terça-feira, 8 de julho de 2014
Reticências
Quando o silêncio fala
A voz se cala
Em um sentimento que enternece
Através das teias que tece
Com as Linhas invisíveis do destino
Trilhas do Tino em reticência...
Diretrizes
Dirigir é discernir no agir
Condução sem iniciativa é ação perdida
Assim, corrige sem rigidez
Transforma com afeto, mas forma sem afetação
Coordenar é ordenar em cooperação
Colabora, mas elabora e ora
Embarca com a tripulação, sem embargos das tribulações
Arca com as responsabilidades, ciente das limitações das próprias habilidades
Quem delega, deixa um legado
Filosofia das Partes
Refletindo sobre os mistérios do dia e da noite: Sorrimos com a chegada de pessoas que como o sol se erguem por trás das montanhas e choramos com a ausência que como a lua, muitas vezes é misteriosa. O dia revela, mas a noite mantém encoberta. O amanhecer afasta as sombras, mas no anoitecer, a escuridão traz dúvidas e incertezas. O dia apresenta o espirito, a noite oculta os corpos.
Talvez por isso, o dia pareça sempre um começo, repleto de esperança. Mas a noite é sempre o fim, uma apreensão e ansiedade para o próximo dia que não saberemos o que esperar. Vivemos e morremos diariamente. Ganhando um novo dia e perdendo o que passou. Ganhando um futuro, perdendo um passado. E o presente ali no meio, inteiro, o todo, o interlúdio do eu, que é o exato instante entre o dia e a noite. Momento que a lua e o sol aparecem juntos no céu.
Viver é a arte de se equilibrar entre as dualidades, construindo pontes entre as extremidades, para dar continuidade ao caminho interrompido temporariamente por um rio chamado Decisão. Prosseguir é pró(além ou mais) + seguir, ou seja, seguir adiante, além dos horizontes...Até que a metade do que somos encontre o preenchimento das lacunas perdidas no tempo e passe a ser inteira em si mesma...Neste instante, o amor que se dividia em dois corpos, passa a ser inteiro em apenas um...E enfim a doação se torna universal... ou uno verso de amar...Sem mais separações, divisões ou perdas...
Consciência
"Que minha vontade determine meu presente
Mas não crie expectativas sobre meu futuro
Que eu lembre sempre a benção de estar em um corpo
Mas não permita que eu o confunda com quem sou
Que minha alegria não ofusque meus dias de dores
Mas que diante da tristeza, tenha certeza que esta também passará
Que agradeça diariamente as oportunidades recebidas
Mas ciente que dificuldades fazem parte das mesmas
Que eu lute contra as minhas imperfeições
Mas sem esquecer as qualidades já conquistadas
Que eu tenha a paciência de esperar sempre
Mas que não seja pela motivação do ócio e apatia
Que o amor vigore em minhas ações,
Mas sem cobranças infundadas
Que a humildade norteie meus passos
Mas sem servir de máscara para meu orgulho
Que eu enfrente os desafios com aceitação
Mas sem a vitimação infértil que me isenta da responsabilidade
Que eu conheça o meu real tamanho no universo
Mas sem ignorar ser uma criação única de Deus"
Diálogo com as sombras
"Se em algum recanto canta alguém...
...Encanta quem nenhum canto tem
Em que cantiga, senão antiga vive sem?
Diga que de fadiga, mora o desdém
Cantarola a linha que desenrola a vinha
Hora que outrora tinha, vigora a demora minha"
Tudo ou Nada
"Um pouco de nada é nada
Partes do todo, ainda constituem o todo
O todo não cabe no nada
Porque um todo que virasse nada, nunca foi todo"
Sobre a vida e a morte
Vivemos e morremos diariamente. Alimentamos a vida, construindo o que somos e fugimos da morte, atribuindo a ela, um sentimento de vazio ou destruição, quando poderíamos ver na mesma, uma possibilidade de transformação. Pois a
presença vive na lembrança, só existe ausência no esquecimento.
Ver a vida como uma viagem...com algumas paradas...turbilhão de pessoas "desconhecidas" que se encontravam temporariamente e se tornam "conhecidos". Embarques conjuntos nos quais partilhamos experiências adquiridas, mas sabendo que em determinado ponto, alguns desembarcarão, outros novos chegarão e ainda haverá quem vá conosco até o nosso ponto destino. A vida é este movimento onde tudo é partilhado.... E nessa correnteza que é o fluxo da vida... encontramos na morte não o fim, mas a transformação.
A cor preta é tão vinculada ao que é fúnebre e escuridão, ao luto do Ocidente. Mas certa vez uma amiga taoísta, me revelou que no Oriente, o preto representa a mudança de um ciclo. Sempre quando me via de preto perguntava: O que está mudando? E eu brincando respondia: Sou uma metamorfose ambulante (andava muito de preto na época).
Mas hoje pensando um pouco mais a esse respeito..lembrei do universo cujo fundo é negro e vi então que se pensarmos neste, tudo está sendo criado e renovado, transformando-se.. Nada é perdido.... Acho mesmo que a morte muitas vezes se revela mais na vida do que na partida propriamente. Morremos todas as vezes que
desacreditamos em nós, que abandonamos nossos sonhos, que silenciamos
o sentir em detrimento do que julgamos "pensar", todas as vezes que na
tentativa de controlar a vida , a seguramos com toda força e temos a
triste constatação de que como água.. ela escapa de nossas mãos.
Sócrates alegaria que " se é preciso estar vivo para morrer, é preciso estar morto para viver" e o Pequeno Príncipe complementaria: " Não venha ver minha partida, o meu corpo cairá com uma casca de arvore seca, mas a casca de árvore seca não é
triste. Lhe deixo uma peça, como não saberá em qual estrela estarei,
todas as estrelas lhe sorrirão"
è assim que percebemos que as separações são uma ilusão. Aquilo que
mais buscamos separar são complementares. Estamos na terra, para
criarmos pontes entre os extremos e não para separá-los. Uma vez que
mesmo sem vermos a ponte, as margens se ligam pelo mesmo rio. Como
posso acreditar que eu terei fim? Se nem as poesias terminam com
aspas! Muitos alegarão: claro que terminam! Mas perceberão que a mesma
poesia lida e relida nunca será a mesma. E muitas vezes sem vê-la,
refletirá sobre ela e ela existirá para você de uma forma diferente da
que estava acostumado quando com o livro na mão.
O corpo definitivamente é a carruagem conduzida pelo cocheiro da
razão, cujas rédeas pensamentos em suas escolhas direcionam
os caminhos. O fato de descer da carruagem, ainda nos mantem livres em
nós mesmos. Não encerremos nossas possibilidades nos limites da
matéria. Enquanto pudermos amar, viveremos em processo de criação e expansão! E
quem cria, vive duas vezes! O ar está repleto de vida: oxigênio,
moléculas, bactérias e o fato de não vê-lo, não anula sua existência.
E se falamos de vida e morte, inevitavelmente nos perguntamos: O que é Deus? Despindo a forma da palavra que tanto poderia ser visto como caminho universal no
Oriente ou este Pai-Mãe Ocidental.
Numa metáfora imperfeita, poderíamos tentar pensar em Deus como um corpo universal do qual nós, células vivas e invidualizadas,
nos aproximando uns dos outros, geramos os órgãos que com
características particulares funcionam em conjunto com toda a
diversidade de outros órgãos para a sustentação da vida. Só posso
falar de Deus pelo lado de dentro.. porque como célula não tenho visão
suficiente... para romper os limites da parede do corpo e ver a
amplitude do que está além dele. Retomando a imagem do universo..Poderíamos pensar no UNO VERSO... No qual toda poesia se encontra.
Mas se isso parecer complexo, olharei para a vida e me atentarei a tudo que for criado, aceitando a criação como manifestação de um grande amor e por si só, assim, Deus, também seria traduzido simplesmente por AMOR. Mas se ainda assim, preferir olhar a morte, que não veja nela o fim de uma sentença, mas a transformação que renova, como uma grande construção, na qual destruímos as paredes, para criar uma nova forma de viver.
Sem amor
A educação sem amor prepara mentes, mas com amor instrui o coração
A família sem amor é laço de sangue, mas com amor o lar da alma
Um relacionamento sem amor é instinto, mas com amor é cumplicidade
A verdade sem amor é lógica, mas com amor é espontânea
A natureza sem amor é sustento, mas com amor é contemplação
A intenção sem amor é interesse, mas com amor é inspiração
A arte sem amor é exposição, mas com amor é sonho
Sorriso sem amor são contrações, mas com amor é recepção
Os olhos sem amor são perdas, mas com amor são encontros
Paixão sem amor é ardor, mas com amor é desejo
Doação sem amor é satisfação, mas com amor é desapego
A morte sem amor é fim, mas com amor é inicio
Andar sem amor é vagar, mas com amor, uma jornada
Lembrança sem amor é revisão, mas com amor é esperança
Fé sem amor é recompensa, mas com amor é sublimação
A vida sem amor é apenas parte do que poderia ser com ele...
Só-neto
"A solidão é o canto ardiloso do oco das almas
Que clamam a chama dos olhares cruzados
Do ardor no amor entre corpos laçados
Na alegria faceira das mãos encontradas
Na sangria passageira dos sonhos largados
Alagados nas ilhas do sentimento
A solidão é o eco das vozes aprisionadas
A espera indeterminada, minada por um coração parado
Atado na própria ação
Entrega os rios da vida no silêncio do doar
Na falta de ar dos brios
Embriagado pelas sombras criadas
A solidão é o desencanto do pensamento
A incerteza de um momento
de SÓ LIDar com o nÃO
Mas finda quando há solidariedade
Habilidade de só dar e ser capaz
De encontrar em si, a paz"
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