terça-feira, 18 de julho de 2017
Sorrir
Sorriso é a porta que se abre, entramos e não queremos mais sair. Quem ri só, encanta! Quem ri junto, canta! Serve até "rsrsrs" e "kkkkkk"...Só não vale se levar a sério e parar de rir, porque ai é caso sério e não vale mais nada.
Gostar de graça
Sempre estranhei essa expressão "gostar de graça", pois são duas palavras que parecem contraditórias juntas. Como se todo gostar passasse por algum valor atribuído ou necessidade de troca. No entanto, graça também é uma benção...E nesse contexto me aproprio da expressão: gostar de graça. Um gostar que surge mesmo quando não conhecemos bem alguém, mas é fruto de uma afinidade espontânea, uma identificação que transcende a proximidade ou a intimidade, pela qual, normalmente, depende o gostar. Uma conexão que pode ser silenciosa, mas que vai além das palavras. Como uma cumplicidade oculta, mas recíproca. Um gostar pelo gostar e nada mais. São encontros raros, que o sentimento que alguém desperta, independe da presença ou não desta pessoa. Só saber que ela está ali já traz novas cores para o caminho. Uma sintonia fina entre duas mentes ligadas através de uma mesma estação. Gostar de graça é realmente a graça do gostar.
Tantas vezes...
Precisei provar da morte para reconhecer a vida...
Renascendo do que julgava pó
Precisei passar por uma rejeição para entender o amor próprio...
As mesmas raízes que se apertam contra o peito dão estabilidade para crescer..
Precisei perder para ganhar...
As mãos que se viam vazias do velho,
Descobriam que tinham espaço para receber o novo...
Precisei cometer o erro para ver como poderia acertar...
Aceitar que até uma pedra bruta passa por lapidação
Precisei negar o inicio para afirmar o fim...
Aceitar que minhas certezas, não eram tão certas
E que a verdade que eu buscava estava na minha dúvida
E quanto choro só para que o riso fosse inteiro...
As lágrimas fracionam o que o sorriso une
Foram tantos talvez
Que um dia entendi
Há o momento certo para nossa vez
Até que tudo recomece
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Se você conhece um poeta...
1) Tenha paciência por nem sempre compreender o que querem dizer..
2) Saiba nadar, porque eles vivem transbordando.
3) Acredite em contos de fadas, porque há muita fantasia dentro deles.
4) Faça checkup regularmente do coração, porque não sabem ser moderados no que sentem.
5) Sejam caridosos e leiam, pois na escrita está o melhor deles.
6) Não use guarda-chuva, eles adoram se molhar...Salvo quando chorarem, ai precisarão de um..
7) Se for eleito(a) para inspiração, sintam-se honrados, eles não dão este mérito para qualquer um.
8) Saibam diferenciar o que eles dizem sentir do que realmente sentem. É confuso no início, mas com a convivência você pega o jeito.
9) Estejam preparados para dividir a companhia com múltiplos personagens. Nunca sabem ser um só.
10) E se sobreviveu a tudo isso, parabéns! Você é uma obra prima, que qualquer poeta daria tudo para estar ao lado!
sexta-feira, 7 de julho de 2017
O curtir
Curtir pode ser atenção...
Talvez, mera constatação!
Atração disfarçada?
Ou mera postagem e mais nada?
Talvez, mera constatação!
Atração disfarçada?
Ou mera postagem e mais nada?
Pode ser ânsia de se comunicar...
Talvez deixar tudo como está!
Uma indireta que "link"?
Ou o poder de dar um clique?
Talvez deixar tudo como está!
Uma indireta que "link"?
Ou o poder de dar um clique?
Pode ser publicidade...
Com certeza, cumplicidade!
Mas quem segue ou é seguido?
Curte os dois para não deixar feridos
Com certeza, cumplicidade!
Mas quem segue ou é seguido?
Curte os dois para não deixar feridos
É aprovar o que se mostra?
Talvez só querer mais um pouco!
É ponto, vírgula ou exclamação?
Se não curtir: decepção!
Talvez só querer mais um pouco!
É ponto, vírgula ou exclamação?
Se não curtir: decepção!
Curtir é dizer tudo
Mesmo sem ter feito nada
Estar ali presente
Já que aqui está ausente
Mesmo sem ter feito nada
Estar ali presente
Já que aqui está ausente
O encontro de mundos
Quando o mundo todo se encontra
Mas você não é todo mundo!
Se não pode contar, curta!
Quando o mundo todo se encontra
Mas você não é todo mundo!
Se não pode contar, curta!
Necessidades Especiais
Recentemente, ouvi a notícia: "Criança no RJ é baleada e ficará paraplégica". Não há dúvidas, que é um fato muito triste. No entanto, o que sucedeu posteriormente, me abalou ainda mais. Alguém disse: "Que Deus tenha
piedade e a leve embora".
Como assim? Desejar que uma criança morra porque ela não terá as mesmas condições que uma andante (como os cadeirantes costumam chamar)? E essa vontade é "boa" para quem? Certamente, os pais não concordariam com isso...
Poderia citar inúmeros casos de crianças que transformaram a humanidade, apesar das suas limitações. Mas para não me estender, vou pontuar um exemplo: Helen Keller.
Uma criança norte americana que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, que tinha deficiência visual e auditiva, mas que superou suas limitações e aprendeu a falar. Foi uma grande defensora e precursora dos direitos femininos e das pessoas com necessidades especiais. Escreveu vários livros e deu várias palestras, que certamente, modificaram milhares de pessoas que a leram ou ouviram.
Mas o que realmente me incomoda em tudo isso, é que vivemos um período que é mais fácil "matar" o diferente do que ter que lidar com ele. Ao invés de pensarmos em uma sociedade que seja acessível e garanta o ir e vir de todos, se tornou mais fácil excluir aqueles que não atendem as convenções e ideais...
E nessas exclusões estão muitos, e inclusive, eu mesmo me incluo entre elas por nunca pensar de acordo com o que é esperado.
Mas podemos citar sem qualquer politicagem (até porque sou apartidário, uma vez que o país não tem partidos, mas uma organização criminosa generalizada): os negros, homossexuais, mulheres, religiões, portadores de necessidades especiais (e neles incluo aqueles com limitações temporárias ou pontuais: idosos, gestantes, obesos...).
As famosas "minorias", que na verdade, juntas, seriam maioria, se não defendessem só as suas causas, como se as outras não importassem ou misturassem suas lutas com partidos e bandeiras diversas.
Não é pela cor, pelo sexo ou pelas condições físicas e ideológicas que deveria ser a luta, mas por reconceituar o ser humano, que está além disso tudo e assim, recriar uma sociedade sustentável, no qual o coletivo, se sobressaia ao individual.
O problema não são os diferentes. O problema é a indiferença epidêmica.
Deus, tenha "piedade" de nós e deixe a criança viver. Quem sabe com ela, viva o futuro.
domingo, 2 de julho de 2017
Saudades
Há saudades no partir e despedidas...
Mas há algumas que nem chegaram a existir...
Dos encontros que não aconteceram
De um tempo não vivido
Das músicas tocadas
Dos perfumes exalados
Dos símbolos e sinais
Que de fantasias tão reais
Não foram possíveis evitar
Do que poderia ter sido
Ou do que havia antes de toda mudança
Algumas lembranças que se perderam
Ou daquele esquecimento que tentamos lembrar
De lugares que não estivemos
Paisagens que a alma contempla
Das partes em nós que não conhecemos
Da mente que se separa do corpo
Em busca do que não sabe
Na saudade que enfim
Tenta nos ressignificar
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Avidez
Há ânsia no desejo
O prazer não sabe ser comedido
Comensurado ou simplesmente aguardar
Ele é a entrega inesperada
Que só espera o consumar
Somar, só mar
Porque nos banha em ondas
Mergulhos profundos
Ainda quando só imaginação
Ele é imaginação, mesmo quando fato
É o entrelaçar entre duas mentes
Que se saciam, aliciam e deliciam
É a pretensão do tesão
É a tensão que escorre
Que sua e faz suar
Corporificam as fantasias
Em uma busca ofegante
Que oferta o melhor
Que no íntimo do imo há
Ele é a entrega inesperada
Que só espera o consumar
Somar, só mar
Porque nos banha em ondas
Mergulhos profundos
Ainda quando só imaginação
Ele é imaginação, mesmo quando fato
É o entrelaçar entre duas mentes
Que se saciam, aliciam e deliciam
É a pretensão do tesão
É a tensão que escorre
Que sua e faz suar
Corporificam as fantasias
Em uma busca ofegante
Que oferta o melhor
Que no íntimo do imo há
terça-feira, 27 de junho de 2017
Tudo ou Nada
Não sei ser ponderado
É sempre assim: tudo ou nada
Ainda quando o tudo parece nada
E nada é como tudo parece
Nascemos com tudo
Morremos por nada
Criamos o tudo a partir do nada
E quando desalentados, o nada é tudo
Há detalhes em tudo
Há segredos no nada
Falo com tudo, o nada que há em mim
Murmuro sobre o nada que há em tudo
Porque parte é o que deixo inteiro
Parte é o que não sobra, ainda que sombras
Enquanto crio pontes entre um e outro lado
Voo manco e calado
domingo, 25 de junho de 2017
O elevador
E eles entraram...
Toda espontaneidade deu lugar a um estranhamento.
Os primeiros, logo ocuparam os cantos e se puseram em posição rígida, como uma armadura decorativa.
Houve um certo constrangimento e confusão com os botões.. Todos queriam apertar e se livrar logo da situação para retornarem às suas posições.
Segundos depois, alguns sacaram o celular e fixaram os olhos nele na vã tentativa de se isolar em um cubículo de 1,5 x 1,5 m.
Tentavam, inutilmente, distrair a mente, mas as demais presenças se impunham.
Uma moça até se virou de costas para os demais, encarando o espelho e penteando os cabelos. Esqueceu que o espelho refletia, logo ela via todos e percebeu que também a viam.
Os demais não sabiam o que fazer. Olhavam para o mostrador, torcendo que em um passe de mágica, o décimo andar se tornasse o térreo. Olhavam para cima, para baixo, para os lados,...Colocavam as mãos nos bolsos, nas bolsas, entrelaçavam as próprias mãos, estalavam os dedos...Tudo parecia em câmera lenta.
Ninguém ousava falar uma palavra. (Na verdade, mal respiravam)
Cada um que saltava em um andar pelo caminho, devolvia um pouco do ar preso pela apneia dos demais. Alguns, um pouco mais aliviados, quase suspiravam.
E depois de um minuto, que pareceu uma hora, chegaram no térreo e aceleraram os passos o quanto puderam para se perderem uns dos outros.
Eles sabiam demais, compartilharam a privada proximidade.
Toda espontaneidade deu lugar a um estranhamento.
Os primeiros, logo ocuparam os cantos e se puseram em posição rígida, como uma armadura decorativa.
Houve um certo constrangimento e confusão com os botões.. Todos queriam apertar e se livrar logo da situação para retornarem às suas posições.
Segundos depois, alguns sacaram o celular e fixaram os olhos nele na vã tentativa de se isolar em um cubículo de 1,5 x 1,5 m.
Tentavam, inutilmente, distrair a mente, mas as demais presenças se impunham.
Uma moça até se virou de costas para os demais, encarando o espelho e penteando os cabelos. Esqueceu que o espelho refletia, logo ela via todos e percebeu que também a viam.
Os demais não sabiam o que fazer. Olhavam para o mostrador, torcendo que em um passe de mágica, o décimo andar se tornasse o térreo. Olhavam para cima, para baixo, para os lados,...Colocavam as mãos nos bolsos, nas bolsas, entrelaçavam as próprias mãos, estalavam os dedos...Tudo parecia em câmera lenta.
Ninguém ousava falar uma palavra. (Na verdade, mal respiravam)
Cada um que saltava em um andar pelo caminho, devolvia um pouco do ar preso pela apneia dos demais. Alguns, um pouco mais aliviados, quase suspiravam.
E depois de um minuto, que pareceu uma hora, chegaram no térreo e aceleraram os passos o quanto puderam para se perderem uns dos outros.
Eles sabiam demais, compartilharam a privada proximidade.
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