domingo, 20 de novembro de 2016
E se...
Comumente escutamos e repetimos como um mantra, a expressão: "E se...". E se ele(a) não me ligar? E se eu perder o emprego? E se eu ficar sozinho? E se não conseguir fazer?
"E se..." é a hipótese que construímos e que antes de nos trazer uma solução, gera outras questões e ,consequentemente, novas ansiedades. Em um ciclo, quase infinito, que repetimos incessantemente a ponto da pergunta virar uma auto-afirmação.
Nessa transformação de interrogação a exclamação, nos perdemos em um labirinto de difícil solução.
Essa espontânea vontade de controlar as situações e a modelarmos, desacredita a nossa real capacidade de resolvê-las, conforme elas surjam. Não raro, todo este planejamento é mal sucedido, porque emprestamos a nossa própria angulação (incluindo nossos
medos e fragilidades).
Nisso, frente a outras variáveis: como pessoas diferentes de nós, oportunidades não ponderadas, continuidade do evento sem a nossa participação ... Tudo diverge do que foi imaginado, ou mesmo, como todo processo, assume por si mesmo a direção e se desenvolve e metamorfoseia ao longo do tempo.
Dizem popularmente: Que as respostas estão na própria pergunta.. Mas como conhecer a pergunta, antes que ela seja um fato? Diferente de equações e resoluções certas, a vida é um campo inexato de construção, na qual tudo é mutável e impermanente.
Acreditar que algo é definitivo, é assumir uma pré-apatia de que nada mais pode ser feito, quando milhares de instrumentos se apresentam a nossa frente.
Sejamos maleáveis e flexíveis como o bambu, que se curva com o vento, mas retorna a sua posição de origem ou como a água, que assume a forma do meio, que se encontra e diante de um obstáculo, contorna-o.
Abandonemos as convicções rígidas, a postura estática e as indagações despropositadas. Deixemos cada problema ao seu tempo, sem demandar a energia em pré-ocupações, poupando-a para as necessárias resoluções! Sem misturar o efetivo com o afetivo!
- "Comece fazendo o necessário, depois o que é possível, e de repente estará fazendo o impossível" (Francisco de Assis)
Retrospectiva 2015
Agora é Zika ou Chikungunya
Para alguns o problema é o Eduardo Cunha
Não sei se é impeachment ou recessão
Mas certamente tudo está na corrupção
Não sei se é Zenote
Filho do Lula recebendo um "dote"
Ou operação lava jato
E as delações de cada ato
O estrago da represa do Rio doce
O Estado Islâmico como se Alá fosse
Foram panelaços e passeatas
Espiritas levando pedradas
Obra não entregue
(Mas isso todo mundo esquece)
Ciclistas mortos a facadas
Teve até Trans crucificadas
Um terremoto no Nepal
Negro americano morto por policial
Filha de príncipe inglês
E a Dilma tentando explicar os porquês
EUA abrindo para Cuba as "porteiras"
E em Boston, novas bombas certeiras
Um pouco dos mesmos receios
Rogando por um novo ano de novos anseios
Com menos guerra ao ser capaz
De gente que menos erra e faz paz
O mundo de hoje parece medonho
De pessoas que vivem sem sonho
Correm atrás de uma realidade
Que faz da vida uma fatalidade
Por menos dor e agonia
Por mais amor e fantasia
Tão simples é viver com menos espera
Por favor, Que venha uma nova ERA!
Sem você
No seu peito, uma porta fechada
No seu colo, um ninho vazio
Nos seus braços, um laço desfeito
Nos seus olhos, uma janela cerrada
No seu corpo, tesouro não revelado
No beijo que não demos, seu silêncio
No carinho que não trocamos, o arrepio da sua ausência
Na palavra que não disse, o eco de sua lembrança
Guardo em mim, o amor que não existiu
Ressignificando minha vida no sonho
de sua presença
Monopoesia
Há Tensão
Na Intenção
Há Tesão
Na Pretensão
Há Apreensão
Na atenção
Como dado
Comandado
Com cuidado
Simplesmente
Simples mente
Assim, sim
Enfim, fim
A(inda..gações)
Como sabemos quando aparece o amor?
No trabalho, no caminho, em uma tela ou misturado na multidão...?
Em que instante, um trejeito ou olhar se diferencia de tantos outros a ponto de não ver nada além deles? ( E esperando que eles também lhe notassem)
Em que momento alguém entra em sua vida e modifica tudo que tem por certo? Faz com que deixe de se preocupar com o futuro desde que esteja ao seu lado?
Porque na ausência, tudo é dúvida, enquanto, na presença é certeza?
Porque fico me repetindo, sendo que quem for, não me lê? Suspirando para a lua, imaginando que onde estiver, me encontra, ao olhar o céu?
Porque me sinto tão piegas e clichê sem você, se nem sei quem é? Me intimida e provoca, mesmo antes de existir em minha vida?
Tantas perguntas, poucas respostas, mas o fato que o amor guardado e não doado, é duplicado sem caber dentro de si...Acaba buscando escapes que ainda que nada responda, justifica-se na esperança de um novo amanhecer...
Natureza em desencanto
Em um mundo tão dinâmico, por que há tantas naturezas estáticas?
Que querem revelar e se escondem?
Que querem sonhar e racionalizam?
Que querem aceitar e desacreditam?
Que querem opinar e se eximem?
Que querem amar e não se entregam?
Tantas coisas ditas (e não ditas) nas entrelinhas
Perdidas na intenção
Nas pretensões desperdiçadas
Na prudência quase covarde
Que observa a oportunidade passar
Através das mãos, sem conseguir segurar
Na criação de motivos para o que só precisa sentir
No aprisionamento de um passado
Na generalização de um presente
Na supervalorização de um futuro
Que faz a realidade parecer surreal
Buscam fantasias e justificativas
Que se retroalimentam
Em um ciclo viciado quase autossuficiente
De um mundo particular e impenetrável
Suspiram uma dor de não pertencer ao lugar que estão
Mas se esquecem da proximidade entre estar e ser
"A vida é o lugar certo"
Estagnação
Vejo a vida passando
E eu vou passando pela vida
O que me tornei?
Realmente não sei
Algo muito diferente do que quis ser
Será que assim será até eu morrer?
Ainda tento lutar, mudar e amar
Mas minhas forças já começam a desacreditar
O cansaço domina meu passo
E minha música sai do compasso
Não posso evitar
Mas não quero me vitimar
Minhas linhas já não são tão firmes
Mas busco escrever um texto que afirme
Independente do que passe
Ainda tentarei abrir as asas que transpasse....
.....Um momento
.....Um pensamento
E se assim conseguir
Estou certo que tudo irá fluir
O escritor e o que escreve
Não sou triste porque disserto sobre tristeza
Não sou devasso, porque escrevo sobre sensualidade
Não sou religioso, porque falo de fé
Tudo é parte de um todo..
Não sou parte, nem sou todo..
Sou tudo..
Gravidez
Nunca fui pai e nem sei se serei
Não por falta de vontade, mas porque depende de mais de uma vontade
Para colher e lançar uma semente
Fruto de um amor germinado
Da ânsia de perpetuar uma parte
Que jamais possa ser esquecida
Se um dia tiver um jardim
Então voltarei a pensar nas flores
E então deixará de ser dor
E ergueremos uma terra fértil
Cuja gestação levará 9 meses
Até que tudo tenha nova cor e perfume
Espelhando uma nova vida
Não mais minha, nem sua
Mas com um novo nome para nossa união
Libertação
Tem dias que fechamos os olhos e gostaríamos de deixar a alma ir
Sair da ilusão da matéria, assumir sua natureza plena e livre
Se esvair de carências, dependências e anseios
Liberar a emoção contida e a razão desprovida de justificativas
Sem o corpo que omite e disfarça
Nestes momentos, sentimos uma saudade inexplicável de algo ou um lugar que não sabemos definir
Talvez do acesso à intima natureza ou da expansão sem obstrução da consciência
Na qual, passado, presente e futuro são um só momento
Não há acasos e tudo tem um porquê
Não há jogos e toda fantasia é real
O amor é irrestrito e não privativo
Não são necessárias palavras e mesmo no silêncio há entendimento
Tudo é arte e criação
Espontânea e flexível
Há vida em cada detalhe e podemos observar cada detalhe da vida
Abrimos os braços e nos entregamos a um fluxo, no qual tudo é progresso, não há retrocessos
Não há esquecimento e nada se perde
Nem solidão, pois não há vazios, tudo é repleto de paz
Não há morte, tudo é transformação
Nestes dias, talvez seja justo recordar a dádiva que nos foi dada de sonhar. Deslumbrar por breves instantes o paraíso perdido e um dos muitos mundos que vamos reencontrar.
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