sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Sobre o tempo


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As vezes, eu penso: "Bom mesmo eram os anos 80 e 90". Isso vem com um gosto de nostalgia. Mas penso que olhar para trás seja só um "escape" do presente. Idealizando uma perfeição que nunca existiu. Tento retroceder mais um pouco até a Idade Média e imagino que na passagem para o Renascimento, talvez houvesse um estranhamento de trajes, que deveriam parecer "excêntricos" para quem estava acostumado à trapos. Música? Tinham instrumentos demais para o que ouviam até então. Certamente, muitos também guardariam nostalgia de tempos anteriores: "Bom mesmo era a Roma Antiga". E assim, sucessivamente...
Talvez o "futuro" traga consigo uma estranheza. E nos coloque no meio de três tempos: o conhecido, o passado idealizado e o que ainda não chegou. O passado não era melhor. O presente não é tão ruim e o futuro sempre será melhor do que onde estamos. Cada mudança de geração há uma evolução em alguma área e não há retrocesso nesse processo, ainda que, por vezes, pareçamos estagnados ou reciclemos alguns modos antigos. Estamos no tempo que precisamos estar. Esse é o nosso momento, que em alguns anos será passado.
E aqueles que estão lá na frente olharão com saudade para o agora, imaginando que tudo era diferente do que sentimos e que talvez se tivéssemos tido outras escolhas poderia ter existido um futuro diferente, quando a engrenagem evolutiva faz com que tudo esteja onde deveria estar, de acordo com o crescimento pessoal que cada geração é capaz.

Medica-ação (Fernando Paz)


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Não é ansiolítico
Mas nos mostra ser lícito tentar
Remove a tarja preta dos olhos
Acalma nossas loucuras
Em doses diárias
De uma química pesada: sentimental
Efeito colateral?
In-dependência emocional
Em caso de tontura
Saúde mental adverte:
Deite no colo de um divã
E se recomece

Felizes no fim ou fim da felicidade?


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Certo, que nas gerações anteriores, havia uma idealização sobre estar juntos. Não apenas pela dificuldade que era ter qualquer intimidade, mas porque a sociedade forçava que a união fosse indissolúvel, mesmo ambos infelizes.
No entanto, hoje, não há idealização nenhuma. A intimidade foi banalizada e qualquer coisa é motivo para a separação. "Porque precisamos ser felizes", mas uma felicidade que não aceita contrariedades e nem tenta esgotar as possibilidades de dar certo, na verdade, é uma infelicidade.
E nisso, criamos uma geração de uniões solitárias, que esperando sempre o pior, nem se esforça pelo melhor. Se antes, se imaginava um pote de ouro no fim do arco-íris, hoje, a realidade é viver o dia como se fosse o último. Se no primeiro, há a responsabilidade de lutar para chegar em algum lugar, no segundo, é simplesmente, ficar a deriva, sendo levado sem direção.
Tudo na vida é equilíbrio e nenhum extremo é solução. Nem a rigidez de um passado responsável, nem a leviandade de um presente de possibilidades. No momento, que conseguirmos criar uma ponte, entendendo os erros e acertos de cada tempo, poderemos enfim, pensarmos em um final feliz ou ser felizes, sem pensarmos em um final!

Frankestein

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Ja fui quebrado por dentro
Colado do avesso
Aprendi a cair para levantar
Fui remendado nas certezas
Tive pedaços trocados
Dei corda só para não parar
Peguei um olhar emprestado
Encaixotei as fantasias
Fui luz para poder enxergar
Reciclei minhas esperanças
Lixei minhas arestas
Apertei meu parafuso para não surtar
Sou partes de um inteiro
Quebra cabeça incompleto
Que apesar da falta tento mostrar
Não importa o tamanho do rasgo
Se há um coração pulsando
O amor vai sempre consertar

Conversas Contemporâneas

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Sinto falta das conversas longas sem validade ou prazo para terminar. Aquela troca cheia de riso, de lágrimas, que não são só palavras para constar. A ansiedade de esperar com a certeza da próxima vez e não ser mais um talvez que em um dia esquece. Assim não aquece! Faz frio onde não há reciprocidade. Não quero momento, quero movimento e não ter vergonha do pensamento, mesmo que pareça extraterreno.
Conversas com conexão de mentes, sementes que floreiem a semana, o ano, a vida...um falar que ecoe mesmo quando calarmos. Que durem e sejam duros, firmes para não vacilar. Sinto falta da procura que cura. Ando cansado dos monotemas, monossílabos e monólogos, brevidades e descontinuação, do raso que não escuta e só quer falar ou muleta para quem só fala até se curar. Não quero curtida e nem comentário, nem esforço para atenção, quero algo simples como caminhar ao lado com um sorvete na mão. Nostalgia de sentar na calçada ou na beira da praia e não ver o passar da noite. Saudade da única tela que havia entre duas pessoas ser os olhos.

Nova Chance


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É a entrega desmedida
De se reencontrar
De se reencantar
Por detalhes antes perdidos
É um novo marco
Como um novo ano!
De quem só vivia partes
De um processo inteiro
É desapego
De quem criou raiz
É liberdade
De quem desaprendeu a voar
É ir e vir
De quem, por algum tempo, parou
Recomeço não é um novo começo
É só começo, que por si só, é novo
É o passo para frente
De quem andava de ré
É a fé de assumir a si mesmo
Que é chegada a hora
Chega de demora
Agora, vai ser feliz

Morte?

A imagem pode conter: noite
Ja morri tantas vezes até descobrir o que era viver. Precisei me reinventar, mudar de forma, de fórmula e de lugar. Educar emoções rebeladas, trocar de lado e até mesmo andar de ré. Tentar ser certo quando tudo em volta estava errado e recuar para não padecer. Ja tentei parecer algo, tentando me convencer e ja me convenceram ser algo que eu sabia não ser. Ja lembrei de desconhecidos, enquanto conhecidos me esqueciam. Amei fantasias, beijei ironias, estive junto para me sentir só. Ja desci no abismo achando que era céu e encontrei paraíso onde ninguém quer descobrir.
Já vi o mundo partir e eu sem saber onde chegar. Meditei para calar o barulho interno e fiz da dor rock n’roll. Aprendi que dentro de consolação, há laço e que para perdoar é preciso primeiro se dar. Já virei pó de tanta queda, já bati o pó após a queda, ja fui cautela e poesia só para distrair.
Ah quantas vidas cabem em uma? Se eu contar você vai rir... mas desde o primeiro dia na Terra, não houve uma manhã que não renasci.

Aberração

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Aberração é aquele que sem poder berrar, faz com que todos os seus exageros gritem. Não atrai, mas é atração. Tração que puxa para trás. Traição de uma natureza manca que tentando olhar para cima, se percebe de cabeça para baixo. Um excesso da exceção.

Olhares Treinados





Em tempos de corpos saudáveis
É preciso malhar o olhar
(Sem malhar ninguém)
(Re)flexionar as pálpebras
Para (vi)ver melhor
Eliminar as gorduras da indiferença
Para ir além da tez e enxergar através
Sem viés
Emprestar um espelho de gentileza
Para que o outro se veja bem em você
Delinear os músculos do coração
Para mais disposição da empatia
Uma piscada para o amor próprio
Tirando os pesos que embaçam a visão
Revisão das séries, dos gestos, dos jeitos e aceitação
Sem precisar de postura ou posição
Um flerte com as diferenças
Enquanto escorre o suor das impurezas
E seu mundo ganha nova dimensão
Olhos treinados
Alma (sara)da

Amor à primeira vista


Não é o que você vê
Isso é atração 
Porque se é amor
Ele acontece no que não vê
Ainda que seja sim o primeiro
O primeiro pensamento de um dia
E o último antes de deitar
É tudo que você anseia
Mas que para estar junto
É capaz de esperar
Não é passe de mágica
Porque ele simplesmente
não passa
Nem feitiço
Porque não pode ser quebrado
Será amor...
Puro e somente
Quando escolher
Que o outro seja o primeiro
E não puder ver mais nada