quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Desejos Virtuais



Duas mentes em conexão 
Atração dos corpos online
Busca incessante da imaginação 
De toques que não se tocam
Mas dedilham a pele 
Em cada tecla que apertam
Apertam a ansia de se terem
Na tela que vira cama
Nas almas que se amam
Devoram devotos
Cada letra que escorre
E escorre...
Em um conto que juntos percorrem
Personagens de si mesmos
Degustam seus instintos
Ali entregues
Sem trégua da excitação 
Contorcidos pelo prazer
Entre bytes e perdições
Um wi-fi de dominação
Insaciáveis sinais
De cada nova mensagem não esperada
Até que em uma explosão surreal 
Um gozo real
Só sobrem os dois e mais nada

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Você ainda acredita no amor?



Talvez tivesse todos os motivos para dizer que "Não", se me baseasse unicamente em momentos ou expectativas! Mas como posso negar o motivo que me faz existir?
Porque o amor está além do que se espera até porque ele não espera nada, ele é! E não é só um momento, ele é mais do que o tempo.
E quando digo amor, não se restringe a duas pessoas...Mesmo sendo a primeira ideia que temos sobre isso.
Mas um amor que transcende e que se enraíza nos sentimentos e em tudo que o pensamento cria. Até porque para amar alguém é preciso antes amar simplesmente. Amar sem explicação, sem sentido ou significado.
Amar pela própria expansão que o amor representa. O amor nunca foi feito de metades. Ele é a doação de inteiros,
não de partes.Ele não é divisão, é multiplicação! Não subtrai, adiciona! E quanto mais doa, mais ama!
Deve ser estranho viver a descrença do amor. Acreditar que o único sentido da vida é se manter de pé até algum dia cair sem sentidos! Não quero ficar de pé, quero voar e só consigo fazer assim.
"Ah mas o amor dói"..Não é o amor que dói, é a ilusão e o ego, as crenças e os apegos! É dar a paixão, a nobreza de algo que a transcende!
O amor não difere, não julga e não estranha. Ele não normatiza e nem cria padrões porque está além da própria compreensão. Amor não é corpo, ainda que possa fazer arrepiar!
E se nada disso lhe fizer crer na existência do amor, respire! Mas respire fundo, porque o amor não é raso e como o ar, ele se dará de graça e sem que possa ver. E o ar que eu respiro é o mesmo para cada um. O amor existe para fazer que a mortalidade se reconheça como parte da divindade!

(I)Mundo




Fui ali e já volto, ver esse mundo maluco (ainda que o maluco seja eu)...
Que todos andam de pé, enquanto dou cambalhota...
E quando sentam, eu me levanto...
Um mundo envergonhado das suas emoções, que ri para esconder as lágrimas...
Orgulhoso de suas razões (mesmo sem razão alguma)
E que só aceita no outro um espelho
Em que empatia é só um ideal e afinidade é desafinada
Um mundo que corta a cabeça do outro para dizer que a sua continua no lugar
Que precisa viajar para todo lugar porque nunca está satisfeito com onde está ou que se fecha no quarto para não ver o mundo rodar, ainda que a mente não pare
Um mundo que corre sem apreciar a paisagem e desacelera só quando já não tem mais tempo
Que finge e simula a verdade
Porque acredita em mentiras
Um mundo de opiniões próprias e não contrariadas
De solidões que se abraçam enquanto os braços estão ocupados com outra coisa
Um mundo que não se importa com UM, porque são bilhões...Diferente do trilhão de estrelas que uma importa tanto quanto as demais..
Um mundo que exclui suas diferenças para parecer que é todo igual, ainda que os iguais gostem de dizer que são diferentes...
Fui ali, mas já voltei! Não sou eu que não caibo neste mundo. Esse mundo que não cabe em mim

Vergonha






Vergonha alheia

Quando se é alheio
Fica só vergonha
Não pelo que mostrei
E que aparente ser eu
Mas pelo que não mostrei 
E que não parece ser eu
Porque a minha melhor parte
Nunca coube em uma foto
Mas a vida nos desafia
Nos desfia, nos expôe
Não aceita comodismos
E escancara a intimidade
Para uma vez constrangido
Nada mais volte para o mesmo lugar

A maldição


Ter um coração pode ser uma maldição
Em um mundo que cérebro é Deus
Ainda assim, não existo por pensar
Existo por sentir
Dentro e fora de mim
O que na pele não consigo guardar
E a intensidade é uma marca em brasas
Que nos diferencia e nos acusa:
"Bruxaria! Ele é sensível! Queimem-no!"
Mas como podem queimar, aquilo que vive em chamas?
Com gelo, razão, a frieza da indiferença...
Que mata o sentimento para não precisar pensar nele
Para um mundo de sentimentos, as razões se desencontram
Simplesmente porque sentimento não tem razão
E para os racionais: isso é não ter um coração
Afinal o deles, pulsa na cabeça!
Enquanto o meu, pulsa a alma toda!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Textos reeditados

O mistério dos vulcões (Fernando Paz)

Como um vulcão, silencioso e solitário
Misterioso e reservado
Aparente passividade
Oculta intensa atividade
Morada de deuses e demônios
Reduto de seres fictícios
Na fumaça que exala
A sensibilidade que revela
No intimo pulsa a vitalidade
Como do imo expulsa habilidades
Que fervilham a sua criação
Derrama a lava de sua ação
Poucos nele desbravam aventura
Onde alguns encontravam ventura
Na descoberta de sua intensidade
Logo aberta na privacidade
Há terror na sua erupção
Pelo clamor de tanta paixão
Cujo magma em lágrimas inunda
Fecunda o solo
Em nova rima
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Amor imaginário (Fernando Paz)

Sentado na janela, estendo as mãos na direção da lua, imaginando que onde estiver, também erguerá as mãos a ela e nossos dedos, ainda anônimos, se encontrarão nos sonhos.
Nessa espera indeterminada que nos faz enfrentar os desafios, acreditando que tudo terminará em um abraço imortal.
Seu nome, seu rosto, suas atividades, seus medos e realizações, desconheço até o presente momento, no entanto, sinto seu carinho em cada brisa, seu calor em cada raio de sol e suas lágrimas em cada chuva. Na natureza encontro sua emoção.
Como crianças que colorem sua solidão com amigos imaginários, minha alma brinca com a imagem da nossa futura comunhão.
Percorro cada rosto, esperando que nossos olhos se encontrem na multidão e a minha multiplicidade se integre a sua individualidade, fazendo enfim de nossas duas notas, uma mesma canção.
Mesmo que essa carta não encontre destinatário, escrevo para que essas palavras não morram em mim e ainda que eu morra sem suas palavras, o amor sobreviva.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Evolução


Vivemos um momento de grande estranhamento social. Um momento que todas as diferenças estão na mesa e precisamos nos entender com elas. Há quem diga que passamos por um caos, mas toda grande transformação da humanidade foi precedida de turbulências.
De momentos obscuros como a Idade das Trevas Medievais e as Grandes Guerras Mundiais à períodos de transformação como a Renascença e o Iluminismo.
E a história nos ensina, que cada momento não apenas é cíclico, tendo um tempo de duração, mas também pendular, indo de um polo à outro até que encontre o equilíbrio. Desde uma moralidade repressora como as escuras passagens de uma Inquisição à uma libertinagem irrestrita como o movimento Hippie e sua resposta "paz e amor". A sociedade se transforma e se ajusta e isso passa por podas e conflitos até que ache o meio do caminho de não estar em um extremo. Os aparentes desencontros sempre arrumam a casa. Toda arrumação levanta poeira, reposiciona os móveis, joga fora o que não serve ou substitui e coloca tudo de cabeça para baixo antes de voltar com as coisas para o lugar. Pode chamar de bagunça o processo, mas é preciso para chegar a um resultado melhor! Tudo está se transformando o tempo todo e o fato de não vermos a obra acabada, não define o que ela é.

Prosa Mental



Tantas vezes conversei 
Sem que soubesse
Diálogos mentais inteiros
Com sua imagem emprestada
Talvez fosse carência
Ou só não querer...
...um espelho no pensamento
Achar inspiração no outro
Que não conheço
Para fugir da rotina já esperada
Uma corrupção da minha imaginação
Ou desejo de uma realidade?
Burlar o contato proibido
De uma intimidade que não existe
Minto, existe! Dentro de mim
Com toda intensidade
Talvez não seja nada disso
Mas o que importa?
Se não sei como é
É do jeito que sei
E o que sei?
É melhor com você!
(Do jeito que pode ser)

Carta à uma amiga


Quem é essa moça?
Que ri entre lágrimas
E para quem é sempre assim
Tudo ou nada
Que não sabe molhar os pés
Sem banhar o corpo
E não é de meia entrega
(as vezes, dando tudo que tem)
É a personificação da força
Não de luta (essa ela tem de sobra)
Mas de sensibilidade, intensidade e mulher
Mulher que não abandona a menina
Menina que envolve como mulher
Sua natureza é como o fogo
Aquece, forja e se não cuidar, queima...
Fogo que faz renascer
E das cinzas se reinventa...
Quem é essa moça?
Deixo para você descobrir
Afinal é preciso ir além da aparente concha
Se deseja a presente pérola
Só um aviso aos desavisados
Se não for para ficar
Não pare! Ela não foi feita para amadores..

Frase - Namastê!