domingo, 2 de julho de 2017
Saudades
Há saudades no partir e despedidas...
Mas há algumas que nem chegaram a existir...
Dos encontros que não aconteceram
De um tempo não vivido
Das músicas tocadas
Dos perfumes exalados
Dos símbolos e sinais
Que de fantasias tão reais
Não foram possíveis evitar
Do que poderia ter sido
Ou do que havia antes de toda mudança
Algumas lembranças que se perderam
Ou daquele esquecimento que tentamos lembrar
De lugares que não estivemos
Paisagens que a alma contempla
Das partes em nós que não conhecemos
Da mente que se separa do corpo
Em busca do que não sabe
Na saudade que enfim
Tenta nos ressignificar
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Avidez
Há ânsia no desejo
O prazer não sabe ser comedido
Comensurado ou simplesmente aguardar
Ele é a entrega inesperada
Que só espera o consumar
Somar, só mar
Porque nos banha em ondas
Mergulhos profundos
Ainda quando só imaginação
Ele é imaginação, mesmo quando fato
É o entrelaçar entre duas mentes
Que se saciam, aliciam e deliciam
É a pretensão do tesão
É a tensão que escorre
Que sua e faz suar
Corporificam as fantasias
Em uma busca ofegante
Que oferta o melhor
Que no íntimo do imo há
Ele é a entrega inesperada
Que só espera o consumar
Somar, só mar
Porque nos banha em ondas
Mergulhos profundos
Ainda quando só imaginação
Ele é imaginação, mesmo quando fato
É o entrelaçar entre duas mentes
Que se saciam, aliciam e deliciam
É a pretensão do tesão
É a tensão que escorre
Que sua e faz suar
Corporificam as fantasias
Em uma busca ofegante
Que oferta o melhor
Que no íntimo do imo há
terça-feira, 27 de junho de 2017
Tudo ou Nada
Não sei ser ponderado
É sempre assim: tudo ou nada
Ainda quando o tudo parece nada
E nada é como tudo parece
Nascemos com tudo
Morremos por nada
Criamos o tudo a partir do nada
E quando desalentados, o nada é tudo
Há detalhes em tudo
Há segredos no nada
Falo com tudo, o nada que há em mim
Murmuro sobre o nada que há em tudo
Porque parte é o que deixo inteiro
Parte é o que não sobra, ainda que sombras
Enquanto crio pontes entre um e outro lado
Voo manco e calado
domingo, 25 de junho de 2017
O elevador
E eles entraram...
Toda espontaneidade deu lugar a um estranhamento.
Os primeiros, logo ocuparam os cantos e se puseram em posição rígida, como uma armadura decorativa.
Houve um certo constrangimento e confusão com os botões.. Todos queriam apertar e se livrar logo da situação para retornarem às suas posições.
Segundos depois, alguns sacaram o celular e fixaram os olhos nele na vã tentativa de se isolar em um cubículo de 1,5 x 1,5 m.
Tentavam, inutilmente, distrair a mente, mas as demais presenças se impunham.
Uma moça até se virou de costas para os demais, encarando o espelho e penteando os cabelos. Esqueceu que o espelho refletia, logo ela via todos e percebeu que também a viam.
Os demais não sabiam o que fazer. Olhavam para o mostrador, torcendo que em um passe de mágica, o décimo andar se tornasse o térreo. Olhavam para cima, para baixo, para os lados,...Colocavam as mãos nos bolsos, nas bolsas, entrelaçavam as próprias mãos, estalavam os dedos...Tudo parecia em câmera lenta.
Ninguém ousava falar uma palavra. (Na verdade, mal respiravam)
Cada um que saltava em um andar pelo caminho, devolvia um pouco do ar preso pela apneia dos demais. Alguns, um pouco mais aliviados, quase suspiravam.
E depois de um minuto, que pareceu uma hora, chegaram no térreo e aceleraram os passos o quanto puderam para se perderem uns dos outros.
Eles sabiam demais, compartilharam a privada proximidade.
Toda espontaneidade deu lugar a um estranhamento.
Os primeiros, logo ocuparam os cantos e se puseram em posição rígida, como uma armadura decorativa.
Houve um certo constrangimento e confusão com os botões.. Todos queriam apertar e se livrar logo da situação para retornarem às suas posições.
Segundos depois, alguns sacaram o celular e fixaram os olhos nele na vã tentativa de se isolar em um cubículo de 1,5 x 1,5 m.
Tentavam, inutilmente, distrair a mente, mas as demais presenças se impunham.
Uma moça até se virou de costas para os demais, encarando o espelho e penteando os cabelos. Esqueceu que o espelho refletia, logo ela via todos e percebeu que também a viam.
Os demais não sabiam o que fazer. Olhavam para o mostrador, torcendo que em um passe de mágica, o décimo andar se tornasse o térreo. Olhavam para cima, para baixo, para os lados,...Colocavam as mãos nos bolsos, nas bolsas, entrelaçavam as próprias mãos, estalavam os dedos...Tudo parecia em câmera lenta.
Ninguém ousava falar uma palavra. (Na verdade, mal respiravam)
Cada um que saltava em um andar pelo caminho, devolvia um pouco do ar preso pela apneia dos demais. Alguns, um pouco mais aliviados, quase suspiravam.
E depois de um minuto, que pareceu uma hora, chegaram no térreo e aceleraram os passos o quanto puderam para se perderem uns dos outros.
Eles sabiam demais, compartilharam a privada proximidade.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Sentido e Significado
Sentido é sentir
Significado é signo
Sentir é a sensibilidade da alma
Signo é a intensidade do símbolo
A alma é expressão
O símbolo é a codificação
Expressão é manifesto
Codificação é a síntese
Manifestação é movimento
Síntese é interpretação
Movimento confere direção
Interpretação gera compreensão
Tudo é o significado do sentido
Tudo é o sentido do significado
Sinto, logo significo
Enfim, significo por sentir
Signo é a intensidade do símbolo
A alma é expressão
O símbolo é a codificação
Expressão é manifesto
Codificação é a síntese
Manifestação é movimento
Síntese é interpretação
Movimento confere direção
Interpretação gera compreensão
Tudo é o significado do sentido
Tudo é o sentido do significado
Sinto, logo significo
Enfim, significo por sentir
segunda-feira, 19 de junho de 2017
O artista
O artista pode ser tímido
Mas sua arte é despudorada
Ele veste o corpo
Mas desnuda a alma
Ele disfarça as emoções
Com a intensidade que emociona
Empresta sua sensibilidade
Aos milhares que habitam o seu ser
Ele pode não ser tocado
Mas o que faz, deve tocar
Tirar do lugar comum
Que o costume faz estar
Um estranhamento
Que desnorteia ao êxtase
De se perder no mundo
À descobrir o mundo perdido
Não cabe o morno na arte
Porque assim já é o cotidiano
Arte é a entrega
Que dá, mesmo sem receber
Que confia, mesmo sem gratidão
Que se importa, mesmo sem entendimento
Até que as cortinas se fechem
As luzes se apaguem
O grafite deslize
E um ponto se faça
A corda vibre
E o som se dissipe
E a arte viva, mesmo sem o artista
terça-feira, 13 de junho de 2017
A insatisfação
A insatisfação humana nasceu para nos fazer sair de onde estamos. Especialmente, fazer-nos descobrir o mundo dentro e fora de nós. Mas o que deveria ser um alerta, assumiu o controle. A insatisfação que deveria apenas sinalizar ou até mesmo motivar uma mudança, gerou uma ânsia compulsiva para reclamar e se ancorar em um lugar comum: a zona de conforto. A desconfortável sensação que deveria ser um convite e empurrão, se tornou a experiência que deve ser evitada. Negando também, tudo que poderia vir junto e que nem nos permitimos vivenciar."Quero isso, mas isso é assim e assado, deixa para lá". "Não estou bem aqui, mas como não sei o que tem lá, aqui é melhor"
Acabamos em um "looping"(espiral) infinito: "se não for exatamente como imaginei não quero e assim", nos distanciando de viver o que queríamos. Reclamando por não ter o que poderia ter tido se a insatisfação não tivesse afastado.
Retomar a origem da insatisfação, não é um caminho fácil, após uma estrada sinuosa e esburacada. Insatisfação é o negativo de satisfação (Satis-suficiente + facere-fazer do modo desejado), logo é a "insuficiência de não fazer do modo desejado" e se o modo não é desejado, deveríamos mudá-lo. As coisas não se fazem sozinhas. E se não é suficiente, deveríamos buscar o que falta e não aguardar que o que falta se complete sozinho.
Insatisfação não é movimento passivo, é ativo e essa é a aparente contradição.
Insatisfação exige uma nova ação! Sem movimento, tudo que conseguimos é uma insatisfação pela própria insatisfação.
Retomar a origem da insatisfação, não é um caminho fácil, após uma estrada sinuosa e esburacada. Insatisfação é o negativo de satisfação (Satis-suficiente + facere-fazer do modo desejado), logo é a "insuficiência de não fazer do modo desejado" e se o modo não é desejado, deveríamos mudá-lo. As coisas não se fazem sozinhas. E se não é suficiente, deveríamos buscar o que falta e não aguardar que o que falta se complete sozinho.
Insatisfação não é movimento passivo, é ativo e essa é a aparente contradição.
Insatisfação exige uma nova ação! Sem movimento, tudo que conseguimos é uma insatisfação pela própria insatisfação.
domingo, 11 de junho de 2017
Atração ou Repulsão
Sempre julguei que atração ou repulsão tivessem uma explicação lógica, mesmo que fosse inconsciente. Algum gostar ou não, baseado em expectativas, fossem elas: beleza, carreira, jeito, objetivos, etc...Apesar de comumente tentarmos justificar através destes argumentos, creio hoje, que não passem por isso. Que na verdade, sejam pontos levantados para definir algo que não pode ser definido: algo químico/emocional que vai além da lógica.
O corpo se altera, a percepção sobre as pessoas também, independe dessas terem ou não os atributos esperados. Os pensamentos começam a tentar racionalizar o processo e dar sentido à experiência. E isso deve explicar como pessoas tão diferentes ou que buscavam coisas tão diferentes estão juntas. Enquanto, muitas vezes, mesmo tendo muitos pontos em comum, não se unam. É como uma rede WI-FI, que precisa de uma senha para que possa haver a conexão. Senha que independe de palavras e de atitudes. Mas de um encontro que vai além dos sentidos. Ondas e frequências, além do papável e concreto, como emissões e captações. Talvez uma necessidade, como bateria e fonte, que se retroalimentem para o funcionamento de todo o sistema.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Carta à uma desconhecida
Você tirou um filho
E eu nem cheguei a ter um
No seu caso, foi imposto
No meu, solidão
No seu caso, foi imposto
No meu, solidão
Você casou
Mas não foi feliz
Não casei
Mas também não fui
Mas não foi feliz
Não casei
Mas também não fui
Você abriu mão de seus sonhos
Por alguém que nunca deu valor
Eu abri mão dos meus
Por não encontrar meu valor
Por alguém que nunca deu valor
Eu abri mão dos meus
Por não encontrar meu valor
Você sofreu
Eu também sofri
Cada um no seu canto
Cada um no seu conto
Eu também sofri
Cada um no seu canto
Cada um no seu conto
Vivemos dores juntos
Mas separados
Unidos na desunião
Pelos desencontros encontrados
Mas separados
Unidos na desunião
Pelos desencontros encontrados
Enquanto diz:
Antes só, que mal acompanhada
Digo:
Quando se é só, até mal acompanhado
Antes só, que mal acompanhada
Digo:
Quando se é só, até mal acompanhado
Contradições da vida
Seria diferente
Se tivéssemos nos achado
Mas não há tempo de nos fazermos rogados
Seria diferente
Se tivéssemos nos achado
Mas não há tempo de nos fazermos rogados
Quando me diz:
Gostaria de escrever para ser lida
Retruco:
Mesmo escrevendo, não somos
Gostaria de escrever para ser lida
Retruco:
Mesmo escrevendo, não somos
Os caminhos seguem
As coisas mudam
O que nos espera?
O que esperamos?
As coisas mudam
O que nos espera?
O que esperamos?
Nada importa
Só o nosso portar
E o acreditar no sorriso
Que ainda devemos dar
Só o nosso portar
E o acreditar no sorriso
Que ainda devemos dar
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Feliz aniversário
Hoje completamos mais um ano
Um ano sem nos conhecer
Perdidos um do outro
Tentando nos compreender
Um ano de saudades
E que nos chamamos em vão
Um ano da carência
De não segurarmos nossas mãos
Um ano da espera
Que não sabe de que lado virá
Ou mesmo, da incerteza
De ser só um sonho, será?
Um ano dos momentos
Não partilhados
E de nossos olhares
Nem mesmo terem se achado
Um ano de expectativas
Frustradas
Como poderia ser diferente?
É sempre assim: tudo ou nada
Feliz aniversário para nós
Bodas imaginárias
De vidas sem um nó
E desencontradas
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