segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ilusão


Entrei na sua vida
Sem querer
Sem rota de fuga
Sem entender
Por que?
Era desvio no caminho
Atalho para lugar nenhum
Uma rua sem saída
Sem porta
Só um muro
Entre eu
E você
Sou teimoso
Insisti
Para mim era sonho
E você nunca dormiu
Eu quis começo
Para o que nasceu
Como fim
E assim
Nos perdemos
Sem nunca
Nos acharmos
Em um sim
Que sempre foi não
Pedi um caminho
Recebi ilusão
Como quem prova
A maça
Para deixar o céu
Não fui seu
Mal fui meu
Mas vamos com fé
Se não é para frente
Que se anda
Melhor voltar de ré

Tédio


É a monotonia
De uma espera
Que não quer
Esperar
Que vê o tempo passar
Sem que nada saia do lugar
É a repetição decorada
Sem improviso
De quem não sabe interpretar
São as reticências
Que substituem a virgula
No deixar aberto
Ou do ponto final
Que termina para recomeçar
Um limbo da frase
É o olhar para o nada
O nada que olha de volta
Revolta
De um flerte frio
Entre dois estados
(Apatia e Vontade)
Que não se amam
Mas tentam ficar juntas

Desencanto


Quando o encanto quebra
Fica uma fissura no olhar
O antes intocável
Agora sem jeito
Não sabe tocar
A magia maculada
É preservação manchada
Luta entre ficar ou ir
Salvar a lembrança
Ou perder a realidade?
(Insanidade?)
Melhor afastar!
Antes que a falta acabe
E todo resto termine
Desencanto é o não canto
O silêncio que se intrometeu
Entre quem admira falar
É o recolhimento da alma
Que sem cuidado
Partiu
Para de tantos cacos
Fazer de si
Um mosaico

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Eu vim só, sem ela


Caí no mundo
Mundo de ninguém 
Eu vim só, sem ela
Busquei em muitos braços
Laços que não existiam
Mas era o olhar dela que via
Todavia, eles não estavam
Caí na Terra e ela de salto no Céu
Eu vim só, sem ela
Na procura por um alguém
Que nem nasceu
Sempre eu e minha sombra
Pelo riso dela, olhava cada boca
Esperava saber quem era, se ficasse...(e nunca ficou)
Mas eu vim só, sem ela
Não sei como fazer
Para consertar o destino
Desatino viver assim!
Eu só, sem ela
Ela e eu, sós
Eu e ela e só

Machices


Se uma mulher diz não
Não tente entender como sim
Se ela quiser que seja sim
Mesmo se disser não
A decisão será dela
A cisão não será sua
Aceite!
Se uma mulher for educada
Não queira invadir seu mundo
Toda entrada precisa de convite
Mas as portas estão sempre abertas
Para quem deve se retirar
Pense, logo evite!
Para não ser evitado por não pensar!
Assédio é um tédio
De quem os hormônios
Não fazem mais homem
Só mais um qualquer, sem nome
Que tem mais instinto
Do que razão
Sem razão, primata!
Faça um favor
Em pleno século XXI
Se extingue!
A forma dela vestir
Não diz o que você deve sentir
Não o julgam sem camisa
Mesmo que seus músculos
Ficassem melhor
Numa selfie do cérebro
Se você não é juiz,
Não queira fazer
Alguém de réu
Você não é forte pelo seu bíceps
Mas pela empatia que carrega
Se teve um filho com ela
Não é dela! É seu também
O que tem entre as pernas
Não é só brinquedo
Brincadeira é querer ser criança
Quando uma vida pequena
Espera por alguém que deveria
Crescer!
Se está com uma mulher, respeite
Você não é um sultão!
E no Ocidente, tem nome: Traição!
Se o contrário, dói! Não seja causa de dor
Só procura em muitas
Quem nunca entendeu
O bem precioso
Que há muitas dentro dela
Para descobrir
Se quer ser um homem diferente
Ame! Sinta! Chore!
Isso sim, sem se envergonhar!
Não force
Se esforce
Por ser o melhor
Do melhor que em você há
O mundo não precisa de mais
Há demais homens iguais

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Fantasia


As fantasias são perfeitas
Porque se imperfeitas seriam realidade

São os sonhos acordados
De quem não é capaz de dormir
E ainda se encanta
Apesar de todo o desencanto
Só para colorir suas dores
Da rotina em preto e branco
Preencher de criação
O vazio da falta de inspiração 
Que é viver todo dia do mesmo jeito
A fantasia é a reinvenção pessoal
De criar um universo próprio
Que caiba em um mundo impróprio

Calado


Não quero lhe tirar de ninguém 
Quero alguém que me tire de mim
Que me liberte dessa prisão 
Que alguns chamam: Solidão 
Não estou lhe colocando como responsável 
Estou só respondendo que sozinho
Não consigo mais
Não tenho mais forças para escalar
Prefiro até me calar
Conheço tão bem o silêncio 
Que se ouvir sua voz algum dia
Acharei mesmo que tudo é um sonho

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Regurgito


Nota: Texto não recomendado para momentos sensíveis...
Até onde é real?
Quando foi que dormi?
E acordei neste mundo tão igual?
De pessoas que chegam para partir
Que se privam de sentir
Que sorriem em um dia
E nem existem no outro
Que lhe dizem ser especial
Mas tratam como mais um banal
Que lhe estendem a mão 
Só para empurrar do abismo
Eu ainda me abismo!
Não sei até quando...
Porque quando caímos
Tudo parece eco
Sem nexo

Só um anexo: “Foda-se”!

Ano novo




Não adianta um ano novo, 
Com a mente velha
Pular ondas
Mas cair nos mesmos erros 
Comer lentilha
Mas engolir sapos 
Guardar sementes de Romã
E nunca estar disposto a se dar 
Lançar uma barca para Iemanjá
E deixar os sonhos naufragar 
Usar uma roupa colorida
Mas ver o dia em preto e branco 
Se desejas mudanças
Não espere que tudo mude em um dia 
Mude a cada dia e terá assim 
UM NOVO ANO!!!

Amor Próprio



Não é chavão 
Mas é a chave
É próprio como seu imóvel

Um bem inalienável
No qual reside 
Mesmo quando
Inutilmente
Tenta ocupá-lo 
Com um amor 
Que não é o seu
Uma permanência emprestada
Um sentimento locatário
E por melhor inquilino
Que tente ser
Pode partir
(Até por morte)

Mas você sempre fica
E o seu amor próprio também
Bagunçado ou organizado
Alinhado ou desarrumado
É como escolhe 
Onde vai viver

Mas lembre: você é sua casa
Não tente morar longe de si
Para não ficar trancado 
Pelo lado de fora