sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Platônico


Há silêncios providenciais
Uma palavra e tudo seria perdição
Na ânsia descontrolada
De uma fantasia vivida
Do tremor da pele
Que uma ideia arrepia
Dos diálogos não ocorridos
Mas que tiraram o chão
Na doação do melhor
Pela imaginação que domina
Nos corpos laçados
Pelos sonhos não tocados
Nas bocas que nunca falaram
Uma dentro da outra
Dos olhos encontrados
Que nunca se viram
Ao suspiro da alma
Que o coração acelera
Tudo fora cala
Quando o íntimo grita
No querer impossível
Que transpira
Na música de um existir
Que só existe de um lado

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Faceando



Será que deveria só "curtir"? Mas curtir parece pouco expressivo, como uma constatação. Quantos "amei" são precisos para dizer a alguém que se importa? Será que um"ual" é mais explícito? Talvez um "triste" chamasse atenção por ser inesperado, mas ninguém é triste aqui. Uma "raiva", talvez? Porque não sei realmente o que sente com essas reações. É tudo auto sugestivo. Não é fácil condensar tudo em um clique, ainda assim, parece mais fácil que conversar...

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Novo dia


Esporadicamente a vida acontece no inesperado
Fazendo surpresa com o que esperou
Sempre perto do desanimo
Para devolver o fôlego até que falte o ar
Não é uma ilusão
Embora pareça
É a magia da renovação
Que ouvindo suas preces
Devolve a esperança
De que pelo menos hoje
É possível

Casulo


Vivo em um casulo escuro e apertado
Que rompo para voar
Me recolho quando devo sair
Saio quando tudo me diz para ficar
Dentro é a metamorfose do meu mundo
Fora os mundos que sem asas não consigo chegar
Dentro uma solidão acompanhada
Fora um murmurio solitário
Dentro tenho todo o tempo
Fora já não tenho tempo
Porque me escrevo pelo avesso
E só escrevo o que não consigo mostrar
E quando mostro, já não vale escrever
Amo o processo
Mesmo quando no processo não há amor
É difícil processar, o que faz que só reste: amor
E nessa loucura de caminhar com os loucos
Percebo a normalidade que há
Na profundidade insana
Na intensidade profana
Na subjetividade que afana
O Eu que dentro de mim não cabe
Que fora de mim não coube
E só nos meus sonhos caberá

Desconhecidos


Quantos conhecidos desconhecemos?
Um dia tão próximos em que tudo é cativante...
E em outro tão distantes que mesmo parecendo familiar, falta um sentido e conexão.
Se antes tudo se afinava, tudo agora é dissonante...
O que parecia claro, agora é incompreensão.
Tentamos agir com naturalidade, acreditando nos laços feitos, mas tudo é artificial e a espontaneidade se tornou movimento forçado em que ambos sorriem torcendo para acabar logo, como a estranha sensação de estar em um elevador com estranhos.
Sim, é isso: estranhos. Causa estranheza na fala, nos gestos, nos detalhes... tudo mudou e isso não seria ruim, se a mudança não significasse uma dissolução, que tenta manter um nó.
Realmente dá um nó na garganta, que tenta falar, mas não sabe o que falar, os idiomas mudaram.
Desconhecer é o caminho inverso da surpresa de descobrir... é quando a euforia dá lugar a ânsia de partir.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O toque


É a gota que escorre na pele
Causando maremotos na alma

É a latência de uma espera
O descontrole pela proximidade

É a dilatação dos poros
Que abrem também a sensibilidade

É o pensamento que apesar de tanto
Não pensa em nada senão no outro

É a confiança de quem recebe
A destemperança do doador

É a poça d'água que afoga
Na sede incapaz de saciar

Para alguns pode não ser nada
Mas sem isso, é impossível nadar!

sábado, 4 de novembro de 2017

Há perdas


...Que levam embora o que nunca nos pertenceu
Outras que nos libertam de quem não queríamos ser
...Que parecem derrotas em deixar ir o que não foi feito para ficar
Outras transformação de quem se acha enquanto perdido
...Que levam parte de tudo que nos construiu
Outras abrem espaço para refazer a destruição do tempo
...Que separam as expectativas e a realidade
Outras são reencontros com o que esqueceu
No fim, não é o que tem nas mãos, mas o que faz com elas.

Elucubrações


Minha alma tanto pulsa
Que quando vejo: Impulso!
Já fiz, mesmo sem querer
Na verdade, queria, mas não era para fazer
Mas o que faço com o pulso?
Acelerado e inconstante?
Sei que o corpo não manda em mim
Mas eu também não mando nele
A intensidade dá tantos passos
Que quando vejo: Impasse!
A emoção não raciocina
E minha razão? É emocional
Não farei mais menção
Quer saber? Vou para outra dimensão

Hábito



Eu queria dizer que não é nada disso
Mas minha alma é errante
É errata do que eu queria ser
Sou passional
Paz ocasional
De um sobrenome
Tento morar
Mas me demoro
Oro no fim
Que tenta permanecer
Sem nunca estar
Dividido pela ida, pela vinda, pela vida
Eu queria não ser fantasia
Ter vocação além do impossível
Mas meu possível é passivo
Preciso sentir com todos os sentidos
Para dar algum sentido
Para o que não sei dizer
Por isso escrevo
Por isso crivo
Quase crise
Porque ainda que não viva para amar
Amo para viver

Tempo de Inocência


Havia um tempo de tanta inocência
Inocência que queria preservar
Que acreditava que o amor acontecia sem jogar
Que bastava um encontro e nada mais para eternizar um olhar
Acreditava que a vida era fácil e que só era preciso um sonho
Um piscar de olhos e pronto, tudo voltava para o lugar
Pensava que a dor era desvio de estrada e nunca a lição
Chorava para que as lagrimas rumassem para o sorriso e clamava para que elas fossem só redenção...
Perdão! Só percebi quando não eram mais rios na face e os arredores, oceano.
Preservava ainda algo da criança que se encantava mesmo sem entender o mundo, só para dizer que no fim, tudo se acertava. E na pior das hipóteses, criaria meu próprio mundo, pois achava que sozinho ele funcionava.
Não sei onde a perdi ou se me perdi com ela. Não sei se nesse universo ou nos tantos versos que desenhei...
Nosso encontro ainda existe mas não sei mais se é terra ou ar. A inocência me acena sagrada e eu a abraço profano.
Ela diz que tudo está certo e eu afirmo errando. Ela é o firmamento que eu olho enquanto escalo o abismo.
Porque o que quero dela, ela não pode e o que posso, ela não quer.
Mas ainda vive em mim aquela criança ou como adulto não cresci? Porque se em mim mora esperança de fato dela nunca me despedi.
Enquanto falava, percebi que as palavras não eram minhas, mas que não há tempo para inocência, ela sempre foi o tempo. Se eu a perder de fato, não foi por causa da vida, mas porque morri.