente por não ter fim
Como se algo pudesse vedar
Uma queda que nunca termina
Ou na esperança de inverter o sentido
Para enfim cair para o céu

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Aparência


A imagem pode conter: 1 pessoa, cão

Nunca gostei de padrões a ponto de parecer estranho. Mas em algum momento, ja me importei com julgamentos, inclusive tentei não ser diferente até perceber que todos somos diferentes, mesmo os que tentam se fazer iguais. Não era bonito, maxilar exageradamente projetado, macérrimo e com óculos fundo de garrafa, já fui a piada. Ouvi muitos risos que eu não participei. E se não podia mudar como os outros me viam, comecei a mudar como eu via o mundo, como eu via o meu mundo. Trabalhar a beleza não provisória. Porque flores também murcham com o tempo, mas o que elas representam não. Como as coisas nos tocam são mais importantes do que elas são em si. Um filme clássico me ensinou isso: “Homem Elefante”. Não há nenhuma deformação que supere a beleza da gentileza, educação e empatia. Porque escrevo tudo isso? Porque quando apontam o dedo para uma criança, matam a inocência, a pureza e o lúdico do mundo. Atribuindo valores deformados que não cabem na beleza do que representam. Escrevo por culpa. Não pelo ato que não participei e repúdio, mas por me calar, tendo já sentido na pele essa marca. Escrevo não para consolar, mas para incomodar. Exponho as minhas cicatrizes para evitar que outros também sangrem. Aparência não traduz o universo que ninguém traz. Ela é só uma porta de passagem para o acolhimento que realmente importa: Interior. Harmonia? Vejo em um sorriso, numa entrega, num olhar que brilha ou na descoberta do outro. A beleza não está nos olhos de quem vê, mas no coração aberto de quem sente!

Miragem

A imagem pode conter: céu, natureza e atividades ao ar livre
Quando a alma está deserta
Nem tudo, que se vê, é
Sentimentos tem sede
E sua mente cede
Mente para sobreviver
Bebe de uma crença
Que não acredita
Enquanto a areia do tempo
Escorre pelas mãos
É oásis e alucinação
De quem mira longe
Para seguir em frente
Fazendo de um balde furado
O seu próprio castelo

Relações Líquidas

A imagem pode conter: texto que diz "SUA TELA ESCONDE o QUE SEUS OLHOS REVELAM. FwP"

Ele é a lente por trás da foto dela sozinha
Ela é o nome que não aparece no status que ele mudou
Ele é o segundo cálice de vinho de mais um story dela qualquer
Ela é a mão que apoiou a queda, quando ele desativou o perfil
Ele é a conversa que só interessa quando nada mais resta para ela
Ela é mais um "amei" entre os tantos que ele curtiu
Ele é a companhia que ela adora estar quando ninguém vê
Tempos de aparências expostas e sentimentos velados
Que o outro só importa, quando vale a postagem

Per-doem

Que os meus excessos sejam perdoados
É difícil guardá-los dentro de mim
E ainda que eles me exponham
Também me tiram do silêncio
Quando gritam não é EGO
Mas eco interno que ressoa
Suor de palavras ditas na beirada de um abismo
Eu também fico abismado
Com o que revelo
E com a consequência
De não ser relevado
Quando só buscava elo
Aceitação diante da estranheza despida
Mas sobram dedos apontados
Ainda que meu lápis já não tenha ponta
E o grafite esteja todo espalhado
Como o meu sangue no papel jorrado
Na tentativa de afago, quase me afogo
No meu próprio fogo
Não sei conversar
E por isso, verso
Aceitem minhas desculpas
Não me explico por culpa
Mas pela intensidade
Que me leva a responder
Mesmo sem ninguém ter perguntado
Que me faz sentir
Mesmo sem ter vivido
E que mesmo vivendo
As vezes, me mata
Só restando (p)arte de mim